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Um total de 23% dos paulistanos possuiria uma arma de fogo para a defesa pessoal e de sua família, caso isso fosse permitido. 10% deles eram mulheres e 20% jovens entre 16 e 25 anos. Além disso, 27,3% do público masculino e 16,3% do público feminino afirmaram ainda que ameaçaram agredir algum estranho nos últimos 12 meses. Esse é o quadro da violência na cidade de São Paulo revelado pela pesquisa Perfil da Vítima da Violência em São Paulo, realizada pelo Instituto Futura Brasil (IFB) e capitaneado pelo economista Cláudio Haddad, presidente do IBMEC Educacional. A pesquisa será usada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo como matéria prima na elaboração de políticas de combate a criminalidade e para redução da violência. O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro, fez um discurso de abertura no evento de lançamento da pesquisa. Em seu discurso, o secretário relatou o fato de 70% dos entrevistados afirmarem que não confiam na polícia. “A polícia fica em uma situação muito delicada. Por um lado, ela está prendendo um criminoso, do outro, está lidando com uma pessoa sensibilizada, que espera da polícia uma atitude que nem sempre ela poderá corresponder”, disse. A pesquisa mostrou ainda que cerca de 30% de vítimas de crimes como roubo, furto e agressão afirmaram que obtiveram atendimento abaixo do esperado quando chamaram a polícia no último ano. A pesquisa mostrou também que o maior número de vítimas de violência utiliza o transporte público, o que desmascara o mito de que as pessoas que possuem mais estão mais expostas a violência. A pesquisa mostrou também que o público se sente mais seguro nas proximidades onde mora. Foi perguntado para os participantes se a rua onde moravam era violenta. A grande maioria dizia que não, e o número de pessoas ia diminuindo conforme o bairro, região e cidade. Segundo Castro, a grande responsável por esse medo é a mídia. O secretário conta que, em uma outra pesquisa, a população paulistana apontou como o bandido mais temido o traficante Andinho, que agia na região de Campinas. “Andinho nunca havia cometido qualquer crime em São Paulo, nem conhecia a cidade”, conta. Para Örjan Olsen, pesquisador do Instituto Ipsos Marplan, só o número de Boletins de Ocorrência não serve para dar indícios do aumento ou diminuição da criminalidade. Segundo ele, a possibilidade de fazer BOs pela Internet e um melhor atendimento nas delegacias faz com que as vítimas sintam-se mais seguras para denunciar, fazendo com que as estatísticas aumentem. O secretário de segurança concorda: “O mau-atendimento das vítimas pode ser uma estratégia para maquear os números da violência”, disse Abreu Filho. Para a produção do trabalho, cinco mil residências foram visitadas pelos pesquisadores envolvidos na empreitada. A escolha dos domicílios foi definida de maneira que o levantamento atingisse mais de 20 mil pessoas da capital e representasse toda a população de São Paulo, na sua extensa gama de cor, sexo, renda e religião. A cada entrevistado foi entregue um questionário sobre as agressões sofridas ao longo da vida e sobre as ocorrência de vitimização nos últimos 12 meses. (Cassia Gisele Ribeiro – 14/11/03) |
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