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A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) lançou ontem (07/05) o Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo 2001. Os dados abrangem pesquisas científicas, inovação tecnológica, investmentos, educação superior entre outros. Leia mais
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) lançou ontem o Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo - 2001, uma alentada edição de 500 páginas com números e análises sobre o desenvolvimento científico no Estado. Os dados abrangem pesquisa científica, inovação tecnológica, educação, formação de recursos humanos, investimentos, balança comercial e impacto social e econômico da ciência e tecnologia. São tantas informações, em tópicos diferentes, que não é possível chegar a uma conclusão única. "O Brasil continua um país complicado, complexo, como sempre foi, com elementos de avanço e regressão", resume João Furtado, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), participante da equipe de mais de 40 pessoas que elaborou o estudo. "Não cabe em uma frase." Como em qualquer estatística, o importante é a interpretação da informação. Além dos dados, o livro inclui extensas análises sobre o que representam. Ao discutir os números de matrícula em escolas e universidades, discute-se a taxa média de crescimento anual da população e desigualdades referentes a cor, gênero e região domiciliar. Entre os destaques, nota-se que a "rede de universidades federais tem sido o carro-chefe da expansão da pós-graduação no País". O número de cursos de mestrado aumentou cerca de 40% entre 1989 e 1998, e o de doutorados, mais de 60%. Em São Paulo, houve crescimento de 24% e 36%, respectivamente. Os investimentos nacionais em pesquisa e desenvolvimento chegaram, em 1999, a 0,87% do Produto Interno Bruto (PIB), nível próximo de países como Itália e Espanha, mas bastante reduzido frente ao Japão, que destina 3,1% de seu PIB para a área, Estados Unidos (2,7%) e Alemanha (2,3%). Está longe da Coréia do Sul (2,5%), que há poucos anos se equiparava ao Brasil em termos de desenvolvimento econômico. Os dados coletados pela Fapesp mostram que São Paulo responde por 65% das patentes registradas em nome de brasileiros. E que cerca de 85% das patentes concedidas na década de 1990 no País foram para não-residentes. A única empresa verde-amarela a figurar entre os 20 principais depositantes de patentes de invenção, entre 1992 e 1998, é a Petrobrás. Apesar de baseado na produção paulista, o livro faz comparações com estatísticas nacionais e de outros países. "É a primeira vez que são mostrados indicadores em contexto, que são colocados números para trabalhar, para saber o que nos dizem da realidade brasileira", diz Sandra Brisolla, coordenadora executiva do projeto e professora do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "Nossa maior carência é que não temos estatísticas tão elaboradas", afirma Sandra. A Fapesp lançou o primeiro volume dos indicadores em 1998, com dados que iam até 1995. A edição atual chega até 1999. O trabalho de coleta, análise e coordenação dos dados levou dois anos. A fundação montou um centro de informações para cuidar das estatísticas. A Anpei, associação que reúne empresas interessadas em desenvolvimento tecnológico, publica anualmente um estudo com informações sobre os investimentos feitos por essas empresas. O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) editou, em setembro, o Livro Verde, que reunia alguns dados de todo o País e que foi usado como base para as discussões durante a Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. O livro será doado para instituições de ensino e pesquisa, gestores de ciência e tecnologia e profissionais que trabalham com essa informação. Outros interessados podem solicitar um exemplar à Fapesp. (O Estado de S. Paulo - 08/05/02)
"Ei, reitor, queremos professor." Cerca de 200 estudantes do curso de letras da Universidade de São Paulo (USP) repetem as palavras de ordem. Na manhã de ontem, eles participaram de uma passeata de protesto por causa da falta de professores e das classes lotadas. Os estudantes estão em greve desde quinta-feira. Com alguns vestidos com roupas pretas, os alunos chamaram a manifestação de O Enterro do Curso de Letras. A passeata começou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e terminou em frente da reitoria da USP. Segundo os alunos, os cursos mais ameaçados são o de japonês e o de grego. Débora Thomaz dos Santos, no segundo ano de japonês, não tem aulas há 30 dias. Já Rafael Moretti, de 19 anos, critica a situação precária que tem de enfrentar para poder aprender grego. Aluno da manhã, Moretti afirma que, no próximo ano, o curso noturno será fechado. Motivo: falta de professores. O protesto seguiu pacificamente pelas ruas da Cidade Universitária. O prédio da reitoria foi fechado para prevenir uma eventual invasão. Márcia Furtado Avanza, assessora de imprensa do reitor Adolpho José Melfi, confirma a informação de que alunos assistem a algumas aulas sentados no chão e diz que a universidade faz o que pode. "Gastamos 90% da verba somente com a folha de pagamento." E também manda seu recado: "Os alunos é que paralisaram as aulas." Na noite de segunda-feira, os professores da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, durante assembléia, decidiram apoiar a manifestação dos alunos. Hoje, às 19h, como forma de protesto, o professor de literatura brasileira José Miguel Wisnik dará uma aula pública em frente ao prédio da Gazeta, na Avenida Paulista. (Jornal da Tarde - 08/05/02)
(Último Segundo - 08/05/02) |
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