|
|||||||||||||||||||||||||
| Cultura e desinformação ajudam prostituição infantil na Tailândia Segundo estimativas de acadêmicos tailandeses, entre 20 mil e 30 mil crianças se prostituem no país atualmente. As razões para números tão altos são diversas. Análises da Ecpat - End Child Prostitution in Asian Tourism ("acabem com a prostituição infantil no turismo asiático"), ONG internacional com sede em Bangkok, avaliam que a pobreza é o principal motivo que leva à prostituição infantil, mas há desdobramentos menos óbvios. Um interessante, mais comum nas comunidades rurais do norte do país, é a "dívida de gratidão" que os filhos têm com seus pais. Como forma de agradecer aos pais o fato de terem sido criados, há uma pressão para que os filhos compensem o esforço de alguma forma. Os meninos geralmente pagam tornando-se monges por alguns anos. A prostituição é a alternativa para algumas meninas, que não conseguem empregos ou outras fontes de renda. Também colabora para a prostituição infantil nas zonas rurais a aceitação geral da atividade, considerada uma ocupação como outra qualquer. O machismo é mais um fator de forte influência - meninas que perdem a virgindade antes do casamento temem não serem mais aceitas, e vêem a prostituição como opção de vida. Uma triste constatação é que o materialismo tem contribuído cada vez mais para a prostituição de menores. Jovens bombardeadas pelos apelos ao consumo competem entre si por status social, e a prostituição é dinheiro fácil - 600 baths (cerca de R$ 30) ao dia, ao invés dos 6 baths (R$ 0,30!) que um emprego regular na zona rural ofereceria. Há também uma pressão dos clientes do sexo que, desde o início da década de 90, preocupados com a Aids, requisitam virgens e meninas cada vez mais novas. E falta ainda conhecimento sobre a questão da prostituição infantil na sociedade, problema que se agrava nas comunidades minoritárias das montanhas do norte tailandês. Essas vilas têm bem menos acesso à educação e à informação - vivem sem energia elétrica e sem meios de comunicação de massa. Para piorar, seus habitantes sofrem com a burocracia para obter cidadania tailandesa, a começar pela falta de certidão de nascimento, exatamente como no Brasil. A diferença é que, aqui, eles fazem parte de minorias étnicas, discriminadas pelos tailandeses "puros", o que também estimula a prostituição. Algumas meninas das vilas acreditam que, trabalhando com sexo, serão aceitas pela sociedade tailandesa. Mas o cenário não é tão tenebroso assim. Existem algumas iniciativas para melhorar a situação das crianças prostituídas na Ásia, que vão ser o tema da próxima coluna. |
|
|||||||||||||||||||||||