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Pelo menos 17 dos 32 professores dos cursos de jornalismo e rádio e televisão da faculdade Cásper Líbero entregam hoje (01/09) à direção da instituição um pedido de demissão coletiva. Leia mais:
Algo de novo chega à universidade brasileira. Professores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) iniciaram um movimento contra o corporativismo dos sindicatos e a favor da abertura do 3.ª grau para os carentes. Leia mais:
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Pelo menos 17 dos 32 professores dos cursos de jornalismo e rádio e televisão da faculdade Cásper Líbero entregam hoje à direção da instituição um pedido de demissão coletiva. Entre os que devem deixar a faculdade estão os coordenadores dos dois cursos, Mario Vitor Santos (jornalismo) e Sérgio Rizzo (rádio e TV). (Folha Online – 01/09/03)
Algo de novo chega à universidade brasileira. Professores da UFRJ iniciaram um movimento contra o corporativismo dos sindicatos e a favor da abertura do 3.ª grau para os carentes. Ao mesmo tempo, cresce o movimento dos pré-vestibulares em comunidades populares e favelas, levando para dentro da universidade alunos pobres e dispostos a reivindicar seu espaço. Fator de ascensão social, 3.º grau atrai minoria combativa de pobres e muda caráter elitista. A universitária Juliana Santino, de 19 anos, do 6.º período do curso de Nutrição da Universidade do Rio de Janeiro (UniRio), não gostou quando uma professora disse que a alta incidência de obesidade feminina em comunidades populares se devia à "ociosidade". "Moro em uma comunidade de baixa renda e as minhas vizinhas, pelo menos, são muito trabalhadoras; não vejo ociosidade nenhuma." A professora surpreendeu-se quando Juliana disse que morava na Favela da Maré. A grande maioria dos estudantes de Nutrição na UniRio, uma universidade pública federal, vem da classe média alta e boa parte mora na zona sul, a área mais rica do Rio. Juliana é uma das centenas de pessoas de baixa renda que vêm, nos últimos anos, quebrando uma das barreiras mais básicas da desigualdade social brasileira: o acesso à universidade. Ela trilhou o caminho árduo dos cursos pré-vestibulares em favelas e comunidades populares, nos quais milhares de jovens pobres já empenharam energia para tentar chegar ao 3.º grau - comprovadamente, a forma mais segura e comum de ascensão social no Brasil. O ganho extra de renda que um brasileiro obtém, em média, por fazer quatro anos do 3.º grau é dez vezes maior do que o obtido nos quatro anos que fecham o ensino fundamental. O acesso ao 3.º grau, porém, continua a ser um privilégio dos mais ricos. Em 2001, entre os 50% mais pobres da população, só 8% dos jovens em idade de freqüentar a universidade estavam no 3.º grau. Entre os 10% mais ricos, esse número salta para 37%. E na universidade pública 75% das vagas estão nas mãos de alunos provenientes do grupo dos 30% mais ricos. Combatividade - "A universidade pública não pode ser chamada de pública porque é excludente, muita gente fica de fora", diz Juliana. Frases como essa são comuns entre estudantes, professores e coordenadores do movimento de pré-vestibulares em comunidades populares. Para a pequena, mas combativa, parcela da população carente que começa a perceber a importância do 3.º grau, o problema da universidade parece se resumir a uma palavra: acesso. Os cursos pré-vestibulares para comunidades pobres obviamente não resolverão um problema de natureza estrutural como a elitização do 3.º grau. Por outro lado, as levas de estudantes de baixa renda que começam a ingressar nas universidades podem se tornar aliadas dos professores e alunos que querem mudar a agenda tradicional dos sindicatos, que consideram corporativa (ver texto abaixo) e com pouco ou nenhum efeito prático sobre o problema de expansão do acesso. Muitos dos pobres que estão entrando nas universidades graças ao chamado "pré-vestibular comunitário" continuam engajados no movimento. "O 'pré' comunitário coloca a pessoa na universidade não apenas para estar lá, mas também para lutar pela igualdade", diz Douglas Pego, de 20 anos, aluno e coordenador do pré-vestibular da Favela de Jacarezinho, no Rio. Desde 1975 há registro de cursos para viabilizar o acesso de negros e pobres às universidades, mas foi nos anos 90 que o movimento ganhou força. Em 1993 e 1994, surgiram e se fortaleceram duas das principais organizações no Rio, o Pré-Vestibular para Negros e Carentes e o Educafro. O componente racial no movimento é forte e existem muitos defensores de cotas sociais e raciais, embora, especialmente no segundo caso, ainda haja muita polêmica. Hoje, o Brasil tem cerca de 500 pré-vestibulares comunitários, com o Rio na frente, seguido por São Paulo. Preconceitos - A rotina dos alunos dos pré-vestibulares comunitários envolve criatividade e energia para conciliar estudo, trabalho e as dificuldades típicas das pessoas mais pobres. "Os alunos chegam cansados, com sono, têm problemas em casa, no emprego, às vezes têm de fugir do trabalho para vir para a aula", diz Orlando Araújo, professor de matemática do pré-vestibular do Jacarezinho. Mas ele considera o que faz gratificante justamente por isso: "Aqui, ele estão brigando por esta oportunidade." Quando chegam às universidades, públicas e privadas, os pobres deparam com um mundo que não foi projetado para eles e no qual muitas vezes têm de se impor. Jocelene Ignacio, formada em Serviço Social pela PUC-Rio (uma das universidades privadas com o maior programa de concessão de bolsas integrais para alunos de baixa renda), lembra-se de quando uma professora usou a expressão "igual a uma neguinha abusada debaixo da linha do trem" para se referir à forma mal-educada com que foi tratada por um paciente. Jocelene estrilou, brigou e a professora acabou pedindo desculpas. Os problemas dos alunos oriundos de pré-vestibulares comunitários eram muitos, ela se recorda. Um dos principais era que os preços da alimentação, do material escolar e até do xerox eram calibrados para os jovens abastados da zona sul. "Tive uma colega que chegou a desmaiar de fome." Ela se recorda de outra briga, com um estudante que resolveu fazer piadinhas sobre o grande consumo de biscoitos pelo grupo de baixa renda: "Era o mais barato para comer", diz Jocelene. E acrescenta: "O pré-vestibular vai além de inserir o aluno na universidade. Ele prepara a gente também para os conflitos, que certamente acontecerão, e para mostrar para as pessoas que a gente está lá não por favor, mas por uma questão de direito." (O Estado de S. Paulo – 31/08/03)
Criticar o corporativismo dos sindicatos de professores universitários já não é monopólio de economistas liberais ou do governo quando enfrenta as freqüentes e longas greves do setor. Agora, a acusação começa a partir de alguns professores que acham que a atuação sindical está agravando a crise da universidade pública brasileira, cronicamente envolta em problemas financeiros, greves e insatisfação de mestres, alunos e funcionários. O momento emblemático dessa briga ocorreu no dia 12, quando, em uma assembléia da Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Adufrj), a proposta de encerrar imediatamente a greve contra a reforma da Previdência foi vitoriosa, por 77 votos contra 75. "Esse episódio representou um ponto de inflexão e foi totalmente inesperado", diz Giuseppe Cocco, professor de Serviço Social da UFRJ. Cocco, Ivana Bentes, professora de comunicação social, e Tatiana Roque, professora de matemática, lideraram um movimento que acabou levando a UFRJ a sair da greve contra a reforma. A ação envolveu o uso intensivo da internet, com o envio de mensagens e a participação em listas de discussão, e um abaixo-assinado com cerca de 200 adesões, incluindo a de alguns acadêmicos de renome como o antropólogo Gilberto Velho e o historiador José Murilo de Carvalho. Ao longo de três assembléias, a ala contra a greve foi engrossando os seus votos. Mesmo derrotado nas duas primeiras, conseguiu vencer na terceira e decisiva assembléia. Cocco, Ivana e Tatiana fazem parte de um grupo que quer "definir uma nova pauta política de discussão sobre a universidade pública". O professor se diz "contra o pacto da mediocridade, que construiu uma pauta com discurso de esquerda e atitude conservadora". Hipocrisia - Para eles, porém, o maior pecado dos sindicatos e da burocracia universitária é não brigar de forma efetiva para abrir a universidade pública para a massa de brasileiros pobres que quase não tem acesso a ela. "Se o lema histórico é 'por uma universidade pública e gratuita', vamos discutir o que é público. A crítica à privatização (avanço das universidades privadas) é totalmente hipócrita, porque há uma demanda enorme de vagas que não é atendida pela universidade pública", acusa Cocco. De acordo com dados compilados pelo economista Marcelo Néri, da equipe do Censo de 2000, havia 843 mil alunos no 3.º grau público e 1,9 milhão no particular. A oferta de vagas nas universidades privadas tem crescido bem mais rápido. Na visão de Cocco e de suas companheiras, o instrumento da greve tem sido mal usado pelo sindicato e está agravando ainda mais a crise da universidade pública. "A greve entra em piloto automático todo ano", diz Ivana. Cocco acrescenta que elas ocorrem de forma "burocrática e inercial". Para Tatiana, "essas greves, todos os anos, estão reduzindo o número de alunos que querem entrar na universidade pública". Eles se dizem favoráveis à reforma da Previdência, mas não necessariamente a proposta pelo governo. Ainda assim, consideraram absurda a proposta dos sindicatos de parar para pressionar pela retirada do projeto do Congresso. O problema principal, para Cocco, é a atual pauta de discussão dos sindicatos: "Discutem vaga de professor, mas não vaga de aluno; discutem reposição salarial, mas não a produtividade do professor da universidade pública." Eles vêem o trabalho dos pré-vestibulares comunitários como complementar, já que o objetivo também é sacudir e abrir a universidade, especialmente a pública. Um dos participantes do grupo, chamado de "Universidade Nômade", é Alexandre do Nascimento, secretário geral do Pré-Vestibular para Negros e Carentes (PVNC). "É preciso mexer com a estrutura da universidade, obrigar o poder público a olhar a demanda popular por acesso, que está cada vez maior", diz. Desmonte - Cleusa Santos, presidente do Adufrj, o sindicato da UFRJ, nega veementemente que o movimento sindical e suas lutas se oponham à popularização da universidade pública. Diz que Cocco e o seu grupo omitem o fato de que todas as decisões foram precedidas de amplos debates, dos quais, segundo Cleusa, eles não participaram. Para a sindicalista, a reforma da Previdência faz parte de um conjunto de projetos do Banco Mundial para o Brasil e está causando um "desmonte da universidade pública", porque está levando muitos professores a anteciparem a aposentadoria. "O sindicato age como se fosse possível romper com o capital internacional e não ter uma comoção social absurda, como na Venezuela", critica Tatiana. "É incoerente defender essa posição e querer manter o valor da remuneração dos funcionários públicos." (O Estado de S. Paulo – 31/08/03)
Os professores e os funcionários das universidades federais aprovaram ontem a suspensão da greve iniciada no dia 8 de julho. Os auditores da Receita Federal também decidiram voltar ao trabalho. O fim da greve dessas categorias foi decidido numa assembléia que reuniu os dirigentes das 11 entidades de funcionários que integram a Coordenação Nacional de Servidores Federais (Cnesf). No Rio, a greve da UFRJ e da UFF já tinha sido suspensa Assembléia
reuniu 110 delegados Mas é certo que todas acompanhem a decisão e suspendam a greve ? disse Luiz Carlos Lucas. A assembléia de ontem reuniu 110 delegados de todas as entidades da Cnesf, incluindo líderes sindicais de servidores do INSS, do IBGE e de outras categorias que suspenderam as suas greves na semana passada. A maioria dos presentes decidiu pelo fim da paralisação. Na reunião de ontem, os funcionários públicos decidiram manter o estado de alerta em relação à tramitação da reforma da Previdência no Senado. Eles aprovaram uma paralisação para acontecer no dia da votação do texto no Senado, que está prevista para o fim de setembro. Com a decisão dos professores das universidades e dos auditores fiscais, praticamente acabou a greve no serviço público federal. Na semana passada, os funcionários do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e outras categorias de servidores federais já haviam suspendido a paralisação. Marcha em Brasília terminou em quebra-quebra Os servidores estavam parados em protesto contra a reforma da Previdência. No início, eles defendiam a retirada do texto da pauta de votação do Congresso Nacional, mas depois acabaram negociando alguns pontos. Insatisfeitos, os servidores organizaram uma marcha em Brasília, manifestação que acabou em quebra-quebra. Manifestantes quebraram vidraças da fachada do Congresso Nacional. (O Globo – 01/09/03) |
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