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Os alunos dos cursos
que tiveram o reconhecimento suspenso pelo MEC deverão tentar obter
uma transferência ou "apostar" na melhoria e regularização
do curso, segundo o ministério.
Um dia depois de classificar como bobagem o escândalo em torno da aprovação de um analfabeto no vestibular da Universidade Estácio de Sá, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, mudou o tom de suas declarações. Ele anunciou a instauração de uma sindicância na Secretaria de Ensino Superior para investigar o processo de seleção de alunos da universidade. Leia mais
Os alunos dos cursos
que tiveram o reconhecimento suspenso pelo MEC deverão tentar obter
uma transferência ou "apostar" na melhoria e regularização
do curso, segundo o ministério. O MEC não ofereceu garantias para os alunos prejudicados. "A responsabilidade é do aluno, da sociedade e da instituição", afirmou o ministro Paulo Renato Souza. Sobre o fato de o curso ter reconhecimento oficial no momento da matrícula, ele disse que cabe ao aluno se informar sobre sua qualidade. A Associação Nacional de Faculdades e Institutos Superiores teme que os alunos possam processar as instituições com cursos suspensos. Com exceção da Universidade Federal do Acre, as outras instituições são privadas. A situação de regularização demora no máximo oito meses, de acordo com Maria Helena Guimarães, presidente do Inep. "O objetivo não é fechar os cursos, é fazer com que melhorem", disse. Uma comissão do ministério visita a instituição e faz um relatório, que, com um parecer do MEC, é encaminhado para o Conselho Nacional de Educação e para o ministro. Ele terá a "palavra final" sobre o reconhecimento. Levantamento socioeconômico feito com os alunos que prestaram o provão deste ano aponta que, em cursos voltados para a formação de professores, a maioria dos alunos vem de famílias com renda baixa. Já em cursos como medicina, os estudantes têm renda familiar mais alta. Entre os alunos de medicina, 35% têm renda familiar entre R$ 3.601 e R$ 9.000. Entre os de matemática, 54% têm renda familiar de R$ 541 a R$ 1.800, faixa em que também se encaixam os alunos de física, letras, pedagogia e química. Quanto à escolaridade dos pais, o perfil é semelhante. Os pais de 63% dos estudantes de medicina concluíram a pós-graduação. Nos casos de pedagogia, letras e matemática, a maioria tem o ensino fundamental incompleto. Dos 271.421 avaliados, apenas um tirou a nota máxima (cem): Markus Samuel Rebmann, 23, aluno de engenharia civil da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Ele ganhou viagem a Brasília, com direito a aperto de mão de Paulo Renato, e uma bolsa de estudos da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ministério da Educação). Nascido na Alemanha, Rebmann veio para o Brasil quando tinha seis anos. "Tenho uma vida normal, vou ao cinema e namoro", disse ele. (Folha de S. Paulo)
Universidades e faculdades que tiveram cursos de letras ou matemática suspensos podem processar a União. A avaliação é da Associação Nacional de Faculdades e Institutos Superiores (Anapi). A entidade diz que o ato do ministro Paulo Renato Souza (Educação) é ilegal por três motivos. Primeiro, o próprio ministério reconheceu os cursos anteriormente, com base em outros critérios que não o provão. Segundo, são levadas em consideração as notas do provão, que são anteriores à definição dos critérios de cancelamento automático do reconhecimento. A Anapi também diz que a nota do aluno pode expressar seu descompromisso com a prova, não má qualidade do curso. "Ajudaremos as instituições que decidirem processar o governo", disse Naira Amaral, presidente da entidade. A Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares) pode entrar com uma ação contra o ministério, se avaliar que houve um erro metodológico que prejudicou a avaliação de alguns cursos. Segundo a Anup, o uso de uma média geral da área, com base nas notas médias dos alunos de cada curso, pode ter distorcido o desvio padrão usado para distribuir os conceitos. O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) informou que só se pronunciará quando receber oficialmente a reclamação. A Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (SP), com dois cursos na lista do MEC (ciências com habilitação em matemática e licenciatura em matemática), vai manter seu vestibular no próximo sábado. A diretora da faculdade, Vera Ferro de Carvalho, considera "um absurdo o curso de licenciatura ser incluído na lista". Segundo a diretora, o de ciências está em "extinção", já que só há uma turma, que se forma ainda neste ano. "O de licenciatura em matemática, aberto em 2000, tem apenas turmas de primeiro e de segundo ano e, portanto, não poderia ser avaliado", afirma. O Inep informou que o ministério avalia conjuntamente habilitações diferentes da mesma área. A Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (PE) decidiu suspender o vestibular para letras. Na Faculdade de Formação de Professores de Penedo (AL), o resultado causou surpresa. "A faculdade está fazendo sua parte. Se nossos alunos não têm condição de acompanhar, isso deve ser reavaliado com o MEC", disse Antônio Manuel Marinho, diretor da mantenedora da instituição. O Centro de Estudos Superiores de Maceió (AL) deverá recorrer da suspensão de seu curso de letras. Mirian Gatti, diretora-geral da Faculdade de Educação de Ivaiporã (PR), disse que recorrerá da suspensão do curso de matemática. O diretor das Faculdades Integradas Rui Barbosa (Andradina, SP), Flávio Moreira, afirmou que as deficiências já foram sanadas. O reitor do Centro Universitário Filadélfia (Londrina), Eleazar Ferreira, afirmou que o curso de matemática foi desativado em 98. Só falta uma turma de 20 alunos para se formar. A diretora da Faculdade de Formação de Professores de Vitória de Santo Antão (PE), Maria de Souza, disse que não decidiu se vai recorrer. A reportagem não conseguiu falar com a diretoria da Faculdade de Dracena e a reitoria da federal do Acre. (Folha de S. Paulo)
Estudantes das Faculdades Integradas de Ribeirão Pires consideraram errada a decisão do MEC de suspender o reconhecimento dos cursos de ciências com habilitação em matemática e licenciatura em matemática. Para eles, ciências com habilitação em matemática não poderia ser avaliado pela prova do curso de licenciatura. "O curso é muito mais generalista. Nós tivemos aulas de geologia, química e física. Por isso, a carga horária de matemática foi menor", disse Gisele Maria da Silva, 26, que se formará este ano em ciências. Ela disse não achar que o desempenho no provão prejudicará a aceitação de seu diploma no mercado de trabalho. "O importante é a capacidade do estudante e não a faculdade que ele faz." A turma da estudante é a última do curso de ciências, que será extinto em 2002. Para substituí-lo, foi criado o curso de licenciatura em matemática há dois anos. Vinícius Della Coleta, 18, que está no primeiro ano de licenciatura, afirmou temer não ter direito a um diploma reconhecido quando acabar o curso. "Se não tiver diploma, é como se tivesse feito um curso qualquer. Para isso eu não teria vindo para uma faculdade, teria procurado um professor particular", disse ele. Mesmo considerando o método de avaliação errado, os estudantes concordam que a faculdade tem deficiências. Segundo eles, os laboratórios existentes não são usados e os alunos não podem mexer nos computadores da faculdade. Outro problema apontado foi a falta de atividades além das aulas. "Em quatro anos de curso, não assisti nenhuma palestra aqui. A única atividade que aconteceu foi uma ida ao programa do Jô Soares", disse Gisele Maria. Os alunos, quase todos moradores de Ribeirão Pires e Mauá (ambas no ABC paulista), reclamaram, também, das mensalidades. "Quando entramos, eles disseram que as mensalidades iriam diminuir nos anos seguintes, mas pagamos R$ 320 no primeiro ano e R$ 330 no segundo", disse um aluno que não quis se identificar. Para eles, a qualidade do curso melhorou um pouco após a visita do MEC. "Eles tinham que vir de surpresa", disse outro aluno que também não quis se identificar. A diretora da faculdade, Vera Ferro de Carvalho, afirmou que o curso de licenciatura em matemática está muito melhor do que o de ciências. "Hoje, 30% do corpo docente é titulado e a biblioteca foi ampliada", disse. (Folha de S. Paulo)
Pelo quinto ano consecutivo, 31 cursos de universidades públicas e nove de instituições privadas tiraram conceito A no Provão. Entre os melhores estão 13 cursos de São Paulo, como o de administração da USP e o da PUC. Também receberam "cinco estrelas" as federais de Brasília (odontologia), de Pernambuco (administração) e do Rio Grande do Sul (engenharia civil). Confira a lista completa. Como o exame começou em 1996, já há cursos também com seis notas A. É o caso dos cursos de administração da Universidade Federal de Santa Maria e da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo. "Nos preocupamos com o que o mercado vai querer daqui a cinco anos", diz o diretor do curso na Faap, Henrique Vailati Neto, onde 70% dos professores são mestres ou doutores. "O resultado é um incentivo para tirarmos outras notas A", diz o aluno Sérgio Sério. O reitor da Santa Maria, Paulo Sarkis, atribui o desempenho aos professores, à estrutura pedagógica e à integração da universidade com a rede de ensino da região. "65% dos nossos alunos vieram de escolas públicas." O MEC também divulgou lista dos cursos que tiveram cinco notas E consecutivas. São cursos de direito da Universidade Guarulhos (SP), do Centro Universitário Augusto Motta (RJ), do Centro Universitário Moacir Sreder Bastos (RJ) e da Universidade Gama Filho (RJ) e o de adminitração da Faculdade Matogrossense de Ciências Contábeis e Administrativas, de Cuiabá. Para que o reconhecimento do curso seja suspenso, é preciso receber também um conceito insuficiente na avaliação das condições de oferta. (O Estado de S.Paulo)
O estudante de engenharia civil Markus Samuel Rebmann, de 23 anos, da federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), foi o único a acertar todas as 100 questões no Provão, entre os mais de 271,4 mil universitários avaliados. O único imprevisto é que o aluno nota 100 não vai se formar este ano por causa da greve enfrentada pelas universidades federais. Markus diz que sempre tirou boas notas na escola e atribui o seu resultado também ao nível de ensino da universidade. "Fiquei surpreso com a notícia." Depois de tirar fotos e receber os cumprimentos do ministro da Educação, em Brasília, Rebmann lamentou o adiamento da formatura para março. Se não tivesse havido a paralisação na sua universidade, que durou 107 dias, ele já teria deixado a função de estagiário na empresa em que trabalha e assumido o cargo de engenheiro. "A greve foi justa e os professores têm razão", acrescentou. Ele é o mais velho dos seis filhos de um missionário evangélico de origem alemã e de uma dona de casa. Sua família tem renda mensal de R$ 1.500, mas Rebmann fez todo o ensino básico em escolas privadas. Como outros alunos com as melhores médias no Provão, Rebmann ganhará uma bolsa para mestrado ou doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A avaliação que os alunos fazem de seus cursos melhorou em relação ao que existia em 1997 e 1998. Segundo o ministério da Educação, isso mostra os investimentos que estão sendo feitos pelas instituições para melhorar infra-estrutura, práticas docentes e currículos, depois da instituição do Provão. O questionário também faz parte do exame do MEC e foi respondido por 93,1% dos formandos. Este ano, 23,3% dos estudantes de medicina veterinária, por exemplo, consideraram que os professores apresentam planos de ensino satisfatórios. Em 1997, esse índice era de 4,9%. A estrutura também melhorou. Mais de 41% dos alunos de odontologia responderam que têm acesso a computadores, em 1997 eram apenas 10%. No curso de jornalismo, subiu de 12,4% para 21,4% o número de formandos que acha o acervo da biblioteca da instituição atualizado. O Provão também mostrou o aumento do número de professores com titulação de mestre ou doutor, nos 20 cursos avaliados. Em administração, por exemplo, 33,8% dos professores em 1997 tinham esses títulos. Em 2001, o índice foi de 47,4%. Em 1998, 51,4% dos professores no curso de matemática eram mestres ou doutores; este ano, são 60,6%. (O Estado de S.Paulo)
Um dia depois de classificar como bobagem o escândalo em torno da aprovação de um analfabeto no vestibular da Universidade Estácio de Sá, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, mudou ontem o tom de suas declarações. Ele anunciou a instauração de uma sindicância na Secretaria de Ensino Superior para investigar o processo de seleção de alunos da universidade. - Quero informar que mandei abrir sindicância sobre o processo seletivo da Estácio de Sá para ver se ele está de acordo com as regras - afirmou Paulo Renato. Se a sindicância confirmar que há falhas na formulação do vestibular ou nas regras para a aprovação dos candidatos, a Estácio de Sá terá que modificar seu sistema de seleção. - Se o processo não estiver correto, eles terão que mudar as regras - avisou o ministro. Anteontem, Paulo Renato minimizou o fato de um padeiro analfabeto ter sido aprovado no vestibular para o curso de direito da Estácio de Sá. O caso foi noticiado domingo no programa "Fantástico", da Rede Globo, e chegou às páginas do jornal francês "Le Monde". O ministro disse que o caso era bobagem e que provas de múltipla escolha sempre dão margem a falhas na seleção de candidatos. Paulo Renato alegou que o analfabeto não poderia entrar na universidade por não ter diploma de conclusão do ensino médio. (O Globo)
O procurador do estado de Alagoas, Márcio Guedes, contou ontem ter informado ao MEC sobre outro caso envolvendo a Estácio de Sá. Alunos reprovados em vestibulares para cursos de direito de faculdades de Alagoas viajavam em caravanas para prestar exame para o mesmo curso da Estácio. Dez dias depois de aprovados, pediam transferência para o curso de direito do Centro Educacional de Maceió (Cesmac). Um relatório sobre o caso está no Ministério da Educação desde abril, diz o procurador. Para ele, não foi novidade saber ontem que a equipe de avaliação do Provão do MEC reprovou vários cursos do Cesmac com os conceitos E e D. Márcio Guedes disse que começou a investigar o Cesmac em janeiro de 2001, quando foi procurado por pais de alunos que queriam saber sobre a validade dos cursos que os filhos freqüentavam. Com três meses de investigação, o procurador disse ter constatado "estranhas coincidências, diversas irregularidades e ligações entre o Cesmac e a Estácio de Sá": - O então presidente do Conselho Estadual de Educação, professor José Lima, também é diretor-geral do Cesmac, que é uma entidade particular de ensino superior. Na sua gestão à frente do Conselho (de 1998 a 2001), o Centro abriu mais de 20 novas faculdades. (O Globo)
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) poderá processar a Universidade Estácio de Sá e a Faculdade Moraes Júnior por propaganda enganosa. O presidente da Comissão de Exame da entidade, Ronald Alexandrino, não gostou de ler anúncios das duas instituições, informando resultados errados da prova para obtenção do registro da OAB. "Isso é má fé", disse, acrescentando que o caso deverá ser levado ao Ministério Público. A OAB vai publicar, nos próximos dias, o ranking oficial. Nele a Estácio aparecerá em oitavo lugar e a Moraes Júnior encerrará a relação. A Estácio, que foi denunciada por aprovar um analfabeto no vestibular para Direito - o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, determinou ontem a abertura de sindicância para apurar a denúncia -, divulgou que estava em segundo lugar entre as faculdades particulares da capital perdendo somente para a Pontifícia Universidade Católica. Procurado pelo Estado, o diretor de Marketing da instituição, Marcelo Campos, não retornou as ligações. A Moraes Júnior também publicou o resultado errado do exame da OAB. O anúncio nos jornais informava que seus alunos obtiveram o terceiro lugar, quando, na verdade, os seus três inscritos foram reprovados. "O anúncio foi preparado com antecedência", justificou o diretor-geral Ronald Palmieri Rodrigues, dizendo-se surpreso com o péssimo resultado da faculdade. (O Estado de S.Paulo) |
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