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Apesar de o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) ter reduzido desde 1995 o número de bolsas de mestrado e doutorado, cada vez mais estudantes começam a fazer pesquisas no curso de graduação. Em 2000, foram dadas 14.500 bolsas individuais no Brasil, com um aumento de 2,13% em relação a 1999. Leia mais
Grampos, acusações de espionagem, dossiês, suspeitas de dumping. Na busca por mais alunos, instituições não investem no ensino de qualidade e lançam mão de estratégias comuns apenas no mercado financeiro ou na concorrência entre grandes empresas. Leia mais
Segundo o coordenador do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) do CNPq, Sérgio Missiaggia, a razão pode ser o baixo valor da bolsa, que é de R$ 241. Apesar do pouco dinheiro, professores e alunos são unânimes em apontar vantagens no programa. "As bolsas são a melhor forma de incentivar uma carreira acadêmica", diz a professora doutora do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), Raquel Gleger, que atualmente orienta cinco alunos. A historiadora Sonia Troitiño, de 23 anos, fez três anos de iniciação científica e acha que essa foi a melhor maneira de conhecer técnicas de pesquisa. "É muito complicado entrar em um mestrado e começar a aprender essas coisas." "Queremos formar futuros pesquisadores", afirma Missiaggia. Segundo ele, o formando brasilero demora cerca de três anos para conseguir entrar em uma pós-graduação e acaba tornando-se doutor apenas por volta dos 40 anos. "O objetivo do CNPq é descobrir talentos jovens e acelerar o ingresso no mestrado e no doutorado." Daniele Quintella
Mendes é um exemplo disso. Ela terminou a faculdade de ciências
da computação há 4 anos, já formou-se mestre
em neurociência e aos 30 anos prepara-se para começar o doutorado.
"Posso dizer que fui moldada durante a iniciação científica",
diz. Para a professora da Escola de Comunicação e Artes
da USP, Alice Mitika, as bolsas são importantes também para
formar melhores profissionais, não apenas cientistas. "Fazer
pesquisas os torna mais críticos e criativos." (O Estado de S. Paulo)
Grampos, acusações de espionagem, dossiês, suspeitas de dumping. A disputa pelo mercado do ensino superior no Brasil não se pauta apenas pela oferta de qualidade. Na busca por mais e mais alunos, algumas instituições de ensino superior lançam mão de estratégias mais comuns no mercado financeiro ou na concorrência entre grandes grupos empresariais. No Rio de Janeiro, uma das práticas mais denunciadas pelos reitores contra seus concorrentes é a de espionagem. O principal alvo das reclamações é a Universidade Estácio de Sá, que, desde 1995, quando tinha pouco mais de 11 mil alunos, cresceu 348,1%, chegando a 50 mil alunos neste ano. "Eles (da Estácio) botam espiões dentro de cursos da concorrência e até os matriculam em outra universidade. Isso já aconteceu com a gente no curso de odontologia da minha instituição, em Niterói. O espião oferece descontos na mensalidade para quem se transferir para a Estácio. Perdi alunos por causa disso. É estratégia deles", relata Wellington Salgado de Oliveira, presidente da entidade mantenedora da Universo (Universidade Salgado de Oliveira). Oliveira não é o único a reclamar. Outros cinco reitores de instituições de ensino superior do Rio de Janeiro ouvidos pela Folha, mas que preferem não se identificar, dizem ter sido alvo da mesma prática. Um deles afirma ter gravado uma conversa telefônica entre um de seus alunos e um representante do concorrente, onde teria sido oferecida ao estudante uma bolsa integral caso ele conseguisse convencer uma turma a se transferir, ganhando bolsas de 50% da mensalidade. O autor da gravação afirma que só revelará o conteúdo das fitas na Justiça, caso decida processar o concorrente. A Folha gravou também o relato de uma aluna que se transferiu para a Estácio após um representante da instituição ter oferecido desconto na mensalidade. Segundo R., que pede para não ser identificada, a conversa aconteceu no pátio da Universidade Santa Úrsula, onde ela pagava R$ 247 por mês. Passou a pagar R$ 130 na Estácio e afirma que não se arrepende da transferência, feita no início deste ano. A Universidade Estácio de Sá, a principal acusada pelos reitores, se defende e ataca: "Nunca fizemos isso. Nós é que já fomos vítimas de instituições que tentaram, dentro dos nossos campi, tirar alunos oferecendo descontos nas mensalidades", afirma Marcelo Campos, diretor da entidade mantenedora da Estácio. Fora as acusações de espionagem de ambas as partes, outra queixa comum diz respeito aos preços abaixo da média de mercado praticados pela Estácio e pela UniverCidade (Centro Universitário da Cidade). Alguns reitores reclamam de dumping (oferta de produtos a preço abaixo do custo para conquistar mercado). A UniverCidade, por exemplo, oferece cursos de letras, turismo e pedagogia por uma mensalidade de R$ 117 em algumas de suas unidades que funcionam nas dependências de colégios das zona norte e oeste do Rio de Janeiro. Cursos de direito, administração e marketing da mesma instituição custam no período da tarde na unidade Bonsucesso (zona norte do Rio), que funciona em parceria com o Colégio Santa Mônica, R$ 153. A Universidade Estácio de Sá também oferece cursos a menos de R$ 150, como os de letras, matemática e pedagogia, que custam R$ 145. Em alguns períodos, o curso de direito custa R$ 199. A mensalidade de um dos mais caros cursos de direito do Rio de Janeiro, o da PUC, é R$ 687,73. A da Universidade Veiga de Almeida, mais em conta, é R$ 420. "Não reajustamos
a mensalidade há três anos por causa da concorrência.
Também perdemos alunos que levaram em conta apenas a mensalidade
do curso e se transferiram", afirma o reitor da Universidade Veiga
de Almeida, Mário Veiga de Almeida Júnior. O campus original
da UniverCidade fica em Ipanema (zona sul do Rio), mas a instituição
tem outros 16 campi em diferentes bairros da cidade. Três A instituição foi criada em 1982. Em 1995, antes de ganhar o título de centro universitário, tinha cerca de 8.000 matriculados em cinco campi na cidade do Rio. Em 2001, o número chegou a 25 mil estudantes, um aumento de 212,5%. (Folha OnLine)
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