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Cerca de 130 universitários de Camaçari, BA, são beneficiados com auxílio de R$ 200 por mês. Para receber a ajuda os jovens não podem ter renda superior a R$1600 e devem cumprir 20 horas semanais em trabalhos comunitários. A prefeitura prepara programa semelhante para o ensino fundamental. Segundo membros da oposição o projeto é elitista. Leia mais.
Projeto de ampliação de vagas noturnas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vai investir em segurança na Ilha da Cidade Universitária. Segundo a instituição, cerca de 7,5 mil vagas poderão ser criadas. Leia mais.
Um programa da Prefeitura de Camaçari (BA) beneficia com bolsa-auxílio de R$ 200 por mês 130 universitários matriculados em sete instituições localizadas na região metropolitana de Salvador. No entanto, nenhuma das 50 mil crianças do município matriculadas no ensino fundamental é beneficiada pelo projeto. Para receber a bolsa-auxílio, o universitário deve ter pelo menos dois anos de residência em Camaçari (41 km de Salvador) e renda familiar máxima de R$ 1.600 (o equivalente a oito salários mínimos pagos pela prefeitura). O estudante também se compromete a trabalhar 20 horas por semana em projetos comunitários da prefeitura. O programa, que existe desde o segundo semestre do ano passado, não é exclusividade dos filhos dos 3.500 servidores municipais da segunda cidade que mais arrecada no Estado -R$ 15 milhões por mês. "Qualquer universitário que preencher os requisitos pode se cadastrar porque a bolsa-auxílio é liberada automaticamente", disse o prefeito José Tude (PFL). Já os funcionários municipais que têm filhos universitários não precisam comprovar renda familiar para solicitar a bolsa-auxílio. "Todo servidor que ganha até R$ 1.600 e tem filho universitário pode pedir o benefício", diz Mirian Márcia Santos Caetano, uma das coordenadoras do projeto. Em dezembro, a prefeitura gastou R$ 26 mil com o pagamento de parte das mensalidades dos universitários. A verba é repassada às instituições pela prefeitura. "Conferimos a frequência e o histórico escolar do universitário. O aluno que for reprovado em qualquer disciplina automaticamente perde o direito à bolsa", diz a secretária municipal da Educação, Iere Fernandes Normando. A prefeitura também oferece ônibus para levar os universitários que estudam em Salvador ou na região metropolitana. Depois da aprovação da bolsa-auxílio, o universitário é obrigado a se inscrever para trabalhar em um dos programas comunitários da prefeitura -bibliotecas, postos turísticos ou mutirões. "Também temos casos de alunos beneficiados pelo programa que substituem professores em escolas municipais", disse a secretária Iere Normando. Segundo o prefeito, um projeto aprovado na Câmara de Camaçari no ano passado (José Tude foi reeleito) vai beneficiar crianças que trocaram o estudo pelo trabalho. "Já estamos fazendo o cadastramento. Há muitas crianças que deixaram de estudar para engordar o orçamento doméstico." Segundo Tude, crianças cadastradas receberão bolsa de R$ 40 por mês para voltar à escola. "Seremos criteriosos na escolha. Não dá para a prefeitura pagar uma bolsa a todos os alunos matriculados no ensino fundamental." Com 161 mil habitantes,
Camaçari é o maior parque industrial da Bahia. Além do Segundo o prefeito, a prefeitura gasta R$ 4,5 milhões por mês com o pagamento dos servidores. (Folha de S. Paulo)
Ex-prefeito de Camaçari e vereador eleito pelo PT, Luiz Carlos Caetano recorreu ao Orçamento do município para 2001 para denunciar "distorções" no projeto de bolsa-auxílio desenvolvido pela prefeitura. "No Orçamento, a prefeitura está destinando quase R$ 1,4 milhão para pagar as mensalidades dos universitários. Para os alunos do ensino fundamental, a prefeitura está destinando apenas R$ 276.500", disse o vereador. De acordo com Caetano, a prefeitura está subsidiando a "elite". "Quem passa no vestibular faz parte de uma elite. A prefeitura deve socorrer os alunos que não têm condições de estudar e não os que já percorreram o funil." Por meio de sua assessoria, o vereador Teobaldo Ribeiro da Silva Neto (PT) também faz críticas ao projeto. "O que nós queremos é ver as verbas públicas serem empregadas em prol dos mais carentes. Aqui, o prefeito promoveu uma verdadeira inversão de valores", afirmou o vereador. Segundo Teobaldo Neto, não é difícil encontrar em Camaçari filhos de pais desempregados que deixaram a escola em troca de "bicos" -trabalho informal. "O prefeito deveria colocar em prática um projeto para ajudar os mais carentes. O que ele fez foi justamente o contrário, ao sancionar um projeto que beneficia principalmente a elite." Os outros 13 vereadores de Camaçari apóiam a administração do prefeito José Tude. O vereador Teobaldo Neto disse também que a prefeitura deveria destinar uma verba específica para incentivar o estudo dos alunos matriculados em cursos profissionalizantes. "Camaçari é uma cidade industrial. As empresas sempre necessitam de uma mão-de-obra qualificada." O prefeito do município, José Tude, disse que a sua administração contribui com os estudantes matriculados em cursos profissionalizantes. "Os mais carentes recebem uma bolsa de R$ 60 por mês", afirmou. (Folha de S. Paulo)
Filha de pais separados, Patrícia Almeida, 20, começou a ser beneficiada pelo projeto dois meses depois de iniciar o curso de pedagogia na Famec (Faculdade Metropolitana de Camaçari). "Como secretária, minha mãe recebe R$ 900 por mês. Com o salário, ela sustenta a casa e não teria condições de arcar com a mensalidade do meu curso, que é de R$ 380." Patrícia afirmou que o programa da prefeitura estimula o crescimento dos moradores de Camaçari. "Eu conheço muitas pessoas que terminaram o 2º grau e não têm condições de pagar um curso superior. Com esse projeto, os mais pobres foram beneficiados." Depois que passou a receber a bolsa-auxílio, ela começou a trabalhar. "Uma vez por semana eu trabalho em uma biblioteca pública. É muito gratificante a gente fazer alguma coisa de útil para os mais necessitados." Sem o programa, ela acredita que não teria condições de ingressar na faculdade. A Prefeitura de Camaçari também mantém um cursinho pré-vestibular para os estudantes que não têm condições de frequentar os estabelecimentos privados. "A prefeitura aluga o prédio e paga os professores", disse o prefeito José Tude. A prefeitura mantém convênios com outras seis faculdades baianas.
Há pelo menos dois
anos sem recursos em caixa, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) anunciou
investimentos de R$ 19 milhões para 2001, dos quais R$ 2 milhões
em segurança na Ilha da Cidade Universitária, na zona norte da cidade.
O local é considerado perigoso, principalmente à noite. O reitor
José Henrique Vilhena acredita que, com a medida, que visa a criação
de cursos noturnos, a universidade poderá superar o número de 6
mil vagas oferecidas no vestibular de 2001. "A principal dificuldade que
encontramos para oferecer cursos noturnos é a falta de segurança.
Com o sistema, podemos chegar a 7,5 mil vagas", diz o reitor. (O Estado de S. Paulo) |
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