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Com receio de desgaste político, os professores das escolas técnicas e das universidades federais abandonaram a idéia de só voltar em janeiro às salas de aula. O retorno ao trabalho na próxima semana foi exigido pelos líderes dos partidos no Congresso, que garantiram a aprovação do projeto de reajuste no salário-base dos professores. Não há, porém, garantia plena de aulas neste ano. Leia mais
Com receio de desgaste político, os professores das escolas técnicas e das universidades federais abandonaram a idéia de só voltar em janeiro às salas de aula. O retorno ao trabalho na próxima semana foi exigido pelos líderes dos partidos no Congresso, que anteontem garantiram a aprovação, na Câmara, do projeto de reajuste médio de 13% no salário-base dos professores. Não há, porém, garantia plena de aulas neste ano. As duas semanas que restam antes do recesso de Natal e Ano Novo, a partir do dia 21, devem ser usadas para ajuste de calendário, apresentação do conteúdo das disciplinas e matrículas. Os conselhos universitários ainda vão definir as datas dos vestibulares. "Houve um acordo com o Congresso; não seria conveniente politicamente voltar no próximo mês", afirma o professor Sérgio Koide, do curso de engenharia civil da Universidade de Brasília (UnB). Os reajustes salariais vão representar uma despesa extra de R$ 341 milhões no Orçamento da União de 2002. O Sindicato Nacional dos Docentes (Andes), que liderou a greve de 107 dias, recomendou às assembléias o retorno na segunda-feira por temer ser responsabilizado pela quebra do acordo com os parlamentares. A volta às atividades na próxima semana já foi aprovada na UnB e em federais como Rio de Janeiro (UFRJ), Pará (UFPA), Goiás (UFGO) e Mato Grosso do Sul (UFMS). O adiamento do retorno para 2002 foi defendido anteriormente pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Federal (Andifes) e pelos diretórios dos estudantes. A aluna de psicologia da UnB Carolina Quinaglia defende o retorno na segunda. Até o dia 21, segundo ela, os estudantes poderão avaliar a greve e fazer o reajuste do calendário. "As aulas mesmo só voltam em janeiro", avalia. Já a professora de biologia Elizabeth Schwartz é contrária ao retorno imediato. "Em vez de se preocupar com a opinião pública, os colegas deveriam definir o calendário com calma para entrar em janeiro em clima de normalidade." Reitor da Federal de Alagoas (UFAL), Rogério Moura Pinheiro, afirma que o prejuízo seria ainda maior se as aulas recomeçassem em 2002. "Esperamos voltar até terça. Caso contrário, vamos gastar mais 15 dias em janeiro para quebrar a inércia provocada pela greve", diz. Aluno de história da UnB, David de Oliveira quer voltar já e defende "um ensino público que me coloque na mesma condição dos japoneses, americanos e alemães no mercado globalizado". (O Estado de S. Paulo)
Das quatro federais do Rio, só a Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio), continua em greve. Na UFRJ e na Federal Fluminense (UFF), os professores decidiram, em assembléias realizadas anteontem, retornar às aulas na segunda-feira, seguindo a recomendação do Comando Nacional de Greve. Até o fim da tarde de ontem, a Universidade Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) não tinha definido a data do retorno. "Segunda-feira haverá uma nova assembléia que deve decidir pelo retorno às aulas na terça", afirmou o reitor da Uni-Rio, Pietro Novelino. "O importante é que nosso sindicato nunca votou a favor da perda do semestre ou contra o vestibular", acrescentou. A Uni-Rio tem 34 cursos de graduação, de Música a Medicina, 6 mil alunos e 600 professores. Na UFRJ, os funcionários técnicos-administrativos continuam em greve, apesar da promessa do reitor José Henrique Vilhena de que os 26,05%, referentes a perdas do Plano Verão e cortados de seus vencimentos de novembro, serão pagos até terça-feira. O Hospital Universitário Clementino Fraga Filho funcionará normalmente, pelo menos até segunda-feira, quando uma nova assembléia avaliará a greve. Ontem, 67 cirurgias foram realizadas no hospital. "Se não tivéssemos deflagrado a greve, fechado a Linha Vermelha e pressionado o governo, não teríamos sido recebidos. Agora temos que garantir que os 26% sejam incorporados em definitivo para que ninguém mais tome o que é nosso", afirmou o coordenador-geral do sindicato da categoria, Agnaldo Fernandes. (O Estado de S. Paulo)
Passada a crise, ficam os problemas. A greve das universidades federais terminou, mas o Ministério da Educação, as universidades e os professores ainda terão que se sentar à mesa para negociar questões aparentemente insolúveis. Um deles, o pagamento dos aposentados. Dos R$ 341 milhões negociados no Congresso para o reajuste dos professores, 38% irão para os inativos - percentual considerado alto por todos os lados envolvidos. Uma solução, apresentada pelo governo, já está no Congresso. A criação de uma previdência complementar para os servidores das universidades, incluindo técnicos-administrativos e professores, integra um projeto que pretende mudar todo o sistema de aposentadorias dos servidores federais. Para ganhar a aposentadoria integral, como ocorre atualmente, os servidores federais - incluindo os professores - que ingressarem no serviço público a partir da aprovação da lei terão que pagar um sistema suplementar, um fundo de pensão. A proposta ainda está sendo analisada na Câmara e não tem prazo para ser votada. Mas o governo aposta as suas fichas na aprovação. Hoje, os professores e servidores das universidades têm o mesmo desconto de 11% para a aposentadoria que os trabalhadores de qualquer empresa privada. A diferença é que, enquanto um trabalhador que se aposentada pelo INSS pode receber benefício de até 10 salários-mínimos (R$ 1.800), professores e servidores federais se aposentam com salário integral. O principal problema desta proposta é que os professores não concordam com ela. Nas negociações da greve, quando o Ministério da Educação concordou em manter a contratação de professores em regime jurídico único, foi levantada a hipótese da criação de um fundo de pensão. A idéia não agradou e as negociações não foram adiante. O presidente do Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), Roberto Leher, garante que o sindicato tem estudos mostrando que o desconto dos salários dos professores poderiam sustentar as aposentadorias sem haver déficit, desde que um plano fosse organizado daqui para a frente. - O problema é que o dinheiro descontado pelos professores para a Previdência vai para o INSS e o pagamento dos inativos é feito pelo Ministério da Educação, que sempre reclama do custo - afirma Roberto Leher. (O Globo)
A medida já está valendo, mas, para que seja colocada em prática, é preciso que sejam formadas as comissões que vão selecionar os beneficiados. As comissões devem ser paritárias, isto é, devem ter um número equivalente de representantes de cada um dos seguintes segmentos: dirigentes, alunos e professores. No caso das escolas de ensino médio e fundamental - em que, geralmente, os alunos são menores de idade - os pais devem substituir os alunos na comissão. O Ministério da Educação (MEC) estima que cerca de 150 mil jovens serão beneficiados em 1.000 instituições. A maior parte (100 mil) está no ensino superior. O diretor de universidades particulares da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gustavo Petta, elogia a medida, mas faz ressalvas em relação à fiscalização. "No início do ano que vem, vamos começar uma campanha para acompanhar se as universidades estão cumprindo a lei", afirma. Segundo o decreto, as instituições terão de enviar ao MEC e ao Ministério da Previdência e Assistência Social a relação dos bolsistas. Na opinião de Petta, é fundamental que o governo reforce as políticas de financiamento dos estudantes, pois a grande maioria dos universitários do Brasil estuda na rede particular. De acordo com o Censo do Ensino Superior do MEC, dos 2,6 milhões de alunos matriculados no ensino superior, 1,8 milhão estão na rede particular - número bem maior do que o total atendido pelo programa de Financiamento Estudantil (Fies) do MEC. Desde que foi criado, em 1999, o Fies beneficiou 130 mil estudantes. No segundo semestre deste ano, foram abertas 30 mil novas vagas, mas 115 mil jovens se inscreveram na tentativa de obter o crédito. As bolsas de estudos não podem ser incluídas na cota de alunos beneficiados pelo Fies de cada instituição. A Associação Brasileira das Universidades Comunitárias (Abruc), que congrega 34 universidades isentas do pagamento da cota patronal, não quis comentar o decreto, alegando que ainda há alguns pontos obscuros com relação à sua aplicação na prática. Mas a entidade admitiu que o impacto da medida sobre as contas das instituições deverá ser grande, pois as bolsas serão concedidas a fundo perdido, ou seja, as escolas não terão restituição do valor. (O Estado de S. Paulo)
De férias da
faculdade e com malas prontas para viajar. O destino é Buriticupu,
no interior do Maranhão. Para chegar lá, serão 7
horas de vôo até São Luís e mais 7 horas de
ônibus. Os viajantes são 52 alunos da Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo (FMUSP), todos com o mesmo propósito:
levar atendimento médico aos 50 mil habitantes do município.
Os universitários partem na quarta-feira, em mais uma expedição
anual do Projeto Bandeira Científica. "Ensinamos coisas simples, mas que fazem muita diferença na prevenção de doenças", diz Marcelo El Khouri, de 27 anos, aluno do 3.º ano de medicina. Ele também esteve na expedição do ano passado e embarca para Buriticupu. "Gosto de ensinar as pessoas a se cuidarem." Durante dez dias, os universitários vão realizar 3.500 consultas na área rural. Eles fazem o diagnóstico, prescrevem o tratamento e fornecem os medicamentos. A maior parte dos problemas de saúde é resolvida na hora. Todas as atividades são supervisionadas por 12 médicos que acompanham a expedição. Além disso, quem participa do projeto já está em treinamento desde o meio do ano. O professor responsável pelo Bandeira Científica, Carlos Eduardo Corbett, explica que o projeto permite a introdução do Programa Saúde da Família nas regiões por onde passa. Agentes de saúde voluntários são treinados - eles recebem informações básicas sobre as doenças mais comuns na região. Com a expedição, Buriticupu também ganhará um novo ambulatório. O serviço será permanente e atenderá gratuitamente a população em quatro especialidades diferentes: dermatologia, psiquiatria, pediatria e infectologia. O município já tem um núcleo modesto, mas os serviços oferecidos serão incrementados. Esse trabalho é parceria da FMUSP com a Universidade Federal do Maranhão, que também atua na região. O Projeto Bandeira Científica foi criado em 1957, mas suspenso em 1967, durante o regime militar. Ao vasculhar os arquivos do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz da FMUSP, um grupo de estudantes encontrou documentos que relatavam as viagens do extinto projeto. Entusiasmados com a experiência, procuraram professores para reativar o projeto. "Faltava esse tipo de atividade na faculdade", diz Rafael Bernardon Ribeiro, de 23 anos, aluno do 5.º ano de medicina e coordenador geral do projeto. "Precisávamos ter contato com doenças comuns." No Hospital das Clínicas, principal unidade da FMUSP que proporciona aprendizado prático, o aluno convive com as doenças mais raras e complexas. Em 1998, o Bandeira Científica foi reativado como atividade de extensão universitária. A primeira expedição levou os alunos para Cajati, no interior paulista. No ano seguinte, foi a vez de Eldorado, também em São Paulo. No ano passado, a expedição foi mais longe: Monte Negro, em Rondônia. Este ano é a vez do Maranhão. "É uma forma de devolvermos à sociedade o que ela nos dá, já que estudamos em uma universidade pública", completa Ribeiro. (O Estado de S. Paulo)
O Centro do Rio está se transformando num grande campus universitário. Instituições tradicionais como a Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) e a Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, se preparam para abrir filiais no bairro. As duas irão se juntar a outros importantes centro de ensino, como Cândido Mendes, Gama Filho, Estácio de Sá e UniverCidade, que já descobriram as vantagens de oferecer ensino superior no meio da agitação dos prédios de escritórios e de casas comerciais. ''Nosso público-alvo são pessoas que trabalham durante todo dia, mas precisam aprimorar seus conhecimentos'', explica Cláudia Santos, responsável pela implantação da Mackenzie no Rio. A instituição paulista, de 132 anos, está investindo alto no interesse carioca de se especializar perto do trabalho. Em março, abre oito salas na chique e valorizada Avenida Rio Branco para oferecer cursos de pós-graduação latu senso nas áreas de mercado financeiro (banking), finanças de empresas e direito em processo do trabalho. O mesmo perfil de estudantes fez a PUC ampliar seus domínios para longe do campus arborizado da Gávea. ''Muitos alunos saíam do trabalho e não conseguiam chegar a tempo para as aulas por causa do trânsito. Chegamos a perder 20% dos matriculados na pós-graduação'', conta Erlane Soares, responsável pela coordenação central de extensão da universidade, que já possui 600 alunos matriculados nos cursos latu senso. Se os interessados estão no Centro, as facilidades necessárias não ficam de fora. O bairro dispõe de metrô e linhas de ônibus para quase todos os pontos da cidade - o que facilita a chegada e a saída dos alunos a caminho de casa. Os horarários oferecidos pelas instituições também são atraentes para o público do bairro. Na Mackenzie as aulas vão começar às 19h. Os workholics podem estudar aos sábados de manhã ou à tarde. Para montar a grade de matérias, a Universidade Estácio de Sá - que oferece também cursos de graduação e politécnicos - fez do congestionamento um aliado. ''Os estudantes podem aproveitar a hora do rush para aprender. E quando eles deixam as salas os engarrafamentos já acabaram'', garante Marcelo Campos, diretor da Sociedade de Ensino Superior da Estácio de Sá. Os preços são altos: um curso de banking na Mackenzie com duração de 1 ano pode custar R$ 650 por mês. Mas quem chegou primeiro garante que existem estudantes dispostos a pagar. A Universidade Estácio de Sá possui quatro unidades no Centro. A última delas foi inaugurada em julho passado e a primeira em 1992. Desde então, a instituição ganhou 19 mil alunos. Em dois anos de funcionamento, a unidade da Praça Pio 10 da Cândido Mendes não tem de que reclamar: conquistou mais 400 alunos. Outros 800 preferiram se matricular na Universidade Gama Filho. Quanto a concorrência, as universidades têm a mesma opinião manifestada por Cláudia Santos: ''Quem tem qualidade se estabelece''. No Centro as dificuldades ficam por conta do espaço. A PUC levou seis meses para achar um prédio para se instalar, e a Universidade Gama Filho (UGF) oscilou entre Botafogo e Tijuca quase um ano e meio, Até se fixar na Avenida Presidente Vargas, 62. (Jornal do Brasil) |
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