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O ministro da educação Paulo Renato Souza efrentou novo protesto ontem (15/10), em ato público realizado em Brasília. Segundo ele, a greve dos servidores e professores das universidades e escolas federais já compromete as férias dos alunos e admitiu a possibilidade de o segundo semestre letivo começar apenas em dezembro. Leia mais
A Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) está para receber do Banco Mundial (Bird) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento dois empréstimos de longo prazo no valor de US$ 21 milhões. Como garantia aos financiadores, a Unisul dá a receita anual de R$ 90 milhões e as instalações de 104 mil metros quadrados em Palhoça, Tubarão, Araranguá e outras cidades do sul catarinense. Leia mais
Menos de uma semana depois de ser vaiado e xingado em um seminário no Rio de Janeiro, o ministro Paulo Renato Souza (Educação) foi novamente insultado ontem por estudantes em ato público em Brasília. Dessa vez, as hostilidades
também foram dirigidas à primeira-dama, Ruth Cardoso. Os
protestos atrapalharam a abertura do Congresso Brasileiro de Qualidade
na Educação. Paulo Renato deixou o evento pela garagem. O ministro disse depois que a greve dos servidores e professores das universidades e escolas técnicas federais já compromete as férias dos alunos e admitiu a possibilidade de o segundo semestre letivo começar apenas em dezembro. "As férias
estão comprometidas, mas o semestre não está",
afirmou Paulo Renato. Os cerca de cem manifestantes entraram no pavilhão do seminário em pequenos grupos separados e disseram não ter enfrentado dificuldades para levar as faixas que foram abertas quando o ministro começou seu discurso. Após as primeiras palavras de ordem, a secretária do ensino fundamental, Iara Prado, pegou o microfone do ministro e tentou acalmar os ânimos. "Não vamos confundir duas lutas diferentes", gritou a secretária. Em seguida, o ministro da Educação discursou por cerca de cinco minutos sobre melhorias no ensino fundamental, intercalado pelos gritos dos manifestantes: "Paulo Renato, fascista, você também já foi bolsista". Constrangida, Ruth Cardoso fez um curto discurso ao lado de Paulo Renato e também foi vaiada. Dessa vez, os estudantes gritaram: "Educação não se discute, privatize a dona Ruth". Quando Iara Prado retomou a palavra, deu cinco minutos para os manifestantes -a maioria alunos da UnB (Universidade de Brasília)- se retirarem. Eles se recusaram a sair. Após a retirada das autoridades, os estudantes fizeram um enterro simbólico de um professor sem salário e queimaram máscaras do Paulo Renato e do presidente Fernando Henrique Cardoso. Quatro carros da Polícia Militar chegaram quando o ministro já havia saído. Estavam presentes também policiais federais e seguranças presidenciais. Os professores estão em greve desde agosto, e os servidores, desde julho. O sindicato dos servidores, a Fasubra, está em negociação com o ministério e já obteve o aval do governo para a incorporação total da gratificação ao salário. Os professores só aceitam negociar com a liberação dos salários, retidos desde o início do mês. "Nossa meta é não dar trégua ao ministro", disse Bento Ferreira, 27, estudante de economia da Universidade Federal do Paraná. Alguns professores do ensino fundamental que participavam do evento aplaudiram os manifestantes. As duas categorias reivindicam 75,48% de reajuste e a incorporação da gratificação dos salários. (Folha de S. Paulo)
Durante solenidade comemorativa do Dia do Professor realizada ontem no Palácio do Planalto, que reuniu apenas 42 pessoas, o presidente Fernando Henrique Cardoso elogiou o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, que também estava presente no evento. O presidente FHC disse
que o ministro da Educação está fazendo um trabalho
notável. Paulo Renato é um dos possíveis candidatos
à Presidência da República. A cerimônia
começou às 12h, com meia hora de atraso. Pouco antes da
solenidade, funcionários do cerimonial chegaram a retirar as fileiras
de trás, num total de 28 cadeiras, mas, mesmo assim, duas fileiras
permaneceram desocupadas na solenidade. No evento, o presidente Fernando Henrique e Paulo Renato entregaram a 20 professores da rede pública o Prêmio de Incentivo à Educação Fundamental. Cada um recebeu da Fundação Bunge um cheque de R$ 4.000, um diploma e um troféu como prêmio por suas iniciativas pedagógicas (Folha de S. Paulo)
O ministro Paulo Renato Souza, durante entrevista coletiva no Ministério da Educação, menos de uma hora depois da manifestação, disse que o protesto de ontem foi "lamentável", "antidemocrático" e "fascista". "O movimento dos professores é político e não reivindicatório", afirmou Paulo Renato, acusando uma ala de "ultra-esquerda" de radicalizar a greve. O ministro manteve a posição de não liberar os salários dos grevistas e disse que essa era uma decisão apoiada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. "Eu não acho justo pagar salário de quem não trabalhou", disse. A respeito da ação impetrada pelos docentes para conseguir o pagamento dos salários, o governo ainda não recebeu o pedido de informações do ministro Marco Aurélio de Mello, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), devido ao recurso dos professores. A liminar concedida pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), que garantia os salários, foi cancelada pelo STF. A avaliação do ministério é que os professores, sem vitórias judiciais e sem salários, não aguentarão permanecer em greve por mais um mês. O ministro garantiu que continuará participando de eventos públicos e que suas pretensões eleitorais não vão interferir em sua gestão: "Farei tudo o que for preciso, cause desgaste ou não". Após a interrupção do evento, a secretária do ensino fundamental, Iara Prado, exigiu dos manifestantes "desculpas públicas". (Folha de S. Paulo)
Em reunião na noite de ontem no Ministério da Educação, os servidores de apoio das universidades federais condicionaram o fim da greve ao pagamento de setembro e à sanção do projeto de lei que determinaria a incorporação total ao salário da Gratificação de Atividade Executiva (GAE). A incorporação foi aceita pelo governo, mas o MEC e a Federação de Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra) divergem nos cálculos. O governo disponibilizou R$ 500 milhões para fazer a incorporação da GAE. Desse total, a Fasubra entende que sobrariam R$ 26 milhões. A entidade quer a aplicação do valor na tabela. Hoje, às 17 horas, a federação volta a se reunir com a secretária de Ensino Superior do MEC, Maria Helena Guimarães de Castro, para discutir o assunto. Pela manhã, os sindicalistas se encontram com parlamentares da Comissão Mista de Orçamento. Paulo Renato demonstrou confiança em um desfecho favorável das negociações que vem mantendo com os servidores das universidades federais. Na sua opinião, a categoria deverá aceitar a proposta formulada pelo ministério e encerrar a greve nos próximos dias. (O Estado de S. Paulo)
A Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) está para receber do Banco Mundial (Bird) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento dois empréstimos de longo prazo (10 anos) no valor total de US$ 21 milhões, recursos que serão usados para ampliar instalações e atingir a meta de 30 mil alunos. Os financiamentos são casados. Do BID virão US$ 5 milhões e do IFC, braço do Banco Mundial para o setor privado, US$ 16 milhões. Como garantia aos financiadores, a Unisul dá a receita anual de R$ 90 milhões e as instalações de 104 mil metros quadrados em Palhoça, Tubarão, Araranguá e outras cidades do sul catarinense. Primeira universidade brasileira a receber um financiamento do IFC, a Unisul está correndo atrás da modernização, diz o reitor Gerson Luiz Joner da Silveira. Ela passou a encarar o ensino como um negócio em 1993, quando realizou seu primeiro plano estratégico. Tinha então quatro mil alunos matriculados. Hoje, tem 21 mil. Silveira diz ter achado o rumo quando fez uma concorrência para escolher o banco parceiro da universidade, há pouco mais de um ano. Até então, ela trabalhava com o Besc. Surpreendentemente, ganhou o Santander, que revelou apostar no ensino superior como um mercado estratégico. O Brasil tem atualmente 2,7 milhões de universitários, 70% matriculados em universidades particulares, pagando mensalidades de pelo menos R$ 300, o que representa, por baixo, R$ 600 milhões mensais ou mais de R$ 7 bilhões/ano. Um banco bem situado dentro de uma universidade particular tem meio caminho andado. Antes de fechar negócio com o Santander, a Unisul chegou a fazer com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um estudo visando receber investimentos de fundos imobiliários. Não prosperou. Segundo Silveira, tais fundos preferem investir em hotéis, hospitais e prédios comerciais. E, quanto aos bancos comerciais, não teriam se acostumado ainda a ver o ensino como um negócio. Por ironia, a Unisul chegou ao Santander por vias indiretas. Procurou o banco para convidá-lo a patrocinar seu time de vôlei, treinado por Renan, ex-jogador da Seleção Brasileira. O banco espanhol não quis saber do time de vôlei, mas mostrou interesse pela universidade. Já instalado nos campus da Unisul, o Santander dá bolsas aos professores em valor equivalente ao custo de um time de vôlei. Também oferece empréstimos habitacionais para professores. Sacando rápido, o Santander faz jogo de fundo de quadra, de olho nos números do Censo 2000: ele indica que 14% da população brasileira de 17 a 24 anos está na universidade. Na Argentina, essa percentagem é de 40%. Nos Estados Unidos e Canadá, 60%. A meta brasileira é chegar a 30% em 2010. Seriam hoje 6 milhões de universitários. Está em marcha uma revolução silenciosa na universidade brasileira, que se privatiza naturalmente. As universidades públicas estão com verbas congeladas, seus professores se aposentam e migram para instituições privadas, a pesquisa oficial está colocada em segundo plano e faltam recursos e projetos capazes de lhes dar condições de competir com as instituições privadas de ensino superior, administradas com uma óptica empresarial. O reitor da Unisul acredita que o governo quer levar as universidades públicas a cobrar mensalidades, como já acontece em outros países. O que segura o professorado na rede estatal e mantém algumas pesquisas são as fundações, que se tornaram mais ágeis na busca de recursos. Para prosperar numa conjuntura aparentemente favorável à privatização do ensino superior, a Unisul criou um modelo único no Brasil, afirma Silveira. Nela não há departamentos nem centros universitários. Ela só tem dois colegiados: o conselho universitário e a câmara de gestão. Cada curso é dirigido como unidade descentralizada e encarada como central de negócios. (Gazeta Mercantil)
A Universidade do Vale do Itajaí (Univali), a maior rede privada de ensino superior de Santa Catarina, está analisando o contrato pelo qual vai receber um empréstimo de US$ 10 milhões da IFC. Flavio Veloso, diretor de planejamento da universidade, orgulha-se de dizer que o financiamento já foi aprovado pelo comitê de crédito e a diretoria executiva do Banco Mundial. Segundo ele, no site da IFC na web consta que só 'falta a assinatura' do contrato. 'E olha que nós preparamos tudo sem consultoria', diz Veloso. Cautelosa, a direção da universidade mandou fazer uma avaliação final das condições do contrato, cujas condições vêm sendo negociadas há dois anos. O juro de 4% é considerado muito bom, mas a Univali teme a variação cambial, que se acelerou depois da destruição do WTC em Nova York. 'Se efetivar a negociação...', como diz o reticente Veloso, a universidade quer aplicar os recursos na expansão de suas instalações. A meta é alcançar 50 mil alunos em 2005. Com 11 anos como universidade (o primeiro curso superior começou há 40 anos), a Univale tem 31 mil alunos em Itajaí, Balneário Camboriú, Itapema, Tijucas, Biguaçu e São José, além de outras sete cidades. Em 1996 ela tinha 13 mil alunos. Em 2000, faturou R$ 104,3 milhões. (Gazeta Mercantil/Página B2) (Gazeta Mercantil)
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