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O Itaú Cultural realizou nesta quinta-feira (25/09) o debate Inclusão Digital - Possibilidades e Conflitos na Sociedade da Informação. O debate girou em torno das possibilidades de utilização da tecnologia digital e da informação, e suas conseqüências na sociedade brasileira, onde a exclusão social, econômica e digital é a regra. "Deve se levar em conta que as novas tecnologias tanto podem reduzir as carências educacionais, econômicas e sociais quanto aumentar a exclusão", disse o jornalista e mediador do debate, Heródoto Barbeiro. Foi discutido também a eficiência dos projetos de telecentros, a inclusão digital como política pública e a introdução das novas tecnologias no sistema educacional brasileiro e nos trabalhos do terceiro setor. O professor aposentado do Departamento de Ciência da Computação da USP Valdemar Setzer manifestou uma posição contrária a utilização de novas tecnologias na educação. Mostrou, inclusive, uma pesquisa acadêmica realizada em Israel onde crianças que estiveram em contato com o computador não tiveram um aumento no desempenho escolar. “Isso é mercantilismo de vendedor e ignorância de quem não sabe o que é educação ou computador e embarca na falácia dos vendedores”, afirma. Sobre os programas de governo de instalar computadores nas escolas públicas, Setzer afirmou: “Querem se reeleger e não fazer o bem ou ajudar na educação”. E condenou os inúmeros trabalhos de desenvolvimento de jogos e atividades educativas em meio eletrônico: “Qualquer coisa em meio eletrônico obriga a criança ao pensamento matemático restrito e provoca alienação da realidade”. Para o professor, a Internet, assim como a TV pode trazer informação para as pessoas, mas afirma que informação não é o mesmo que conhecimento. ''Informação pode ser transmitida a todo momento, mesmo que não seja real ou mesmo que aquele que transmite não tenha assimilado", diz. "Já o conhecimento é algo que se adquire apenas com a vivência", disse. O presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, Sérgio Amadeu da Silveira, discordou e comentou que a afirmação de que a vivência seja necessária anula os estudos em torno da História. Para Silveira, as reações contrárias ao computador se assemelham a todas as reações contrárias que aparecem quando surge algo novo. "Sócrates dizia que o ato de escrever aniquilava a memória", lembrou. O professor afirmou que o computador pode sim, ter uma posição negativa na vida de quem o usa e que, por isso, deve haver um trabalho de orientação para aqueles que irão aliar educação e tecnologia. Paulo Lemos, cordenador de projetos da Cidade do Conhecimento, também discordou das idéias de Setzer. Ele falou sobre a importância da Internet como meio de expressão. Segundo ele, a língua portuguesa é a segunda mais usada em blogs no mundo. "A Internet foi a maneira que o anônimo encontrou para se expressar", disse. "O Brasil é o maior país de língua portuguesa do mundo e, por isso, entende-se que mesmo sendo um local de grande exclusão digital, as pessoas estão usando a Internet como um instrumento de comunicação", disse. Setzer se mostrou indiferente: "Os outros estão fazendo coisas mais úteis", diz. Ivan Paulo Gianini, gerente de Ação Cultural do Sesc, falou sobre a inclusão digital de pessoas com deficiência visual e defendeu o uso de softwares livres. "A tecnologia criou o problema de exclusão digital de pessoas com deficiência, e temos que buscar na própria tecnologia a solução para isso. Já existem softwares específicos, mas eles ainda não estão cumprindo devidamente o seu papel", disse Gianini. O palestrante defendeu que o uso do computador, inclusive, melhora bastante a forma de escrever do indíviduo. "Os programas de texto proporcionam uma correção em tempo real do que as pessoas escrevem. Além disso, ao usar o microcomputador as pessoas escrevem muito mais", defendeu. O programa foi transmitido ao vivo pela Rede SescSenac de Televisão, e pelo site do Itaú Cultura. A Rádio CBN transmitirá a discussão no próximo sábado, dia 27 de setembro, às 21h. (Cássia Gisele Ribeiro - 26/09/03)
O jovem não deve ficar só na condição de beneficiário, mas como agente participativo na elaboração de políticas direcionadas à juventude. Essa foi uma das sugestões mais citadas durante a mesa-redonda Rede de Empregos de Jovens realizado na última quarta-feira dia 24 de setembro. O evento, realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), tinha por objetivo levar jovens para expor dúvidas e dar sugestões sobre o Programa Primeiro Emprego, direcionado à juventude. Desta forma, estimular sua participação na elaboração dessas políticas. Antes de debaterem o assunto com o Ministro do Trabalho, Jaques Wagner, a Secretária da Promoção e Integração Racial, Matilde Ribeiro e com o diretor-geral da OIT, Juan Somavia, houve espaço para pautar a discussão. Cerca de 40 jovens formularam pontos cruciais que deveriam se avaliados pelos representantes das organizações convidadas. Na hora do diálogo, os 60 jovens de todo o Brasil – e que já passaram pela experiência de inserção no mercado de trabalho – questionaram, por exemplo, a empregabilidade para a área de arte e cultura. Houve também dúvidas sobre que formas o governo encontrará para atender aqueles que não têm a oportunidade de trabalhar com o que desejam. Uma dúvida levantada por Pedro Junqueira, 16 anos, integrante da Associação Pracatun de Salvador, BA, se referiu à implantação do programa Primeiro Emprego. Como a iniciativa obriga o jovem trabalhador a estudar, Junqueira questionou como será o regresso escolar dos jovens, já que se trata de uma medida interventiva de curto prazo. Isso somado a má qualidade de ensino na escola pública não dá bom resultado. Pergunta não respondida pelos representantes do governo. Mesmo assim, o pontapé inicial, no que diz respeito à participação de jovens na elaboração de políticas para a juventude, já foi dado. Segundo representantes do governo, algumas alterações baseadas nas sugestões e dúvidas dos jovens serão feitas. Agora, resta esperar a cumprimento desse acordo e a promoção de mais encontros deste tipo, quando os jovens dão suas opiniões para a melhoria das políticas para a juventude. (Giovani Schiavini – 26/09/2003) |
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