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A Fundação Orsa e a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) promovem entre nos dia 24 e 25 de setembro o fórum A Cidadania Antes dos 7 - O papel de imprensa nos primeiros 6 anos de vida de um brasileiro. No evento, jornalistas e especialistas em educação discutem o desempenho da cobertura jornalística em Educação Infantil no ano de 2000. O debate tem por base os resultados da 11ª edição da Pesquisa Infância na Mídia, elaborada pela Andi. A publicação faz uma análise qualitativa e quantitativa de todas as reportagens, artigos e editoriais, publicados no ano passado sobre Educação Infantil. O trabalho dos jornalistas participantes dará origem a um documento que analisará as incoerências e os caminhos da cobertura jornalística, além de recomendações às fontes de informação e aos próprios jornalistas para o benefício da cobertura da Educação Infantil.
Como o professor pode proporcionar ao seu aluno um ambiente rico em aprendizagem e tornarem os pais co-responsáveis pela educação? A Fundação Orsa, que desde 1994 promove a formação da criança em situação de risco social e pessoal, está em busca de uma resposta. Pelo segundo ano consecutivo promove o Prêmio Qualidade na Educação Infantil, para valorizar práticas pedagógicas em todo o Brasil. A fundação entregará no dia 30 de outubro um prêmio aos professores de Ensino Infantil que fizeram a diferença, ao criar projetos pedagógicos modelos para as suas escolas. Dos 1.388 projetos pedagógicos inscritos, apenas um educador de cada Estado brasileiro foi selecionado e receberá, como motivação, um kit com materiais e pedagógicos e um prêmio simbólico de R$3 mil. "A idéia é estimular trabalhos que valorizem a educação, respeitando os direitos da criança", afirmou Vera Melis, coordenadora de educação da Orsa, ao divulgar a lista de ganhadores durante o encerramento do Fórum Cidadania Antes dos 7. Segundo ela, os trabalhos são selecionados por dois fatores: como o trabalho foi desenvolvido na sala de aula e a participação da comunidade. "São projetos que partem do olhar do professor em um problema específico de seus alunos, para uma política pública adotado pelo município." Apesar de serem 27
ganhadores, a Fundação seleciona um como grande vencedor.
Este ano o prêmio foi para Luzerna-SC, onde a professora Márcia
Maria Graeh, da rede municipal de ensino, desenvolveu um projeto de integração
entre famílias e a escola. O objetivo era conhecer o ambiente familiar
e o contexto social do aluno. A iniciativa buscou valorizar as várias
manifestações culturais, costumes As secretarias municipais de educação que apoiaram os projetos vencedores receberão um veículo Kombi repleto de materiais pedagógicos, para uso de todos os alunos do Ensino Infantil de seus municípios. Além disso, receberão também uma estatueta pelo apoio. "É para que os secretários não se esqueçam da Educação Infantil" brincou Vera. (Rodrigo Zavala)
Apresentação dos dados da 11ª edição da Pesquisa Infância e Mídia, elaborada pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi) e pelo Instituto Ayrton Senna, mostrou um quadro preocupante: os releases oficiais ainda são as principais fontes de pauta para os repórteres de educação. Para o consultor técnico da Andi e pesquisador da Universidade de Brasília, Guilherme Canela, que apresentou os dados, os repórteres devem se esforçar e se informar mais. "Os jornalistas especializados em educação devem procurar outras fontes além do MEC e das secretarias de educação", disse. Na pesquisa, Canela apontou que 65,5% das reportagens, artigos e editoriais parecem pautados pelo Governo. A cobertura realizada pelos jornais sobre o censo da educação, divulgado ano passado pelo MEC, segundo o pesquisador, é um exemplo de má apuração. De acordo com a pesquisa, quase não houve discussões em torno dos questionários: 51,7% das reportagens são favoráveis ao Governo; as demais são neutras. Ao ser perguntado sobre o tempo de apuração em jornais diários, apontado como grande vilão da qualidade da reportagem, Canela respondeu que, para uma cobertura efetiva, o jornal deve ter um repórter exclusivo para a editoria. Além disso, o jornalista deve pesquisar informações em outras instituições, como comissões da Câmara, núcleos universitários de pesquisa e entidades da sociedade civil organizada. "O jornalista deve negociar mais com o editor. O tempo é um empecilho, mas o repórter deve se esforçar para rebater as informações que chegam do Governo." O pesquisador apontou ainda a qualificação do repórter um fator importante para a melhoria da cobertura sobre educação. Segundo Canela, o jornalista deve se especializar na área e dominar, pelo menos, o básico de legislação e do trabalho de cada instituto educacional. "O que pode fazer um repórter que na hora de apurar não sabe qual é a função do Conselho Nacional de Educação?", questionou. (Rodrigo Zavala)
Crianças negligenciadas durante os primeiros anos de vida possuem lesões cerebrais que dificultam seu aprendizado e vida social. Com essa afirmação, amparada em pesquisas de universidades americanas, o médico especialista em neurociência, o Dr. Osmar Terra, pediu aos jornalistas participantes do evento que, com seu trabalho, cobrassem do Governo políticas públicas para o Ensino Infantil. Segundo ele, as crianças precisam de estímulos nos primeiros dois anos de vida para crescerem saudáveis. "A participação da imprensa na definição de políticas públicas é importante, já que podem estimular o debate sobre programas especiais para crianças de 0 a 7 anos." Além disso, aponta Terra, a ignorância do tema por parte dos gestores públicos e da própria população leva a falta de projetos e de cobrança popular. "Os jornais devem dar atenção especial à essa idade, na qual o desenvolvimento do indivíduo é moldado. A mídia poderia fornecer os conhecimentos que deveriam ser imprescindíveis para todos os pais e políticos preocupados com a educação", explica. O médico lembra ainda que, segundo pesquisa realizada por especialistas americanos, a cada dólar gasto em programas educativos para crianças de 0 a 7 anos, se economizam 7 em programas de reablilitação e reeducação, nos EUA. "Se a criança tem apoio quando criança, a probabilidade de se tornar violenta ou anti-social é muito menor. Crianças com apoio aprendem mais, são mais sociáveis e mais afetivas." (Rodrigo Zavala) |
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