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Nada menos do que 22% dos professores da Universidade de São Paulo estão em condições de se aposentar e podem fazer isso se considerarem que a reforma previdenciária será prejudicial. Leia mais:
O ex-ministro da Educação Paulo Renato decidiu ontem (15/06) por fim à quarentena pela qual passou desde que deixou o cargo e saiu em defesa do Provão. Segundo ele, o presidente do Inep "desmoralizou" o Provão ao criticar o exame na véspera de sua realização. Leia mais:
Nada menos do que 22% dos professores da Universidade de São Paulo estão em condições de se aposentar e podem fazer isso se considerarem que a reforma previdenciária será prejudicial. (Folha Online - 15/06/03)
O ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza decidiu por fim à quarentena pela qual passou desde que deixou o cargo e saiu em defesa do provão, exame criado na sua gestão, atacando quem chama de "radicais do MEC". "Parece que há uma divisão clara no Ministério da Educação. De um lado está o ministro Cristovam [Buarque], que tem uma trajetória respeitável. Do outro, há uma divisão no MEC contemplando os grupos mais radicais com posições-chave dentro do ministério, e isso pode prejudicar tanto a administração do ministro como o governo Lula", afirmou Paulo Renato. Paulo Renato citou o presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Otaviano Helene, como um dos "radicais". O Inep é responsável pela produção de estatísticas educacionais e pela realização de exames do MEC, como o provão. O ex-ministro afirma que o fato de Helene ter "falado mal do provão" às vésperas do exame tirou o valor da avaliação deste ano. "O fato de uma autoridade principal dizer que o exame é ruim e que vai acabar, como foi divulgado, desestimula o aluno e tira o valor da avaliação. Já não posso dizer que o provão deste ano tem o mesmo valor, em termos de indicador de desempenho, que os de anos anteriores", afirma o ex-ministro da Educação. Um dia antes do provão, que aconteceu no domingo retrasado, Helene afirmou que, dentro do sistema de avaliação, "o provão poderia ser, na melhor das hipóteses, um controle de qualidade dos alunos, não uma avaliação da qualidade dos cursos". Para o ex-ministro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu ter na educação a mesma homogeneidade que está apresentando, na sua avaliação, na área econômica. "O governo Lula conseguiu manter a homogeneidade na área econômica. O pior dos mundos seria ter, dentro do Ministério da Fazenda, cada um atirando para um lado, ou, por exemplo, que o diretor de política monetária fosse um radical que criticasse o ministro [Antonio] Palocci." Segundo Paulo Renato, o boicote (alunos entregando as provas em branco) neste ano deve ser maior. "Os alunos devem ter feito a prova de forma menos consciente. Acho uma irresponsabilidade alguém do governo desmoralizar o sistema de avaliação." Desde que assumiu a presidência do Inep, Helene tem feito críticas ao provão. Apesar das críticas, ele nega ter dito que o Inep decidiu acabar com o exame em 2004. O Inep e o MEC criaram uma comissão que está discutindo mudanças em todo o sistema de avaliação do ensino superior. Além do provão, o MEC também avalia as universidades por meio da Avaliação das Condições de Oferta, que leva em conta condições de infra-estrutura e qualificação de professores, entre outros itens. O ministro Cristovam Buarque tem afirmado que o processo de avaliação do ensino superior não acabará, mas será aperfeiçoado. Paulo Renato abriu uma consultoria em educação e afirma que não pretende criticar a gestão de seu sucessor. "Estou apenas saindo em defesa do que fizemos." Para o ministro, o provão vem melhorando a qualidade da educação. "O número de inscritos no vestibular de instituições com conceito D ou E [os piores] caiu 30%, enquanto nas com A e B [os melhores] cresceu 5%. Temos feito pesquisas, e a primeira coisa que os alunos perguntam quando ligam para uma instituição é qual a data do vestibular. Logo em seguida, qual foi a nota no provão." Paulo Renato afirma ainda que o provão é tão importante quanto a Avaliação das Condições de Ensino. "Há muita coincidência nos resultados. Mas é graças à existência dos dois que a gente pode ver que há coincidência e explicar quando não há." (Folha de S. Paulo - 16/06/03)
O presidente do Inep, Otaviano Helene, afirmou que não há divergências entre ele e o ministro da Educação, Cristovam Buarque: "Só falei que o provão não vai mais ser feito nos mesmos moldes do atual. Parece-me que as pessoas querem criar a impressão de um desentendimento que não existe". Segundo ele, suas declarações não representam nenhuma novidade e já foram feitas antes pelo ministro. "O ministro declarou muito claramente, numa reunião em que eu estive presente, que o provão, nos moldes deste ano, será o último. A revisão do provão já estava prevista no próprio programa de governo do PT", disse Helene. Para ele, o ex-ministro Paulo Renato Souza não tem elementos para afirmar que o boicote será maior neste ano porque somente após a correção das provas o Inep poderá calcular a porcentagem de provas em branco. O presidente do Inep afirma que o MEC trabalha para aperfeiçoar a avaliação. "Precisamos de uma avaliação do ensino superior muito mais rigorosa, eficiente e rápida do que a que temos hoje. Alguns mecanismos de avaliação são muito frágeis." Antes de assumir o Inep, Helene, físico da USP, foi presidente da Adusp (Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo). (Folha de S. Paulo - 16/06/03)
Craig Markway está ao mesmo tempo animado e frustrado com o início das aulas, em setembro. Em virtude de um distúrbio de aprendizado, Craig parece ter "dupla personalidade": o articulado candidato a engenheiro e o estudante com problemas de leitura, texto ruim e distúrbio de atenção. Estimativas indicam que o número de alunos com distúrbios de aprendizado ou condições que interferem na atuação acadêmica, como distúrbios de atenção, triplicou nos últimos 20 anos. Cursos especiais para esses estudantes melhoraram seu desempenho, transformando a faculdade num objetivo realista. Há faculdades comunitárias em que os alunos estudam por dois anos para depois serem transferidos para as disputadas universidades. "Escolas de dois anos estão mais sintonizadas com o sistema de suporte", diz o diretor da Associação Internacional de Dislexia, J. Thomas Viallele. "E não apenas para quem tem disfunções de aprendizado. Eles aceitam alunos marginalizados, que precisam de alguma ajuda." Mas nem todos concordam. "Faculdades comunitárias são lugares terríveis para crianças com dificuldades de aprendizado", diz Marshall Shumsky, consultor educacional em Houston. Dados do Centro Nacional de Estatísticas da Educação mostram que a maioria dos estudantes com dificuldade de aprendizado que entra numa faculdade de dois anos pretendendo se transferir para uma de quatro não consegue. Mas Craig Markway se sente confiante e estusiasmado sobre o que encontrará na faculdade comunitária de Meramec. Sua atitude é: me dêem um curso técnico focado em tecnologia e deixem o resto comigo. Entre os serviços de apoio à disposição de estudantes como Mark estão livros de estudo em áudio e especialistas em deficiências de aprendizado. "Eles ajudam o estudante a definir e refinar os potenciais de que precisa para ser bem-sucedido", diz Diane Pereira, diretora do Programa Especial da Universidade do Arizona. Também há tutores, centro de plantonistas para problemas de escrita e laboratório equipado com tecnologia de assistência. O custo é de quase US$ 2 mil por semestre para calouros; os veteranos, dos quais se espera que sejam mais independentes, pagam menos. (O Estado de S. Paulo - 16/06/03)
A falta de informação costuma ser o principal obstáculo para o tratamento de pessoas com distúrbios de aprendizagem, dificuldade real muitas vezes confundida com falta de atenção ou de interesse. "É um indivíduo que não consegue adquirir a aprendizagem de forma eficiente", explica a psicopedagoga clínica Tânia Maria de Campos Freitas. De acordo com ela, a situação é mais comum do que parece: cerca de 70% da população possui algum tipo de distúrbio específico de leitura e escrita. Diretora científica da Associação Brasileira de Dislexia (ABD), Tânia afirma que o problema existe desde o nascimento, mas só se torna evidente na idade escolar. Mesmo assim, em grande parte dos casos, o diagnóstico demora. "Se você identifica uma criança de risco precocemente, melhora toda a vida dela." Inteligência - Embora apresentem um desempenho deficiente na escola, esses indivíduos têm inteligência normal ou superior à média, que pode ser trabalhada com ajuda de especialistas e de professores. "Infelizmente temos diagnósticos não precoces", diz Tânia. Entre os distúrbios de aprendizagem mais comuns está a dislexia. Segundo dados da ABD, a dificuldade atinge de 10% a 15% da população. De origem hereditária, ela deriva do mau funcionamento do hemisfério esquerdo do cérebro, responsável pela linguagem, leitura e escrita. Não se trata, contudo, de um dano cerebral. As pessoas que têm dislexia costumam apresentar ainda problemas sérios de memória imediata, vocabulário e organização. Também podem ser registradas dificuldades para distinguir esquerda e direita, além de uma desorientação espacial que resulta na troca de letras na hora de escrever. Antigamente, estudos indicavam que o distúrbio era mais comum nos homens do que nas mulheres. "Mas isso está sendo revisto", diz a psicopedagoga. Foi o componente hereditário que levou Rosemari Marquetti de Mello, de 42 anos, a descobrir por que sempre teve dificuldades de aprendizagem. Seu filho Felipe Alberto, de 16 anos, tinha desempenho insatisfatório na escola. Atento para a possível existência de um distúrbio, o estabelecimento pediu a Rosemari que o levasse à ABD para um exame. "Descobri que eu tinha dislexia após o diagnóstico do meu filho." Os dois apresentavam as mesmas dificuldades em leitura e escrita. "Quando era criança, achava que tinha algo errado", diz Rosemari. Ela abandonou a escola na metade do 3.º ano do ensino médio porque achou que não tinha condições de cursar a faculdade. "O que mais afeta na dislexia não é a dificuldade de ler e escrever: é a baixa auto-estima", diz. A identificação do problema mudou a vida de Rosemari. Ela voltou a estudar e tem planos para quando terminar o ensino médio. "Quero fazer psicologia, para ajudar pessoas com as mesmas dificuldades", afirma. Ao se descobrir com dislexia, o estudante Felipe Madeira Pinto, de 14 anos, também encontrou um caminho para lidar com suas dificuldades. As aulas de português da escola são complementadas com estudos ao lado da mãe e as de matemática, com a ajuda de uma professora particular. Como não conseguia acompanhar legendas no cinema, Felipe passou a ir com o pai, que ditava os textos em um walkie-talkie. "Hoje, já consigo ler", diz. Até gravador e câmera fotográfica digital já foram usados por ele nas aulas. Outro distúrbio de aprendizagem comum é o transtorno e déficit de atenção (TDA). Consiste em dificuldade de se concentrar em um determinado estímulo. Segundo a psicopedagoga Tânia, a pessoa comporta-se como uma espécie de antena parabólica. "Ela ouve tudo ao mesmo tempo." Como não consegue focar a atenção, não absorve conhecimentos. Há ainda o transtorno e déficit de atenção com hiperatividade (TDHA). Nele, os problemas de concentração acompanham uma atividade motora acima do normal. "É comum o paciente me dizer que sua cabeça parece que vai explodir", diz Tânia. "São pessoas com QI acima do normal." Segundo ela, a hiperatividade pode levar a transtornos de conduta. "É só colocar uma regra que a pessoa vai quebrá-la." Embora funcione de modo inverso, a hipoatividade também pode dificultar a aprendizagem. "É aquele indivíduo que não dá trabalho, introvertido ao extremo." Toda a atenção está voltada para os conflitos internos. Segundo Tânia, outro problema que afeta a apreensão de conhecimentos é a discalculia, dificuldade de lidar com números e raciocínio lógico. Em qualquer caso, ela orienta a pais e professores que fiquem atentos. "São pessoas extremamente ricas e criativas que, às vezes, se perdem." Assim que se identifica a dificuldade, a consulta com um psicopedagogo ou psicólogo especializado em transtornos de aprendizagem é o caminho mais rápido para uma vida melhor. (O Estado de S. Paulo - 16/06/03) |
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