Já vou avisando
que essa primeira coluna não tem nada de olímpica. É
que, mal cheguei na Austrália, fui parar em Katoomba, uma cidadezinha
de 13 mil habitantes, a duas horas de Sydney, na região das Blue
Mountains (montanhas azuis).
Aqui (e no resto da
Austrália), mantendo a tradição inglesa, o pessoal
dirige do lado contrário da rua - indo pela esquerda e voltando
pela direita. Eu já teria sido atropelada, não fosse um
detalhe: 99% dos motoristas param para os pedestres que atravessam na
faixa. E não é só na "micro" Katoomba.
Em Sydney, é igual: você pisa na faixa e pronto.
Outro detalhe são
as guias rebaixadas nos lugares de travessia de pedestres. Quem anda em
cadeira de rodas tem acesso a praticamente tudo. Em Katoomba, as guias
ainda não rebaixadas estão pintadas de amarelo, para serem
reformadas - e provavelmente ficarão prontas antes dos Jogos Olímpicos,
à espera de hordas de turistas.
As calçadas
são bem largas, sem buracos e limpíssimas. Vi, é
verdade, um cocô de cachorro. Mas foi um, em três dias
- e olha que andei pela cidade inteira.
O ponto frágil
da aparente harmonia de Katoomba fica por conta do visual: há varias
pichações. São poucas, se comparadas com as de São
Paulo. Mas mostram que educação formal e qualidade de vida,
apesar de essenciais, nem sempre são suficientes.
(Cristina Mori)
Cristina
Mori é jornalista. De Sydney, Austrália, escreve
suas impressões para esta coluna.