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Dados do censo do ensino superior do Ministério da Educação mostram que três instituições que nem sequer apareciam no ranking das 20 maiores universidades do país em 1991 hoje despontam como as maiores do Brasil. Leia mais
Deputados paulistas vão investigar os contratos feitos entre os órgãos públicos estaduais e as fundações de apoio à Universidade de São Paulo (USP). "Queremos saber se as secretarias estão se valendo das fundações para contratar serviços sem licitação", esclarece o deputado estadual César Callegari (PSB-SP). Leia mais
Dados do censo do ensino superior do Ministério da Educação mostram que três instituições particulares que nem sequer apareciam no ranking das 20 maiores universidades do país em 1991 hoje despontam como as maiores do Brasil. São verdadeiros conglomerados de ensino surgidos em menos de um década. No início da década de 90, quase ninguém ouvia falar da Unip (Universidade Paulista), da Universidade Estácio de Sá e da Ulbra (Universidade Luterana Brasileira). Segundo o censo de 2000, elas agora ocupam o primeiro, o terceiro e o quarto lugar, respectivamente, em número de alunos de graduação do país. A USP (Universidade de São Paulo) ficou em segundo lugar. A Unip, do empresário João Carlos Di Gênio, sediada em São Paulo, que já era a maior universidade brasileira em 1999, consolidou sua liderança em 2000. A instituição tinha 66.268 alunos, quase o dobro da segunda colocada, a USP, que tinha 34.801 no ano passado. A diferença entre a Unip e a USP, que era de 12.824 alunos em 1999, passou para 31.467 em 2000. "Se a Unip é a maior universidade do país, isso decorre do fato de os campi terem sido implantados em localidades onde o colégio e o curso Objetivo encontravam-se instalados pelo menos dez anos antes", afirma Di Genio, que é dono também do grupo Objetivo. "Se o colégio Objetivo é o maior do Brasil, é natural que a Unip seja a maior universidade." O segundo lugar da USP no ranking em 2000 já pode ser considerado coisa do passado, a julgar pelo apetite feroz de crescimento da Universidade Estácio de Sá, do juiz aposentado João Uchôa Cavalcantti Netto, com sede no Rio. A instituição tinha 23.587 alunos em 1999. Em 2000, deu o impressionante salto de 41,6%, chegando a 34.005 alunos matriculados em cursos de graduação. A instituição informa que, neste ano, já está próxima dos 60 mil estudantes na graduação, sem contar 10 mil alunos de cursos sequenciais, de curta duração. A Estácio, que era a oitava maior do Brasil e a segunda do Rio de Janeiro em 1999, chegou ao terceiro posto entre as maiores. Já deixou para trás a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a maior universidade federal do país, que tem 29.015 alunos e era, até 1999, a maior do Rio. Próxima da Estácio de Sá em número de alunos e ainda com planos de crescer mais está a Ulbra, com sede no Rio Grande do Sul, mantida pela Comunidade Evangélica Luterana São Paulo. O crescimento de 1999 para 2000 da Ulbra foi de 27,6%. No ano passado, ela chegou a 31.192 alunos na graduação, se consolidando como a maior universidade daquele Estado. Até 2005, a instituição espera ter 80 mil alunos na graduação. No caso da Estácio e da Unip, pode-se dizer, com base nos resultados do provão, que a maioria dos cursos das duas instituições têm nível médio. Na Unip, 56% dos conceitos no exame desde 1996 foram C, enquanto na Estácio essa porcentagem é de 65,5%. Na Unip, a porcentagem de cursos com bons conceitos (A ou B, os melhores) é de 22%, a mesma de cursos com os piores (D ou E). A Estácio tem 23% de cursos com A ou B e 11,5% com D ou E. Na comparação com as duas instituições do eixo Rio-São Paulo, a gaúcha Ulbra tem desempenho superior: 48,6% de cursos com A e B, 33,3% com C e 18% com D ou E. As três instituições privadas têm desempenho no provão inferior ao da USP, que ainda é, oficialmente, a segunda maior universidade do país em número de alunos na graduação. O crescimento registrado nessas instituições não é um fator isolado. Os dados do Censo do Ensino Superior 2000 do MEC mostram, mais uma vez, que as matrículas em cursos de graduação cresceram principalmente por causa de instituições particulares. A taxa de crescimento de alunos nessas instituições foi de 17,5% de 1999 para 2000. Entre as federais, o aumento foi de 9,1%, enquanto as estaduais apresentaram taxa de 9,8%. Na média, as matrículas em cursos de graduação cresceram 14% nesse período, o maior crescimento registrado na década. Um dos fatores que explica o aumento na procura é a expansão do ensino médio. De 1996 a 2001, esse nível de ensino teve crescimento de 46,7% nas matrículas em todo o Brasil. (Folha de S. Paulo)
O juiz aposentado João Uchôa Cavalcanti Netto, 68, raramente dá entrevistas. A julgar pela repercussão negativa da última, publicada neste mês no jornal carioca "Folha Dirigida", a decisão é mais do que acertada. Suas declarações repercutiram tão mal entre especialistas do MEC e a comunidade acadêmica e científica que há quem esteja trabalhando para convencer os integrantes do Conselho Nacional de Educação a cobrar explicações do fundador da Universidade Estácio de Sá. Na entrevista, ao ser questionado sobre a razão de as universidades privadas não se destacarem em pesquisa, ele respondeu: "As pesquisas não valem nada. A gente olha todo mundo fazendo tese, pesquisa e tal, mas não tem nenhuma sendo aproveitada. É uma inutilidade pomposa, é uma perda de tempo federal. As faculdades não fazem pesquisa porque não querem jogar dinheiro fora". Ressalva que a Estácio faz só pesquisa útil, "que pode ser aproveitada pelo homem comum". Em outro ponto, Uchôa afirma não ser "uma pessoa muito interessada em educação". Diz: "Eu sou interessado na Estácio de Sá, isso é que importa. Estou interessado no Brasil? Não. Na cidadania? Também não. Na solidariedade? Também não. Estou interessado na Estácio de Sá... uma instituição que quer dar o melhor ensino possível às pessoas". Cita o banqueiro Amador Aguiar (fundador do Bradesco, morto em 1991) como exemplo de que a educação nem sempre é importante. "A pessoa pode ser analfabeta e ser muito expressiva, inteligente, bem-sucedida. Pode ser um pós-graduado e ser uma besta completa. Não acho que seja necessário esse estudo todo. A educação mínima ofertada faz falta, mas não para todos. Trabalhei com o Amador Aguiar, que fez o Bradesco e não tinha o segundo grau. Para ele, não fez falta." Diz ainda que estudar deve ser uma opção: "Se você chega ao Nordeste, em certas regiões, tem um menino trabalhando com 12 anos... aí vem o cara com a educação e diz que ele tem que ir para o colégio. Não tem que ir para o colégio, não. Ele pode não ir e estar muito bem". A Folha entrou em contato com Uchôa para que explicasse melhor suas posições, mas o empresário disse que preferia não falar. A Estácio provoca polêmica entre seus concorrentes desde que iniciou seu processo de crescimento. A instituição é acusada de oferecer cursos baratos (algumas mensalidades inferiores a R$ 150) para acabar com a concorrência. Outra acusação é a de colocar espiões que vão aos campi da concorrência para oferecer descontos para alunos se transferirem. O diretor de integração social da Estácio, Marcelo Campos, nega a acusação. "Oferecemos cursos baratos sem perda de qualidade. A acusação de que colocamos espiões para tirar alunos de outras universidades é falsa. Nós é que fomos vítimas dessa prática", diz. Campos afirma que a Estácio cresceu graças a seu pioneirismo. "Foi a natureza que levou a gente. Estamos crescendo com solidez, por causa da demanda e de oportunidades. Colocamos o preço e a qualidade sempre em primeiro lugar. Nosso crescimento no futuro vai acontecer por causa de nossa competência", diz Campos. A universidade é reconhecida pelo seu projeto de marketing agressivo. Uma das estratégias mais bem-sucedidas é a oferta de cursos gratuitos de curta duração. Para um mês de aula, é cobrada uma taxa de R$ 15 para o certificado. Dessa maneira, a instituição consegue cadastrar alunos interessados em estudar na Estácio. Outra característica da Estácio é o crescimento em campi espalhados pelo Estado do Rio. São 30 ao todo. A instituição costuma fazer convênios com colégios e adapta os espaços para oferecer seus cursos. Há instalações da Estácio até dentro de parques de diversão, como o Terra Encantada, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio). (Folha de S. Paulo)
João Carlos di Genio, 62, dono da Unip, é citado pelos amigos como um educador que, com seu toque de Midas e pensamento inovador, transformou um curso pré-vestibular montado há 35 anos no bairro da Liberdade, em São Paulo, no maior complexo educacional do país. Para os inimigos, é um empresário que teria usado sua ligação com pessoas no poder para obter benefícios e prejudicar a concorrência, chegando a interferir, por exemplo, em decisões recentes do CNE (Conselho Nacional de Educação) a favor da Unip. Yugo Okida, sócio de Di Genio e vice-reitor da Unip, é conselheiro do CNE. Di Genio nunca escondeu as amizades com políticos influentes. Era amigo do deputado Ulysses Guimarães, foi padrinho de casamento de duas filhas do deputado Luís Eduardo Magalhães e tem ótimas relações com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães, estreitadas, segundo ele, após a morte de Luís Eduardo. Ele também é lembrado por parlamentares por ter dado emprego a perseguidos pelo regime militar. Segundo o empresário, seu envolvimento com Ulysses se intensificou quando um dos netos do então deputado tornou-se aluno de uma das escolas de Di Genio. "Quando se fala em ligação política, alguns se esquecem de que os políticos também têm família, filhos que estudam, e assim por diante. O deputado Luís Eduardo Magalhães também tinha um filho em nossa escola", afirmou Di Genio. Ele ressaltou que nunca se aproveitou de sua ligação com políticos para obter benefícios para suas escolas. Não é o que pensam seus adversários. Depois de uma decisão do Conselho Nacional de Educação que vetou a instalação de um campus da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) em Osasco (região metropolitana de São Paulo), esta universidade acusou Di Genio de ter usado sua influência no conselho para impedir a concorrência. Mais tarde, a Uniban acabou conseguindo na Justiça autorização para que o campus de Osasco pudesse funcionar. O dono da Unip nega as acusações. Primeiro, afirma que a Unip nunca foi concorrente da Uniban. Segundo, diz que as decisões do conselho contra a Uniban foram tomadas por unanimidade e propostas pela ex-conselheira Eunice Durham, e não por Okida. Por último, afirma que seu vice-reitor integra o CNE por ter sido indicado por nove instituições. Entre elas está a Anup (Associação Nacional de Universidades Particulares), mas a maioria não é ligada ao ensino particular. O império educacional de Di Genio teve início há 35 anos, quando ele e três sócios (Drauzio Varella, Tadasi Ito e Roger Patti) abriram um curso de preparação para o vestibular de medicina. Seu pai, o italiano Carmine di Genio, foi contra a idéia, pois preferia o filho seguindo a carreira de cientista na área médica. O cursinho deu impulso ao crescimento da rede de escolas Objetivo. A partir dessa base, segundo o empresário, ficou mais fácil montar, em pouco tempo, a maior universidade do país. "Os campi da Unip foram sempre criados em locais em que o colégio e o curso já estavam instalados havia pelo menos dez anos. Os pais, com receio de que seus filhos fossem estudar em outras cidades, acabaram nos incentivando a instalar os novos campi." O próximo censo do Ministério da Educação, referente às matrículas de 2001, deve mostrar um crescimento ainda maior da Unip. Segundo Di Genio, a universidade chegou neste ano a 78 mil alunos na graduação e cerca de 4.000 professores, o que dá uma média de 19,5 alunos por professor. Pelo censo de 2000, a universidade tinha 66.268 estudantes no ano passado. Ele afirma, no entanto, que não há previsão de mais crescimento. "Abrir mais vagas, no ensino superior particular, para alunos que são oriundos em grande parte de escolas públicas e não têm recursos para pagar mensalidades somente se justifica se houver aumento substancial no número de estudantes com financiamento", diz. O preço médio das mensalidades da Unip é R$ 500. Segundo o empresário, o ensino superior privado já não é mais tão lucrativo quanto se pensa: "Acredito que 2002 será um ano muito difícil para as instituições de ensino superior de modo geral, devido à enorme competitividade decorrente da abertura de novas faculdades, ao aumento de 50% das vagas nas faculdades já existentes e ao crescimento vertiginoso da inadimplência", afirma. (Folha de S. Paulo)
A Ulbra (Universidade Luterana do Brasil) não tem um dono, mas seu crescimento se deve principalmente ao trabalho do reitor e pastor Ruben Eugen Becker, 65. É mantida pela comunidade evangélica luterana de São Paulo de Canoas, no Rio Grande do Sul. Essa comunidade é ligada à Igreja Evangélica Luterana do Brasil, que segue a linha do trabalho missionário desenvolvido por protestantes de Ohio (EUA). Becker começou a vida como carpinteiro e se formou em teologia. Avesso a entrevistas, um de seus hobbies é colecionar carros raros para montar na Ulbra um museu do automóvel. Já comprou veículos que foram do comediante Oscarito e de Ayrton Senna. Desde que a Ulbra virou universidade, em 1989, é ele que tem cobrado, com rigor, metas de crescimento que prevêem 80 mil alunos na graduação em 2005. Para isso, a universidade prevê a construção de dois hospitais, um prédio para abrigar 5.000 alunos, uma biblioteca de 35 mil m2, uma vila olímpica e até um hotel para abrigar alunos, com 350 quartos. A Ulbra divulgou seu nome no país graças a um forte departamento esportivo, financiando atletas e mantendo equipes de ponta em vôlei e futebol de salão. A mantenedora administra ainda um complexo hospitalar, um plano de saúde e rádios no Estado. Sua sede fica em Canoas (Grande Porto Alegre), mas há campi em outras seis cidades do Estado. "A Ulbra se solidificou com um perfil de aluno de classes altas, mas está ampliando esse perfil. Criamos programas para conceder mais bolsas de estudo, oferecemos cursos de licenciatura para professores que precisam se qualificar, mas só podem estudar nos finais de semana", diz Sirlei Gomes, pró-reitora de assistência ao estudante. As mensalidades variam de R$ 268 (cursos de licenciatura) a R$ 1.451 (de medicina). (Folha de S. Paulo)
O bancário Carlos Alberto da Silveira, 48, retomou seus estudos de economia, interrompidos por duas vezes, devido ao projeto ""Ulbra Gerações", promovido pela Universidade Luterana do Brasil, em Canoas (RS). Fazia 20 anos que Silveira largara a faculdade. Primeiro, o bancário entrou na PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica). Depois, na Universidade Federal de Santa Maria. Os estudos foram interrompidos devido a transferências no Banco do Brasil. Para entrar na Ulbra, fez só duas provas: de português e de redação. O projeto permite essa facilidade a quem tem mais de 35 anos. ""Acredito que seja bom também para a própria universidade, que aumenta o número de alunos. Como fiquei afastado por muito tempo, seria difícil voltar pelo vestibular. Para a universidade, eu e meus colegas da mesma faixa etária passamos maturidade aos mais jovens", afirma. O bancário está há dois anos na Ulbra. Faltam dois semestres para sua formatura e, com isso, pretende tornar-se gerente-geral na sua agência. Pelas três cadeiras que está cursando, Silveira paga R$ 330 (R$ 110 cada). É o mesmo valor que pagaria um egresso do vestibular convencional. A oportunidade levou Carlos Alberto Góes, 52, a se mudar, seis anos atrás, do Rio para Porto Alegre. Surdo, achou na universidade a possibilidade de ter atendimento especializado para sua deficiência. Ingressou também pelo ""Ulbra Gerações" e estuda Serviço Social. Seus dois filhos, que também têm deficiência auditiva, saíram de escolas especiais para os cursos de Engenharia Mecânica e Letras da Ulbra. (Folha de S. Paulo)
Enquanto muitos alunos ficam anos nos cursinhos em busca de uma vaga nas universidades públicas, outros preferem partir logo para uma faculdade particular, onde os cursos são menos concorridos. É o caso de Mariana Ormezano, 18, aluna do primeiro ano de farmácia e bioquímica da Unip (Universidade Paulista). Mesmo após ter estudado em colégios particulares, ela não se sentiu segura para fazer vestibular para uma universidade pública. "Achei que não ia passar. Além disso, o nome da faculdade não importa. Quem faz o curso é o aluno e não a faculdade", diz. O estudante do quarto ano de engenharia de produção da Unip Cairu Cristiano Barros, 24, também não se sentia preparado para prestar vestibulares concorridos e temia em apenas perder tempo. Barros acredita ter a mesma qualidade de ensino oferecida em uma universidade pública. Ele elogia os professores do curso, mas critica as instalações. "Faltam computadores nos laboratórios e isso prejudica o aprendizado." André Florentino, 25, do quinto ano de engenharia mecânica, também não prestou vestibular para universidades públicas e chegou a interromper o curso na Unip por não ter como pagá-lo (Folha de S. Paulo)
O crescimento do ensino superior particular já provocou crises no CNE (Conselho Nacional de Educação), órgão que até o meio deste ano era responsável, junto com o MEC, por autorizar a abertura de novas instituições e pela transformação de faculdades em universidades, que têm mais autonomia para abrir novos cursos. A primeira crise ocorreu em 97 e provocou a saída do filósofo José Arthur Giannotti, que discordou da decisão de autorizar a transformação da Faculdade Anhembi Morumbi em universidade. Para ele, a escola não tinha na época capacidade de produzir pesquisa. Sua substituta, a antropóloga Eunice Ribeiro Durham, desligou-se do conselho, em julho deste ano, criticando a política do MEC de expansão do ensino privado. Ela discordava das críticas que o CNE recebia de favorecimento às instituições privadas. Eunice não concordou com as mudanças na legislação feitas por Paulo Renato Souza, ministro da Educação, que centralizavam mais o poder de autorização e fechamento de cursos no MEC. Para Eunice, "tem havido um crescimento desmesurado do sistema privado de ensino superior, que ameaça a credibilidade do sistema porque desequilibra a proporção público e privado". A antropóloga cobrou do MEC uma defesa mais enérgica do CNE, que desde o ano passado vinha sendo acusado de favorecer alguns grupos particulares, como Unip e Estácio de Sá. As duas instituições têm conselheiros ligados direta ou indiretamente a elas. Yugo Okida, vice-reitor da Unip, foi indicado por nove entidades e foi reconduzido ao cargo no ano passado. Lauro Zimmer, ex-reitor da Estácio de Sá, foi indicado por 11 entidades e também foi reconduzido. O ministro Paulo Renato se contrapõe às críticas afirmando que o aumento nas matrículas se dá sem perda da qualidade e com o controle feito pela avaliação do provão e pelas visitas de especialistas que avaliam a infra-estrutura, projeto pedagógico e corpo docente dos cursos. Segundo ele, expandir o sistema universitário é uma necessidade do Brasil e o crescimento das escolas particulares ajuda a tornar o ensino superior menos elitista. (Folha de S. Paulo)
Deputados paulistas vão investigar os contratos feitos entre os órgãos públicos estaduais e as fundações de apoio à Universidade de São Paulo (USP). A idéia surgiu depois de uma audiência pública realizada na Assembléia Legislativam, na qual foram apresentadas informações e cifras de projetos contratados principalmente por secretarias de Estado. "Queremos saber se as secretarias estão se valendo das fundações para contratar serviços sem licitação", esclarece o deputado estadual César Callegari (PSB). A investigação é necessária, segundo o deputado, porque é impossível saber detalhes dos convênios feitos por essas fundações. Na USP, o assunto é visto com distanciamento. "São entidades de direito privado, distintas da USP, e os contratos entre elas e qualquer outro órgão, que não seja a universidade, não são do nosso conhecimento", afirma o procurador-chefe da USP, João Alberto Del Nero. Entre os números apresentados na Assembléia estão levantamentos feitos pela Associação dos Docentes da USP (Adusp) mostrando que a Secretaria do Estado da Educação fechou dez contratos entre os anos 2000 e 2001, no valor total de cerca de R$ 30 milhões, com fundações que atuam na universidade. Segundo a lei federal n.º 8.666, são dispensáveis do processo de licitação instituições nacionais sem fins lucrativos, que se destinem à pesquisa, ao ensino e ao desenvolvimento científico e que tenham "inquestionável reputação ético-profissional". Para a secretária da Educação, Rose Neubauer, as fundações de apoio à USP se encaixam exatamente nesse perfil. "São fundações historicamente conhecidas, que prestam serviços de muita qualidade e competência na área delas", afirma. "Não posso imaginar que tenham profissionais melhores do que os da USP." Os coordenadores dos projetos das fundações são sempre professores da unversidade, mas as fundações ainda podem fazer outras contratações sem qualquer burocracia. Para o deputado Callegari, esse é outro problema. "Tenho a suspeita de que as fundações contratam empresas a pedido dos órgãos públicos e assim essas empresas não precisam passar por licitação." O maior contrato da secretaria com fundações, de cerca de R$ 12 milhões, foi feito no ano passado e renovado este ano com a Fundação Vanzolini, ligada à Escola Politécnica da USP. A secretária Rose considera absurda a acusação do deputado. "Priorizamos professores do departamento de engenharia de produção na coordenação e execução dos projetos. Só contratamos fornecedores para serviços especializados ou quando o volume de trabalho não pode ser totalmente assumido pela equipe", disse o diretor presidente da fundação, Afonso Fleury. A Vanzolini está organizando um projeto de formação de professores da rede. Outros contratos da secretaria são ligados a áreas de informática, saúde e consultoria. "A nossa política é a de fazer os trabalhos com nossos próprios técnicos", acrescenta o diretor da Fundação Instituto de Administração (FIA), James Wrigth. A questão chamou a atenção dos deputados depois da polêmica que surgiu na USP em torno da atuação das cerca de 30 fundações. Elas foram criadas com o objetivo de captar recursos externos para a universidade, fazendo pesquisas, projetos e oferecendo cursos de extensão. Em alguns setores da universidade há dúvidas se parte do dinheiro recebido é mesmo repassado para a USP. Protestos de grupos de estudantes, que exigem mais debate sobre o tema, conseguiram adiar uma votação na reitoria, em setembro, de um projeto que pretendia impor algum controle sobre as fundações (O Estado de S. Paulo)
O diretor da Fundação Instituto de Administração (FIA), James Wright, considera os projetos feitos com órgãos públicos uma contribuição social fundamental. A fundação gerencia todo o sistema de computadores da rede estadual de educação em 40 mil escolas. Pelo contrato feito este ano, com duração de 10 meses, a FIA receberá exatos R$ 834.562. A Fundação Instituto e Pesquisas Contábeis, Atuárias e Financeiras (Fipecafi) é atualmente a responsável pela distribuição de livros didáticos da secretaria, que atinge 9.900 escolas. O contrato é de quase R$ 4 milhões pelo trabalho. "É um projeto de vital importância e interesse público", diz o diretor vice-presidente da fundação, Reinaldo Guerreiro. "Nunca mais tivemos problemas de os alunos chegarem em fevereiro e os livros, em maio", afirma a secretária da Educação, Rose Neubauer. O projeto Parceiros do Futuro, que abriu à comunidade 116 escolas estaduais durante os fins de semana, é feito pela Fundação Faculdade de Medicina (FFM). "Para qualquer projeto na área de sáude escolar, eu tenho muito mais segurança em contratar a FFM do que em realizar uma licitação e acabar fazendo o trabalho com algumas instituições que temos dificuldade de avaliar a qualidade", diz Rose. "Essas fundações são entidades privadas que estão sendo mantidas por recursos vindos de órgãos públicos", rebate o vice-presidente da Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp), Osvaldo Coggiola, crítico das fundações. De acordo com Wright, atualmente cerca de metade dos projetos da FIA é feita para órgãos como secretarias do Meio Ambiente e da Educação, Sabesp, Tribunal de Contas do Estado, entre outros. Na Fipecafi, dos 17 contratos fechados este ano, 9 estão relacionados com o setor público. Já na Vanzolini, só 10% dos trabalhos não são realizados para empresas privadas. Segundo a secretária Rose, os contratos fechados com as fundações representam menos de 1% do dinheiro gasto com projetos na secretaria. (O Estado de S. Paulo)
O governo deve enviar hoje ao Congresso Nacional o projeto de lei que determina o reajuste dos salários dos professores universitários, para acabar com a greve da categoria. O envio da proposta aos parlamentares e a aprovação de ''urgência urgentíssima'' de tramitação na Casa foram as condições impostas pelos docentes ao Ministério da Educação (MEC) para voltar às aulas. A previsão inicial do governo era enviar o projeto na semana passada. Mas, segundo o MEC, a proposta só ficou pronta na sexta-feira, feriado na capital federal em homenagem ao Dia do Evangélico. Agora o ministério garante que a proposta será entregue sem novo atraso. A decisão final sobre o retorno às aulas só deve ocorrer amanhã, quando serão realizadas as assembléias estaduais para ratificar a decisão do comando de greve. Cerca de 90% da categoria aprovou uma decisão preliminar de retorno ao trabalho. Os estudantes vão ter de esperar até a semana que vem para para voltar às aulas. Esse é o prazo estimado pelo Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes) para a redefinição do calendário letivo, depois de mais de cem dias de paralisação. ''A volta às aulas depende das universidades. Algumas ainda vão definir os dias de retorno'', explica o presidente do Andes, Roberto Leher. O Congresso deve aprovar amanhã o regime de tramitação do projeto em urgência urgentíssima. ''Queremos aprovar o projeto na quarta-feira'', prevê o deputado federal Nelson Marchezan (PSDB-RS), relator da proposta. O regime de urgência deve ser aprovado pelo colégio de líderes para, em seguida, ser levado ao plenário. Os professores exigiram a entrega oficial da proposta porque, segundo a Andes, o governo descumpriu acordos semelhantes assumidos para o fim das três paralisações anteriores. Com a aprovação do projeto, os professores começarão a receber o reajuste salarial de 12% a 13% no contracheque de janeiro. Os deputados abriram mão de emendas ao Orçamento de 2002 para garantir a verba adicional de R$ 78 milhões destinada ao reajuste dos docentes. Um desfecho favorável aos professores ainda depende da votação do projeto de mudanças da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), que precisa ocorrer antes de outra proposta ser apreciada. A oposição está disposta a encaminhar a proposta em mais uma votação nominal, se o painel da Câmara não for liberado pela perícia a tempo. (Jornal do Brasil) |
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