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Um grupo de 65 pessoas ligadas ao movimento “invade” o campus Universidade Federal Fluminense, em Niterói, em uma iniciativa pioneira no Estado do Rio. O curso de Formação em Realidade Brasileira vai durar dois anos e tem por objetivo, formar líderes para os acampamentos. Leia mais:
O governo criou um grupo de trabalho para discutir a política de cotas para negros em universidades, formado por órgãos como o Ministério da Educação, da Justiça, Casa Civil, Secretaria Especial dos Direitos Humanos, entre outros. Leia mais:
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Os sem-terra estão articulando uma nova invasão, mas desta vez em perímetro urbano, sem derrubada de cercas ou conflitos. Um grupo de 65 pessoas ligadas ao movimento entra na sala de aula, amanhã, em Niterói, em uma iniciativa pioneira no Estado do Rio. De um lado, o corpo docente da Universidade Federal Fluminense e, do outro, futuros coordenadores de acampamentos. Longe da ameaça de confrontos no campo, os sem-terra serão alunos do curso de Formação em Realidade Brasileira. Procuramos a coordenação da universidade para uma parceria, a exemplo do que já acontece em São Paulo [onde o MST está construindo uma universidade em Guararema, no interior]e tivemos a resposta - comemora José Luiz Patrola, coordenador estadual do MST. - Para isso, indicamos lideranças do MST que já têm o grau necessário de estudo. Durante dois anos, aos sábados e domingos, integrantes do movimento que moram nos acampamentos de Resende, Campos e Casimiro de Abreu, interior do Rio, se deslocarão para a UFF, em Niterói. Juntam-se ao grupo alguns líderes comunitários da capital. Nesse período, eles estudarão teorias de Caio Prado Jr., Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro, Sérgio Buarque de Holanda e Leandro Konder, entre outros. Entram na grade de disciplinas, também, conceitos básicos de Geografia, Letras, História, Pedagogia e Economia. A meta, ressalta Patrola, é formar líderes para os acampamentos, que compreendam o atual panorama político-social do país e saibam coordenar ações que fortaleçam o movimento. As pessoas que fizerem os cursos vão ter que retribuir isso, passar as experiências nos acampamentos, destaca Patrola. Mais que uma ação de cidadania, lembra a professora de História Virgínia Fontes, da UFF, o objetivo - que envolveu uma equipe de profissionais em torno do assunto durante um ano - é fazer ''uma interface sobre o que a universidade é capaz de formular com a demanda que o MST propõe''. É uma construção coletiva para que o conhecimento seja socializado. A universidade também ganha com isso, avalia Virgínia. José Luiz Patrola garante que a iniciativa conjunta é tão importante quanto a grita pela terra e mostra que o movimento está se consolidando. Estamos construindo uma nova pedagogia para os excluídos. Uma nova dinâmica para a interpretação do MST pela universidade. Mas Patrola se vê diante de mais um desafio. O curso nem começou e a demanda é crescente. Pelo menos 100 pessoas interessadas ficaram de fora da turma que ocupa uma sala da UFF neste fim de semana. “Estamos buscando mais parcerias com outras instituições de ensino”, adianta o coordenador. Todas as despesas com transporte dos sem-terra serão cobertas pelo MST. (O Globo – 01/08/03)
O governo criou um
grupo de trabalho para discutir a política de cotas para negros
em universidades, formado por órgãos como o Ministério
da Educação, da Justiça, Casa Civil, Secretaria Especial
dos Direitos Humanos, Secretaria Especial para os Direitos da Mulher e
Secretaria de Promoção da Igualdade Racial. (Último Segundo – 01/08/03) |
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