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A maior favela da América Latina será a primeira a abrigar uma universidade. A Universidade Estácio de Sá já iniciou as inscrições para o primeiro vestibular que ocorrerá em fevereiro. A instituição abriu 400 vagas distribuídas entre 4 cursos de graduação (pedagogia, letras, ciências contábeis e administração), 3 técnicos e 15 profissionalizantes. Os preços desta unidade serão mais baixos. Leia mais.
Longe das universidades públicas e sem nenhuma escola particular, a Favela da Rocinha, na zona sul, terá uma instituição privada de ensino superior a partir de fevereiro. A Universidade Estácio de Sá decidiu instalar-se na favela, em busca de novos alunos. As inscrições para as 400 vagas oferecidas este ano foram abertas ontem. Nas duas unidades que a instituição está construindo ali serão ministrados 22 cursos: 4 de graduação (pedagogia, letras, ciências contábeis e administração), 3 técnicos e 15 profissionalizantes. O vestibular está marcado para 3 de fevereiro. Em três anos, a Estácio pretende ter 3 mil moradores matriculados. No ranking elaborado pelo Estado, com base nos resultados no Exame Nacional de Cursos (Provão), a instituição ficou em 43.º lugar entre 704, ou seja, tem conceito B. "Somos a primeira universidade a instalar-se numa favela no Brasil. Nossa proposta é social, acima de tudo", afirma o diretor de marketing da Estácio, Marcelo Campos. Ele admite, porém, que a escolha da Rocinha ocorreu em razão de um "fator de mercado". Segundo ele, pesquisas constataram grande procura de moradores pelos cursos da universidade. "Adotamos a política de ter unidades próximas aos locais de trabalho e moradia dos alunos", diz. Os cursos na favela têm preços diferentes dos outros câmpus da instituição - ao todo, a Estácio tem 22 unidades no Estado. No entanto, Campos garante que o programa e os professores são os mesmos. Os cursos de graduação de pedagogia e letras, com duração de três anos e meio, custam R$ 130 por mês. Os de ciências contábeis e administração, com duração de quatro anos, saem por R$ 199. Os cursos técnicos de formação para o trabalho (análise de sistemas da computação, executivo em gestão empresarial e gerência de vendas) custam R$ 220, com período de dois anos. Os profissionalizantes (como o de maquiagem, zelador de edifícios e técnicas de massagem) duram de 30 a 60 dias e são os mais baratos: R$ 35. "Até há pessoas na favela com poder aquisitivo para pagar os cursos, mas espero que eles tenham um programa específico de bolsas de estudo para os moradores", disse a superintendente das Escolas de Horário Integral do Estado, Ângela Fernandes. Na Rocinha, não há escolas particulares de ensino médio ou fundamental. A favela tem dois colégios municipais e um estadual, o Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Ayrton Senna, com 996 alunos inscritos - 183 no ensino fundamental e 813 no ensino médio. A vendedora Jacqueline Moraes aproveitou ontem a hora do almoço para se informar sobre o curso de administração que a universidade oferece na Rocinha, onde mora. "Trabalho aqui mesmo e não tenho tempo de ir lá fora para estudar", disse. "Se o curso for aqui dentro, vai ficar mais fácil me formar." Segundo Ivens Leal, responsável pelo posto de inscrição, houve poucas inscrições ontem, mas muita gente procurou informações sobre o vestibular. Até o início da tarde, no posto situado na Estrada da Gávea, 449, só 12 pessoas haviam feito inscrição. "Como há uma lista de documentos exigidos para a inscrição, muita gente veio, informou-se e prometeu voltar", explicou Leal. "Acho que até 1.º de fevereiro isto vai lotar." O posto funciona até as 22 horas para inscrições e informações. (O Estado de S. Paulo) |
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