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A um mês do início das aulas nas principais faculdades, os centros acadêmicos já preparam as festas de recepção para os calouros. Desde a morte do calouro de medicina Edison Tsung Chi Hsueh, estudantes lutam para abolir as palavras trote e violência do dicionário, e adotar as expressões integração e cidadania. Leia mais
Estudo encomendado pelo governo do Estado do Rio de Janeiro prevê o despejo de 1,5 milhão de metros cúbicos de lama tóxica na Cidade Universitária da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), por onde circulam cerca de 25 mil pessoas todos os dias. Leia mais
A um mês do início das aulas nas principais faculdades do estado, os centros acadêmicos já preparam as festas de recepção para os calouros. Ainda traumatizados com a morte do calouro de medicina Edison Tsung Chi Hsueh, em fevereiro de 1999, os alunos veteranos querem abolir as palavras trote e violência do dicionário e adotar as expressões integração e cidadania. Marcados pela tragédia que vitimou um calouro na piscina da Associação Atlética Oswaldo Cruz da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o centro acadêmico passou a formar uma comissão de professores e alunos para programar as atividades de integração dos novatos. Desde o episódio, em vez de corte de cabelo, pintura do corpo e humilhações gratuitas, os calouros visitam ONGs, conhecem os departamentos do Hospital das Clínicas e promovem churrascos, mas sem exageros. "A integração é feita sem trote. Hoje, um veterano adota um calouro e ele passa a apresentar a faculdade e dar dicas para o novo aluno. Com isso, o calouro se sente mais acolhido", disse Milena Perez Mak, de 19 anos, da Comissão de Integração da Faculdade de Medicina, responsável pela recepção de 250 alunos novos de Medicina, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e Fisioterapia. Na Faculdade de Direito da USP, a preocupação é controlar os excessos dos veteranos. "Já tivemos trotes violentos aqui e a morte do calouro de medicina deu um impacto. Por isso, a gente está criando uma programação que estimule a integração, senão se perde o controle sobre os veteranos", explicou a presidente do Centro Acadêmico 11 de Agosto, Lívia Oliveira, de 21 anos. A presidente lembra os antigos trotes, entre eles a Carruagem de Fogo (embriagar o calouro e obrigá-lo a correr em um chão ensaboado) e o Banho da Sé (onde os calouros são batizados no espelho d' água da praça). "Eu mesmo tinha medo das brincadeiras quando fui caloura", admitiu. Neste ano, além das festas promovidas pelo centro acadêmico, a programação da semana de integração reunirá palestras com os candidatos à Presidência da República, discussões sobre cidadania e política na universidade, campanha de doação de alimentos e sangue, visita à faculdade e aos principais pontos da região central. Mas a principal atividade será a inclusão dos novatos nos programas sociais da faculdade do Largo São Francisco. "Queremos que os calouros se insiram nos programas sociais da faculdade, entre eles o departamento jurídico que dá assistência às comunidades que brigam por moradia e o cursinho pré-vestibular", disse Lívia. Para abolir o pedágio obrigatório (onde os calouros ficam nos semáforos pedindo dinheiro aos motoristas), os veteranos dos cursos de economia e administração da PUC buscam patrocínio entre os comerciantes da região para garantir a cervejada dos alunos. "A gente quer fazer também palestras e campanhas de solidariedade. Não queremos mais aluno em pedágio", contou Tiago Felipe Viegas Carneiro, de 23 anos, do Centro Acadêmico Leão XXIII. Segundo o veterano, neste ano entram 1.280 calouros nestes cursos e o objetivo é fazer com que eles se insiram ao novo universo, mas sem traumas. "O trote não pode ser uma punição, mas a afirmação de uma pessoa que está passando de uma fase da vida para outra", analisou Tiago.
Após a tensão
do vestibular, os novatos se preparam para encarar a recepção
dos veteranos. Com medo dos abusos, os calouros de 2002 concordam em participar
de campanhas solidárias, mas se recusam a cortar o cabelo e participar
de brincadeiras humilhantes. "Depois daquele calouro que morreu na piscina, fiquei assustado e já penso em não vir nos primeiros dias", revelou o calouro de administração André Tkacz, de 19 anos, que tem medo da violência e dos produtos químicos misturados às tintas que usam para pintar os novatos. "Se tiver de doar sangue, tudo bem, mas não vou pedir esmola na rua. Acho que a gente tem de curtir, mas sem exageros", completou. Mesmo com as histórias de trotes violentos na família, o calouro de Rádio e TV Luís Fernando do Rego, de 17 anos, não teme as brincadeiras, mas prefere as campanhas de solidariedade. "Dependendo da brincadeira, eu encaro, mas com limites, é claro." Segundo o diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE) Danilo Moreira, desde 1999 os diretórios acadêmicos das universidades vêm recebendo orientação para adotar campanhas solidárias e brincadeiras saudáveis. "O bom senso está consolidado entre os centros acadêmicos. Os dirigentes sabem que a recepção aos calouros pode ser irreverente, desde que haja o consentimento do aluno", explicou. Para evitar que os veteranos mais exaltados assumam o controle das confraternizações, a UNE prepara uma calourada no final de fevereiro, reunindo as principais faculdades para fazer atividades culturais. (Diário de
S. Paulo)
Após inúmeros casos de trotes violentos, o Governo do estado sancionou a Lei 244 que proíbe a agressão física ou constrangimento aos novos alunos de faculdades (públicas e privadas) e escolas de ensino médio. A lei foi assinada pelo então governador Mário Covas em 20 de dezembro de 1999, dez meses após o trote que matou o calouro de medicina Edison Tsung Chi Hsueh, na época com 22 anos. Edison foi encontrado morto na manhã de 23 de fevereiro na piscina da Associação Atlética da Faculdade de Medicina da USP. O calouro havia participado de uma festa na noite anterior regada a cerveja e churrasco. Em 8 de fevereiro de 1991, o estudante Júlio César de Oliveira, de 16 anos, morreu ferido a golpes de tesoura ao reagir ao trote. O estudante ia para a aula em Osasco quando seis colegas o atacaram na tentativa de cortar seu cabelo. Um dos trotes mais violentos aconteceu em março de 1980, quando o calouro Carlos Alberto de Souza morreu ao levar socos na cabeça ao impedir que os veteranos cortassem seu cabelo. Era seu primeiro dia de aula na Universidade de Mogi das Cruzes. (Diário de
S. Paulo)
Estudo encomendado pelo governo estadual prevê o despejo de 1,5 milhão de metros cúbicos de lama tóxica em cavidades abertas na Cidade Universitária da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), por onde circulam cerca de 25 mil pessoas todos os dias. A lama causa o assoreamento do canal da Maré, o trecho mais poluído da baía de Guanabara. O canal é uma área morta, a única da baía até agora. Nele não há mais qualquer tipo de vida, por causa da contaminação industrial e orgânica da água. O canal separa a ilha do Fundão (zona norte), onde está a Cidade Universitária, do complexo de favelas da Maré, moradia de 113 mil pessoas. O projeto está em análise pela Serla (Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas), órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente do Estado. Há pressa do governo em buscar uma solução para o assoreamento, pois é no canal que são jogados os líquidos resultantes da estação de tratamento de esgotos da Alegria, inaugurada no ano passado pelo governador Anthony Garotinho (PSB). A lama acumulada no canal prejudica a circulação das correntes marítimas, o que dificulta a dispersão dos rejeitos da estação. A Alegria faz apenas o tratamento primário do esgoto. Separa e retém a parte sólida dos dejetos, mas libera água ainda contaminada por poluentes, principalmente orgânicos. Hoje, a estação trabalha com 20% de sua capacidade, mas em quatro anos deverá recolher o esgoto de 1,5 milhão de pessoas em 46 bairros da zona norte e do centro do Rio de Janeiro. A proposta para remover a lama tóxica do canal foi elaborada pela Coppe (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia) da UFRJ e tem custos estimados em até R$ 29 milhões. A opção de depositar a lama contaminada na ilha do Fundão é considerada mais barata em relação à proposta de efetuar o despejo em alto-mar, o que depende de análises detalhadas de correntes, para evitar o retorno do material ao continente. Os componentes mais perigosos encontrados na lama são os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), considerados altamente cancerígenos. São rejeitos industriais resultantes da queima de petróleo e carvão e da fabricação de matéria plástica, segundo o Laboratório de Radioisótopos do Instituto de Biofísica da UFRJ e a Coppe. Entre os rejeitos tóxicos do canal estão metais pesados, como cobre, cádmio, chumbo, cromo, mercúrio, manganês, zinco e ferro, todos em níveis superiores aos encontrados normalmente em ambientes naturais. Coleta do laboratório mostrou também a presença nos sedimentos do canal de derivados do óleo ascarel, substância cancerígena. O estudo da Coppe não determina a origem desses poluentes, mas há no entorno do canal cerca de 400 indústrias, entre elas a refinaria de Manguinhos, que produz derivados de petróleo. A deposição desse lodo contaminado na ilha do Fundão exige a construção de cavidades seladas por lonas plásticas, para evitar que os rejeitos possam contaminar áreas frequentadas pelos usuários do campus (estudantes, professores, técnicos, funcionários e visitantes). Segundo a Coppe, as cavidades seriam fechadas também com material isolante. As superfícies receberiam tratamento paisagístico, podendo virar área de lazer. "Não há risco de contaminação, desde que o trabalho seja feito com todo o acompanhamento adequado. No final, a comunidade seria duplamente beneficiada. Teria o desassoreamento do canal e a urbanização de áreas atualmente abandonadas no campus", defende Paulo César Rosman, 49, professor de engenharia oceânica da Coppe e um dos responsáveis pelo estudo. O assoreamento do canal da Maré começou na década de 50, quando obras de aterros deram origem à ilha do Fundão, originalmente um arquipélago de oito pequenas ilhas. O canal tem cerca de 4,5 km de comprimento, com uma largura média de 120 m. Pelo projeto da Coppe, nem toda a lama será removida, mas apenas o suficiente para abrir um canal de cerca de dez metros de largura por quatro metros de profundidade. Segundo a entidade, seria o suficiente para a retomada da circulação das correntes. (Folha de S. Paulo)
O projeto de despejo de lama tóxica em plena ilha do Fundão está sendo contestado pelos conselhos e pela cúpula da UFRJ. Em reunião no ano passado com representantes da Coppe e da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, membros do Conselho Universitário repudiaram a proposta. Na reunião, foi apresentada aos conselheiros a forma, supostamente livre de riscos, com que as toneladas de lama deverão ser despejadas em cavidades no solo da ilha. A explanação não convenceu os integrantes do Conselho Universitário, que rejeitaram o projeto. Como a reunião ocorreu em caráter informal, não houve veto oficial dos conselheiros ao projeto. Ontem, o sub-reitor de Ensino para Graduados da UFRJ, Ricardo Gattáss, disse desconhecer o projeto, mas que é contra o uso da ilha como depósito de material tóxico, por mais seguro que seja. "A única opinião que tenho é que a ilha, para nós, é um patrimônio muito precioso. Somos a única universidade do país que tem uma ilha, composta de uma série de ações que podem garantir a sobrevivência da universidade pública. Qualquer coisa que venha a deteriorar essa ilha é errada", disse. A Folha tentou ouvir o reitor da UFRJ, José Henrique Vilhena, mas até o fim da tarde ele não havia falado sobre o assunto. O sub-reitor de Patrimônio da universidade, Maurício Arouca, disse que a escolha da ilha do Fundão como área de despejo é econômica, mas não ideal. Segundo ele, sai mais barato jogar a lama na ilha do que em locais mais distantes. "Não tem hipótese de a universidade autorizar isso. Nesse caso não se pode escolher a forma mais barata. A reação da sociedade [universitária" vai ser imensa", disse Arouca. Para o professor Cláudio Limeira, do Conselho de Graduação, "em um primeiro momento, o local escolhido não é o mais adequado", pois a "ilha não é tão grande". (Folha de S. Paulo)
O despejo da lama tóxica na ilha do Fundão é considerada uma medida de alto risco pelo geógrafo Elmo Amador, autor do livro "A Baía de Guanabara e Ecossistemas Periféricos - Homem e Natureza". Para ele, pode haver vazamentos para o solo da ilha, mesmo com as obras de isolamento das cavidades. Amador lembra que a Cidade Universitária foi construída em uma área formada por aterros que juntaram oito ilhas menores, o que tornaria o terreno instável. "Desse jeito, vão apenas transferir o problema de lugar", disse Amador, que é professor aposentado do Instituto de Geociências da UFRJ. Ele defende a solução que prevê o despejo em alto-mar. Para reduzir os custos, o geógrafo propõe que os dejetos sejam transportados dentro de navios atualmente abandonados na baía de Guanabara, que depois seriam afundados junto com a lama. O próprio processo de dragagem da lama do canal preocupa entidades ambientalistas, que temem que o material tóxico possa ser dispersado para outras áreas da baía, como efeito da reativação das correntes marítimas. Um dos locais que poderiam ser prejudicados é a praia de Ramos, onde o governo do Estado inaugurou, há um mês, um piscinão. Outro ponto visto com preocupação é a possibilidade de a remoção da lama criar uma reacomodação do solo ao lado do canal. Isso poderia afetar áreas da Cidade Universitária e a via expressa Linha Vermelha. (Folha de S. Paulo)
Uma sindicância realizada pela própria universidade aponta que ex-alunos da instituição tiveram acesso a algumas questões da prova antes de participar do exame. O concurso acabou sendo cancelado. O delegado que preside o inquérito, Marcos Mores, do 2º DP de Botucatu, disse que as investigações visam descobrir a maneira como os exames foram divulgados. "Vamos apurar se houve quebra do sigilo funcional. Se feito de forma intencional é crime e a pena varia de três meses a dois anos de prisão ou multa", explicou. O caso também tramita no Ministério Público de Botucatu para apurar improbidade administrativa de agentes públicos que trabalham na Unesp. (Diário de
S. Paulo) |
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