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Com o intuito de estimular a presença da população negra nos cursos de pós-graduação, o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) assinou uma parceria com a Fundação Cultural Palmares. Uma das primeiras iniciativas será incentivar pesquisas que possam colaborar com a questão racial no país. Leia mais
A confirmação do recorde de presença no Provão desse ano deve demorar pelo menos dez dias para ser lançado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) . Dados preliminares anunciados pelo Ministério da Educação apontavam um índice de comparecimento de 94%. Leia mais
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) assinou, na semana passada, uma parceria com a Fundação Cultural Palmares, com sede em Brasília. A idéia é estimular a presença da população negra nos cursos de pós-graduação das universidades públicas brasileiras. 'Não pensamos em estabelecer cotas de bolsas para os alunos negros', diz Lélio Fellows, chefe de gabinete da presidência do CNPq. 'Isso não adianta e é também uma forma de preconceito. A intenção é criar mecanismos para aumentar os números dessa minoria.' Uma das estratégias, segundo Fellows, será incentivar pesquisas que possam colaborar, de alguma forma, com a questão racial no País. O primeiro fruto do acordo entre o CNPq e a Fundação Palmares será divulgado em agosto. Trata-se de um estudo que vai revelar o perfil de quem faz mestrado e doutorado no País. O passo seguinte será a promoção de um intercâmbio entre os núcleos universitários que estudam a questão racial no Brasil. 'Sabemos que os negros são minoria, mas há indícios de que a situação muda a cada ano', diz Fellows, chefe de gabinete da presidência do CNPq. A suspeita procede. O último Censo da Educação Superior, divulgado em setembro de 2000, por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostra aumento de 20% no número de universitários negros brasileiros. Na origem do fenômeno está a explosão do ensino médio - o número de formandos cresceu 59% nos últimos cinco anos, o que eleva em 30% a demanda pelo ensino superior. 'São alunos novos no sistema universitário', diz a antropóloga Yvonne Maggie, professora do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ. 'São a primeira geração a freqüentar uma faculdade em suas famílias,' acrescenta. Outra medida tomada pela UFRJ com intuito de dar mais espaço ao negro nas salas de aula foi a criação do Projeto Acesso. Uma das estratégias do plano consiste em organizar os dados atingidos por escolas públicas do Rio de Janeiro. Na Universidade de São Paulo (USP) também existe projeto semelhante, de iniciativa de Kabengele Munanga, doutor em antropologia. Conhecido como Kabê nos corredores da USP, ele faz parte de uma minoria. Bem-sucedido profissionalmente, Munanga guarda para si o sofrimento que enfrentou (e ainda enfrenta) por preconceito racial em sua trajetória. Decidiu extravasar o preconceito de forma peculiar. Como um dos integrantes da Comissão de Políticas Públicas para a População Negra da USP (CPPN), acaba de lançar o Primeiro Censo Étnico-Racial da universidade. 'A idéia é conhecer o tamanho e a composição racial da maior comunidade acadêmica do Brasil'. Os estudantes, professores e funcionários da USP terão um mês para responder a um extenso questionário. 'Chega de dados hipotéticos', diz João Baptista Borges, presidente da CPPN, criada em 1999. Segundo Borges, a USP abriga cerca de 38 mil estudantes nos cursos de graduação e pós-graduação. 'Estima-se que 2% deles sejam negros.' De acordo com os dados da CPPN, em 2000, 139 mil pessoas se inscreveram no vestibular da USP - dessas, 2.975 (apenas 2,14%) se identificaram como negros no questionário organizado pela Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest). A taxa cai consideravelmente entre os aprovados nos exames e a presença dos negros é ainda mais baixa na pós-graduação. Desde 1982, Kabengele Munanga orientou apenas um estudante negro no mestrado. 'Eles estão fora das universidades. Quando entram, escolhem os cursos menos concorridos, como Letras e História, por isso, os que chegam à pós-graduação são de humanas', diz o professor. Kabengele Munanga prefere não falar do preconceito racial existente no Brasil. Principalmente quando o sujeito da discriminação foi o próprio Munanga. Há 26 anos, o professor e pesquisador vive das questões raciais e dedica seu tempo ao estudo das populações afro-brasileiras. No Brasil desde 1975, Munanga, de 58 anos, nasceu na República Democrática do Congo, antigo Zaire. Por questões políticas (e raciais) decidiu dar rumo diferente do previsível em sua vida. Mudou para o País com a mulher e os cinco filhos e, à sua família, Munanga, hoje naturalizado brasileiro, sempre ensinou o objeto do que pesquisa. Dados da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) mostram que, dos 100 alunos que se inscreveram este ano para o mestrado em administração, somente um era negro. No Instituto Coppead de Administração, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, o quadro não é diferente. Em 2001, nenhum negro entre os candidatos às categorias de MBA, mestrado ou doutorado. Os responsáveis pela escolha dos futuros mestres e doutores dizem que os estudantes têm preconceito com a própria condição étnica. 'Eles usam esse argumento para pressionar a seleção', diz um dos professores da UFRGS, que prefere não se identificar. Quando o censo da USP terminar, o núcleo parte para o trabalho de campo. 'O desafio', diz João Batista Borges, 'é criar consciência entre os alunos e mostrar que a condição do negro precisa ser mudada imediatamente.' A tarefa é árdua. Justamente o que esses mestres enfrentaram os impulsiona a lutar. Borges, professor emérito do departamento de antropologia, fica emocionado ao lembrar do primeiro negro que orientou para o doutorado. 'Foi na década de 80', diz ele. 'O menino era brilhante, mas não agüentou a pressão entre os colegas e não soube lidar com o sucesso. Cometeu suicídio.' Para evitar atitudes semelhantes, o professor decidiu nunca abandonar a causa racial. 'É o dever de todo cidadão brasileiro.' De fato, há muitos engajados nessa batalha. 'As iniciativas das universidades não vão mudar o comportamento das pessoas', diz João Borges, da USP. 'O que eu quero é não ouvir histórias de pessoas que deixam de contratar profissionais porque são negros'. (Gazeta Mercantil)
A confirmação do recorde de presença no Exame Nacional de Cursos (Provão) realizado no domingo ainda deve demorar pelo menos dez dias. Dados preliminares anunciados pelo Ministério da Educação logo após o fim do exame apontavam um índice de comparecimento de 94%. O ministro Paulo Renato Souza comemorou o que seria a maior participação entre as seis edições do Provão. No entanto, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) ainda não dispõe de dados nacionais. Tanto no ano passado quanto em 1999, o balanço preliminar no dia da prova indicou a mesma taxa deste ano. Posteriormente, os números acabaram não se confirmando, caindo para 92,5% em 2000. "Imagino que o balanço preliminar agora esteja mais próximo do resultado final", justificou o diretor do Provão, Tancredo Maia Filho. Ontem, o Inep divulgou um balanço por Estado. O índice de presença em São Paulo ( que teve 100.217 inscritos, 34% do total no País ) foi de 93%, um ponto porcentual abaixo da média estimada do País, de 94%. Espírito Santo, Piauí e Tocantins, com 97% de presença, registraram as taxas mais altas, enquanto o Distrito Federal teve a mais baixa: 85%. Entre as 20 áreas do conhecimento avaliadas, economia ficou com a média de participação mais baixa: 83%, seguida por administração, com 89%. Medicina e odontologia lideraram com 99%, enquanto as carreiras estreantes no Provão este ano - farmácia e pedagogia - alcançaram o porcentual de 96%. O levantamento divulgado ontem mostra que o índice de presença no teste ficou acima da média nacional em 14 Estados. São eles: Acre, Bahia, Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe, Minas, Paraná, Mato Grosso, Goiás e Santa Catarina, além dos três Estados com maiores índices de presença do País. O Rio de Janeiro teve taxa de 93%, a mesma de São Paulo. Dos 288 mil formandos inscritos no exame, estima-se que cerca de 270 mil compareceram aos locais de prova. O índice de presença, no entanto, não demonstra a adesão dos alunos ao Provão. O comparecimento ao local de prova é obrigatório para os formandos. Em caso de ausência, a pena é a não emissão do diploma. O índice de testes devolvidos em branco em função do boicote pregado por lideranças estudantis ainda não foi divulgado. De modo geral, o número de provas não respondidas vem caindo ano a ano, com exceção do curso de Jornalismo. (O Estado de S. Paulo)
Com mãos de ferro e determinação de primeira-ministra do Reino Unido, a historiadora Marieta de Moraes Ferreira, de 53 anos, assumiu, em 1999, a direção do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV). Demitiu 20% dos funcionários, equilibrou o orçamento, levou a produção acadêmica ao mercado, tornou o centro moderno e auto-suficiente, dobrou a receita e foi reeleita para mandato que se encerra no fim de 2002. Diante da crise financeira que se agravara a partir de 1998, Marieta tinha como missão desviar do abismo a trajetória do maior centro de arquivos privados do País. Com patrimônio de 1,8 milhão de documentos, 120 arquivos de personalidades, 40 mil fotografias e 4 mil horas de depoimentos gravados, o centro de pesquisa, segundo Marieta, 'teria que se auto-sustentar para sobreviver'. A crise instalou-se no centro depois que a Financiadora de Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e da Tecnologia, mudou o perfil de atuação e passou a se dedicar ao financiamento de pesquisas vinculadas à produção econômica e praticamente abandonou os projetos de pesquisas acadêmicas básicas. 'De 70% a 80% dos nossos recursos eram provenientes da Finep', lembra Marieta. O resto do dinheiro vinha da própria FGV e da Fundação Ford. Hoje, de 55% a 60% dos recursos - em torno de R$ 5 milhões anuais - são provenientes da prestação de serviços e da venda de conhecimento e conteúdo para empresas privadas e instituições públicas. O CPDOC começa a contratar funcionários e prepara-se para lançar um portal para acesso gratuito às informações dos arquivos. 'O portal servirá para democratizar a informação, obter mais recursos de patrocínios e conseguir mais parcerias e consultorias', explica. Realista como Margaret Thatcher, Marieta demitiu sete pessoas num universo de 30 e passou a exigir centros de custos específicos para cada projeto. Gastos com pesquisadores, estagiários, prestadores de serviço e material começaram a ser rigorosamente controlados. O orçamento, que há três anos girava em torno de R$ 2,8 milhões, foi cortado em um terço. E o mais importante: o centro passou a produzir e vender para o mercado, o que causou reações dos pesquisadores e da comunidade acadêmica. 'Diante das mudanças nas áreas de pesquisa e tecnologia, tivemos que encontrar soluções, assim como a Fundação Oswaldo Cruz e os centros universitários', diz. Criado há 28 anos, o CPDOC começou com a organização dos arquivos pessoais do presidente Getúlio Vargas e do chanceler Oswaldo Aranha. Especializou-se em pesquisas sobre a elite econômica, social e política do Brasil e lançou o 'Dicionário Histórico-Geográfico Brasileiro'. De lá para cá, organizou arquivos de personalidades fundamentais para a compreensão da história do Brasil no século XX. Ernesto Geisel, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Gustavo Capanema, Eugênio Gudin, Roberto Campos são exemplos de personalidades cujos arquivos estão à disposição do público. Atualmente, o centro de memórias, quase todo informatizado, vende conhecimento e conteúdo para empresas privadas e instituições públicas que queiram lançar livros, montar museus e exposições. 'Ampliamos o leque de parcerias e prestações de serviços', diz Marieta. Para mudar o gerenciamento do CPDOC, Marieta diz ter tido o apoio incondicional do presidente da FGV, Carlos Ivan Simonsen Leal, de 43 anos, sobrinho do ex-ministro Mário Henrique Simonsen. Marieta diz que parte do orçamento ainda é proveniente da fundação. 'Uma instituição de pesquisa séria não pode viver só do mercado, nem abrir mão da qualidade dos trabalhos acadêmicos', ensina a historiadora, à frente de 25 pesquisadores (17 doutores, 5 mestres e 3 graduados) e dez funcionários administrativos. Além da prestação de serviços gratuitos ao público, o CPDOC mantém linhas de pesquisas em história do Brasil, funcionamento da sociedade, elite política e pensamento social brasileiro. Na prestação de serviços privados, com a qual adquire os recursos para se sustentar, o centro trabalha com memória institucional, como o conteúdo de livros ilustrados sobre a história da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) - 'Um sonho feito de aço e ousadia' - e do fundador da empresa, Edmundo de Macedo Soares e Silva. 'O livro assinala a história da companhia, conta tudo, até a morte dos operários em Volta Redonda, em 1988', diz Marieta. Para a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), foram feitos livros sobre a trajetória de importantes políticos fluminenses. O Banco Central encomendou obra sobre o ex-ministro da Fazenda Otávio Gouveia Bulhões e sobre a história do dinheiro brasileiro desde a criação da instituição, em 1964. Para o Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro), o centro elaborou o livro 'Medida e Normalização de Qualidade'. 'Entre a solidariedade e o risco: história do seguro privado no Brasil' é o nome da obra encomendada pela Fundação Escola Nacional de Seguros (Fenaseg). O centro elabora, ainda, sob encomenda, pesquisa histórica sobre o Instituto de Matemática Pura e Aplicada. O CPDOC também assessora a montagem de centros de memória em empresas e instituições, como no caso da Alerj, cliente que também encomendou ao centro a exposição 'Memórias do Parlamento Brasileiro', com a história do Palácio Tiradentes, no Rio. Há pesquisas feitas sob encomenda, desde o começo. É o caso de um estudo sobre as universidades privadas que está sendo desenvolvido para a Campanha de Aperfeiçoamento do Pessoal de Ensino Superior (Capes), agência do Ministério da Educação para a qual também foi organizada, pelo centro, no ano passado, exposição sobre Anísio Teixeira. Com dinheiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj), o CPDOC está prestando consultoria para a organização do arquivo de Darcy Ribeiro e do próprio Arquivo do Estado. Para o Paço Imperial, o centro fez consultoria da exposição 'Quando o Brasil era moderno'. A Norquisa aproveitou
trabalho acadêmico desenvolvido pelo CPDOC e contratou-o para organizar
o arquivo do ex-presidente da República e da empresa, Ernesto Geisel.
A consultoria norte-americana Merril Lynch e a Sendas compraram o projeto
sobre a trajetória do ex-ministro Marcílio Marques Moreira,
hoje consultor sênior da Lynch.
A cerimônia vai contar com a participação de representantes da Coordenação Geral de Cooperação Internacional (CGCI), do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) e de universidades alemãs. O Unibral tem como objetivos fomentar associações universitárias institucionais mais eficientes e mais permanentes por meio de financiamentos conjuntos. A ação visa a criar parcerias entre instituições universitárias congêneres brasileiras e alemãs, nas áreas acadêmicas escolhidas para intercâmbio. O programa permite maior mobilidade de estudantes de graduação e reconhecimento automático de créditos e adaptação recíproca de currículos. (Folha OnLine) |
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