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Entre os dias 28 e 29 de novembro, foi realizado em São Paulo o 3º Fórum Brasileiro de Imprensa, Terceiro Setor e Cidadania Empresarial. A iniciativa, promovida pelo Senac-SP, contou com a participação de jornalistas, profissionais do Terceiro Setor, professores, estudantes e pesquisadores. Confira
a cobertura realizada pelo Aprendiz:
A maneira como a imprensa aborda a violência envolvendo crianças e adolescentes, seja como vítimas ou agentes, é bastante deficiente, segundo a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi). A afirmação baseia-se no estudo "Balas Perdidas", elaborado pela instituição e apresentado durante o 3º Fórum Brasileiro de Imprensa, Terceiro Setor e Cidadania Empresarial do Senac-SP nesta quinta-feira (29/11). O material, fruto do trabalho de um ano, analisou 14.905 matérias de 46 jornais de 24 estados brasileiros. O objetivo era avaliar o comportamento da mídia em relação à violência juvenil. As conclusões são desastrosas, segundo Marcus Fuchs, diretor-adjunto da instituição. "Pouquíssimas reportagens procuram as causas. A imprensa prioriza a descrição dos atos violentos", afirmou. Mas estes não são os únicos problemas. De acordo com o estudo, a maioria esmagadora das matérias analisadas - 80% - é elaborada unicamente a partir dos Boletins de Ocorrência (B.O.) das delegacias. "Transformam o fenômeno social da violência em caso de polícia. A imprensa vira porta-voz da delegacia", advertiu Fuchs. Outro ponto fraco, segundo o diretor da Andi, é o fato dos jornais não responsabilizarem o poder público, raramente procurado, e não cobrarem políticas públicas para a solução dos problemas sociais. "Esses dados refletem jornalistas mal preparados e mal formados para escrever sobre o assunto. A própria sociedade é mal informada", disse. A pesquisa aponta que mais estatísticas, maior confronto de dados e uso rotineiro de fontes alternativas de informação seriam os primeiros passos para mudar a atualmente estrita visão jornalística na cobertura dos temas sociais. (Rodrigo Zavala)
A qualidade da cobertura jornalística sobre o Terceiro Setor não depende apenas da imprensa, mas também das organizações sociais. A análise foi lançada por Marcus Fuchs, diretor-adjunto da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), durante palestra realizada no 3º Fórum Brasileiro de Imprensa, Terceiro Setor e Cidadania Empresarial, promovido pelo Senac, em São Paulo. Ao anunciar dados preliminares sobre a pesquisa anual da Andi sobre o espaço editorial conferido às entidades civis organizadas, Fuchs criticou a postura passiva das ONGs em relação à sua participação na mídia. "Os envolvidos precisam ter uma postura pró-ativa em relação ao jornalista", afirmou. Segundo ele, as ONGs precisam elaborar um plano de comunicação para dar visibilidade às suas ações sociais. O mínimo seria fornecer dados sobre atuação, e se há patrocínio de fundações e de empresas. "Existem inúmeros equívocos cometidos por jornalistas, causados pela desinformação e pressa na apuração. Apenas estabelecendo um diálogo mais direto podemos mudar um pouco essa situação", explicou. Apesar de ainda persistirem os erros na cobertura, Fuchs garante que o Terceiro Setor já está na pauta da mídia brasileira. Mostrando-se otimista, garante que o espaço dedicado à área está crescendo. De acordo com os dados apresentados durante sua palestra, a média mensal de matérias relacionadas ao setor é de 318 - um aumento de mais de 20% em relação ao ano de 2000. "Espaço há, o que falta é informação". (Rodrigo Zavala)
Os jornalistas não estão preparados para cobrir o Terceiro Setor. Isso resulta em uma cobertura acrítica, muitas vezes "encantada", e que não considera o processo social por trás das atuações. Essa foi a avaliação apresentada pelo jornalista e coordenador da Cidade Escola Aprendiz, Fernando Rossetti, no painel "Cidadania e Jornalismo", realizado na última quarta-feira (28/11), durante o 3º Fórum Brasileiro de Imprensa, Terceiro Setor e Cidadania Empresarial no Senac-SP. "O movimento social é importantíssimo, mas também precisa de fiscalização", afirmou Rossetti. "Hoje em dia, é só 'jogação de confete'". Para isso, segundo ele, é preciso formar jornalistas especializados na área. Caso contrário, as reportagens saem com "cara de release", apresentando apenas dados positivos. Ele chamou a atenção para o perigo contido em declarações de empresários que começaram a investir em cidadania. "Alguns deles vêm com o discurso: 'Nós assumimos a área social porque o Estado não dá conta'. Na minha opinião, não se pode retirar a obrigação do governo. São necessárias políticas públicas para solucionar os problemas sociais", disse o jornalista. Rossetti destacou ainda o trabalho da Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), que realiza anualmente pesquisas sobre a cobertura jornalística de temas como Educação, Infância e Terceiro Setor. A entidade faz parte do Fórum Mídia e Educação, um esforço para a melhoria da qualidade da notícia. A iniciativa capacita jornalistas na área da Educação, fornece a eles fontes alternativas ao governo para reportagens, e mostra a importância de se batalhar espaço nos veículos para pautas sociais. "É o que precisa ser feito também com a cobertura do Terceiro Setor", concluiu Rossetti. (Cristina Mori) |
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