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A população da periferia das grandes metrópoles brasileiras são achacadas por dois tipos de tirania, segundo o Secretario Nacional de Segurança Pública, Luis Eduardo Soares. A primeira é o "despotismo do crime", no qual populares enfrentam as leis específicas do tráfico que domina suas comunidades. A segunda é o "despotismo do Estado", representado por um grupo de policiais corrompidos pelo banditismo, que subjugam os cidadãos que deveria proteger. Em sua participação no III Colóquio Internacional de Direitos Humanos, nesta manhã (30/05), em São Paulo, o secretário deixou claro que irá lutar contra essa ditadura da polícia, que macula a consolidação do país como Estado de direito democrático. "Comunidades inteiras vivem sob um verdadeiro clima de terror". Nesse contexto, na visão do secretário, quem mais sofre são os jovens dessas regiões, que acredita serem páreas sociais. "Jovens da periferia, devido a omissão do Estado e sofrendo a tirania desses grupos, perdem sua identidade social". Resta então recorrer à violência. No entanto, entrar para criminalidade, por exemplo, representa escrever um "roteiro previsível de uma morte anunciada". Mesmo assim, segundo Soares, eles arriscam: "só com uma arma na mão as pessoas irão perceber esse jovem como um indivíduo dotado de valores sociais, reafirmando assim seu direito de existir", explica. O secretário credita isso à falta de visibilidade social que crianças e jovens de baixa renda sofrem. "Para convivermos com essa realidade, não pensamos nela. Por exemplo, quando vamos ao cinema, preferimos não pensar no garoto que está pedindo dinheiro na fila, porque isso irá destruir nossa diversão". Portanto, a arma serve como um instrumento de percepção social. O que, por sua vez, faz crescer ainda mais o ciclo de violência nas cidades. "A atenção policial está centrada em focos subalternos, como pequenos bandidos, enquanto que os grandes saem incólumes". E essa impunidade influencia toda essa máquina. (Rodrigo Zavala - 30/05/2003) Leia mais: |
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