Desde o cinema, mídia 'educativa' não cai no gosto dos professores

Apesar de existirem já há muito tempo, as produções audiovisuais preocupadas com a formação do público continuam sendo deixadas de lado pelos professores. Este foi o ponto central das discussões da mesa redonda "Televisão e Educação: recursos e percursos", realizada durante a 3ª Semana da Educação, na Faculdade de Educação da USP.

Entre as debatedoras estavam a professora Marília Franco (ECA-USP), a diretora de programas infantis da TV Cultura, Bia Rosemberg e a educadora Zélia Cavalcanti, que foi consultora pedagógica do Castelo Rá-Tim-Bum.

Marília lembrou que o cinema com objetivos pedagógicos surgiu na década de 30 no Brasil, muito antes dos programas de TV no mesmo estilo. Foram mais de 400 filmes, recuperados recentemente, produzidos pelo Instituto Nacional de Cinema Educativo, criado em 1937. A sociedade já se preocupava, desde aquela época, com a influência negativa das produções comerciais sobre a formação das pessoas.

"Agora, falta vontade dos professores de se apropriar deste material e usá-lo no fazer pedagógico", cobrou Marília. Para ela, o audiovisual é considerado subversivo dentro da educação tradicional porque desloca o saber do professor para a tela, alterando a teatralidade da sala de aula. "Quando coloca um vídeo, o professor vai para a platéia e, fica sem saber como vai restaurar sua autoridade quando o vídeo acabar", comentou Marília.

"É preciso reconhecer que a televisão é um espaço genial de aprendizagem", disse Zélia. Ao lado de Bia, a educadora explicou o cuidado pedagógico dos programas da TV Cultura. A série Rá-Tim-Bum e seu sucessor, o Castelo, por exemplo, foram pensados como produtos de educação informal formativa. Além do conteúdo, houve a preocupação com que eles fossem programas atraentes, contextualizados e divertidos.

Mas para as debatedoras, não se deve proibir as crianças de assitir aos programas das emissoras comerciais. É inclusive necessário debater as produções que elas gostam, sem preconceitos e também mostrar as alternativas. "O professor tem que assistir ao que os alunos assitem, para discutir, analisar e usar em sala de aula", afirmou Bia.

(Cristina Mori - 26/05/02)