| |||||||||||||||
|
O estudo calcula aumento anual de 5% das vagas nas três universidades estaduais - Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de Campinas (Unicamp). Juntas, elas têm cerca de 80 mil alunos. Com a expansão, pretendem atingir pouco mais de 100 mil. De acordo com o estudo, a taxa foi calculdada de modo a assegurar a vinculação com a pesquisa e a extensão e, assim, a qualidade dos cursos. Ainda no que diz respeito às universidades, o projeto prevê a abertura de novos câmpus e ampliação de outros em São Vicente (Unesp), no centro e na zona leste de São Paulo e em São Carlos (USP), Limeira e Paulínia (Unicamp). Outra frente de expansão são os cursos seqüenciais e básicos, de duração menor do que a graduação convencional e com forte perfil profissionalizante. Eles serão oferecidos pelas Faculdades de Tecnologia (Fatecs) e pelas escolas do Centro Paula Souza sob supervisão das universidades. O estudo prevê o aproveitamento da estrutura atual e a criação de 20 escolas superiores estaduais, específicas para esse fim. Considerando os dois casos, devem ser criadas 47,6 mil vagas e 97,6 mil matrículas em três anos. Mais um frente de expansão é a formação de docentes de ensino fundamental e médio. Espera-se abrir 5 mil vagas anuais - 19% adicionais em três anos. Para que a proposta saia do papel, o governo do Estado terá de aplicar mais recursos no ensino superior. Mas o montante -R$ 465 milhões - não é elevado, defendem os autores da proposta. "É cerca da metade do orçamento anual da USP", diz a pró-reitora de Graduação da USP, Ada Pellegrini Grinover. Ela lembra que a expansão é viável porque a proposta concentra as novas vagas em cursos seqüenciais, mais baratos do que a graduação convencional. Enquanto o aluno de uma universidade custa US$ 2,9 mil ao ano, o de um curso seqüencial custaria cerca de R$ 300. "Os cursos seqüenciais
permitem a expansão porque exigem uma estrutura menos complexa
e pode usar a capacidade instalada", analisa o reitor da Unesp, José
Carlos Souza Trindade. (O Estado de S. Paulo)
A ênfase da expansão no período noturno é perceptível nos números: em relação a este ano, houve um crescimento de 12,7% das vagas à noite e de 2,85% durante o dia. Ao selecionar os novos cursos, procurou-se também dar atenção às necessidades do mercado de trabalho e às transformações que vêm se operando nos últimos anos. Um exemplo é o curso de relações internacionais, cujo objetivo é formar profissionais capazes de atuar em negociações internacionais, por exemplo. O curso de agrobiologia, em Piracicaba, também se enquadra nessa categoria. Alguns cursos serão ministrados por docentes de duas unidades diferentes, como o de matemática aplicada e computacional e o de relações internacionais. "É um aspecto inovador, decorrente das características do novo mercado de trabalho que exige, cada vez, mais profissionais versáteis", argumenta. Além da USP, as outras duas universidades estaduais de São Paulo também ampliarão as vagas em 2002. A Unesp aprovou 500 novos postos e a Unicamp também pretende abrir cerca de 300 novos lugares. (O Estado de S. Paulo)
O frei David Raimundo dos Santos, diretor-executivo da entidade Educação e Cidadania de Afro-descendentes e Carentes (Educafro), diz que a expansão é "sempre fundamental e necessária". Mas é enfático em suas críticas contra o vestibular. "Se a universidade abre mais vagas mas não muda o ingresso, é palhaçada, porque essas vagas continuarão a ser ocupadas pelos mais ricos", diz. Para o coordenador do Diretório Central dos Estudantes da USP, Wagner de Melo Romão, a universidade está atendendo de acordo a demanda quando aprova 447 novas vagas em cursos de graduação, especialmente noturnos. No entanto, abrir cursos mais curtos para diminuir os custos da expansão é visto como criar uma universidade de segunda classe. "Não se formam cidadãos nesses cursos", justifica Romão. "Isso atende a uma demanda de vagas na universidade mas sacrifica a qualidade", afirma um dos membros da coordenação do Movimento dos Sem-Universidade (MSE), André Ferrari. A entidade briga pela ampliação do ensino superior público e formas alternativas de ingresso. Na semana que vem, prometem repetir o acampamento na USP, realizado pela primeira vez em março. O coordenador do Curso Etapa, Carlos Eduardo Bindi, elogia a iniciativa por ela considerar mudanças na educação brasileira e no mercado. "Os cursos de curta duração são adequados. A proposta mostra que as universidades estão adquirindo o perfil de agilidade que o mercado exige", avalia. Mesmo assim, acha que ainda falta muito para atender à demanda por ensino superior. (O Estado de S. Paulo) |
| |||||||||||||