|
|||||||||||||||
|
A greve em três das principais universidades estaduais do Paraná completa hoje 114 dias e não tem perspectiva de terminar tão cedo. O secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, disse ontem que o governo só encaminhará o novo Plano de Carreiras, Cargos e Salários após o fim da paralisação. Leia mais
O diretor científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), José Fernando Perez , comenta os resultados do levantamento feito pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), que mostrou que a taxa de crescimento na área de genética é superior à de física. Para ele, o processo é um movimento da própria sociedade, e não dos interesses de determinados setores. Leia mais
A greve em três das principais universidades estaduais do Paraná completa hoje 114 dias e não tem perspectiva de terminar tão cedo. O secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, disse ontem que o governo só encaminhará o novo Plano de Carreiras, Cargos e Salários com o fim da paralisação. Os 9 mil servidores das universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM) e Cascavel (Unioeste) pedem reposição salarial de 50,3%. Na UEL, só os formandos que completaram as disciplinas têm conseguido colar grau. Em Maringá e Cascavel, alguns entraram na Justiça reivindicando esse direito. Os vestibulares da UEL e da UEM foram suspensos. O Hospital Universitário de Londrina reduziu para 25% os atendimentos de pronto-socorro e 35% os de internamento. Com os menores salários entre as estaduais, os professores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) estão em greve desde 29 de outubro. Eles reivindicam reajuste de 75% e mais verbas para a instituição, que possui 12 mil alunos, 1.080 professores e 600 funcionários. "Já são 3 mil concluintes prejudicados que devem entrar na Justiça contra o governo para poder terminar os seus cursos", afirmou o professor José Cristovão de Andrade. O piso de um professor
da UEPB é de R$ 250 e o salário médio é de
R$ 800. (O Estado de S.
Paulo)
Se há mais projetos de pesquisa na área de ciências biológicas, não é por determinação das agências de fomento, mas pela própria demanda qualificada. É o que afirma o diretor científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o físico José Fernando Perez. Um levantamento feito pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e noticiado pela Folha na última quarta-feira havia mostrado que a taxa de crescimento na área de genética é superior à de física. De 1987 a 2001, enquanto o número de doutores em genética cresceu 4,5 vezes, o de físicos doutorados apenas triplicou. Perez reconhece que há um crescimento maior de interesse pelas áreas de biológicas. Mas afirma que se trata de um movimento da própria sociedade, e não dos interesses de determinados setores. "O perfil reflete a demanda", diz. "Não há demanda qualificada reprimida em projetos de pesquisa entre os cientistas atendidos pela Fapesp." "Sem dúvida, a área de ciências biológicas é a mais competitiva no momento", diz Perez, apontando dados como a maior relação de candidatos por vaga e maior nota de corte em vestibulares nas carreiras em ciências biológicas, em comparação com a física. "E não é só por causa da genômica. Há programas, como o Biota [que mobiliza 400 doutores para levantamento da biodiversidade no Estado de São Paulo", que são bastante ambiciosos." Para a Fapesp, isso não quer dizer que projetos ambiciosos em outras áreas estejam sendo negligenciados. Estariam apenas sendo apresentados pela comunidade científica com menos frequência, segundo Perez. "Eu desafio alguém a chegar para mim e dizer [que apresentou" um belo projeto de física e a Fapesp rejeitou", diz. A mesma leitura é feita pelos órgãos federais. "Não é que o investimento em física tenha diminuído", diz Albanita Viana de Oliveira, diretora de programas temáticos do CNPq, "é a área de biotecnologia que estava defasada e precisava de investimento." Para ela, o crescimento da pesquisa em áreas biológicas com verbas federais aconteceu por uma decisão política do Ministério da Ciência e Tecnologia de ter um programa de biotecnologia. "Mas isso não atrapalhou outras áreas, porque entrou dinheiro novo, como o dos fundos setoriais." A Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) está prometendo distribuir mais recursos por pesquisador que a Fapesp, atual líder entre as instituições estaduais, em 2002. Embora no total a Fapesp vá repassar R$ 230 milhões aos pesquisadores que ela atende, R$ 110 milhões a mais que sua equivalente fluminense, na divisão pelo número de pesquisadores, o número da Faperj fica maior: R$ 14.008,87 por cientista, contra R$ 13.881,34. Esses são os números levantados pelo CNPq, mas a própria Faperj prevê uma diferença ainda maior. A fundação pretende investir no ano de 2002 um montante de R$ 162 milhões. Perez vê com bons olhos a ascensão da Faperj. "É uma ótima notícia se for verdadeira", afirma. Ele diz que a maior oferta de recursos em outras partes do país, por instituições regionais, pode proporcionar alívio na distribuição das verbas federais. (Folha de S. Paulo) |
|
|||||||||||||