| |||||||||||||||
|
Professores e funcionários das universidades e das escolas federais prometem entrar em greve no dia 30. O motivo da paralisação é o descumprimento dos acordos feitos entre as duas categorias e o governo para pôr fim à greve do ano passado. Leia mais
A comissão de Constituição e Justiça do Senado vota hoje (17/04) o projeto que institui cotas de ação afirmativa para a população negra no acesso aos cargos e empregos públicos, à educação superior e aos contratos do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES). Leia mais
Professores e funcionários das universidades e escolas federais prometem parar no dia 30 para protestar contra o descumprimento dos acordos feitos entre as duas categorias e o governo para pôr fim à greve do ano passado. Nos dois casos, um dos problemas é a liberação de um número menor de vagas para concurso que o combinado. "A paralisação faz parte de uma agenda maior dos servidores federais, que também devem parar dia 30, mas temos nossa agenda específica", disse Ana Lúcia Barbosa Faria, secretária do Andes, o sindicato dos docentes. O sindicato protesta contra a liberação de 500 vagas para concurso de contatação de professores e alega que o acordo previa 2 mil. Os funcionários têm reivindicações semelhantes. Ontem, por exemplo, portaria do Ministério do Planejamento autorizou a abertura de concurso para 2.200 funcionários, número bem menor que os 8.500 propostos pelo Ministério da Educação (MEC) à área econômica, que era dado como certo. Segundo o MEC, há um dispositivo legal que permite ampliar o número de vagas para 3.300. "Mesmo os 8.500 são insuficientes. Na verdade, o déficit é de 25 mil", diz Marcelo Rosa, coordenador da área de Educação da Fasubra, entidade que representa os servidores. Ele avalia que o quadro mais crítico é o dos hospitais universitários, onde a falta de pessoal é agravada por determinação de 2001 do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União, proibindo o pagamento de salários com verba do Sistema Único de Saúde. Cálculos da Fasubra indicam que em todo o País há 32 mil concursados nos hospitais universitários e 19.900 contratados com verba do SUS. Estes terão de ser repostos. A situação do hospital da Universidade Federal de Alagoas ilustra o que ocorre: 250 funcionários, que trabalham principalmente em áreas que requerem mais especialização (UTI neo-natal, por exemplo), recebem salários com verba do SUS. "Fizemos um acordo com a Procuradoria do Trabalho e temos prazo até março de 2003 para resolver o problema e contatar novas pessoas", diz o reitor Rogério Moura Pinheiro. No entanto, com a redução do número de vagas para concurso, ele teme não conseguir uma solução. A Secretaria de Ensino Superior do MEC informou que o corte do número de vagas feito pelo Planejamento é conseqüência de adequação à lei orçamentária. (O Estado de S. Paulo - 17/04/02)
A comissão de Constituição e Justiça do Senado vota hoje (17) o projeto que institui cotas de ação afirmativa para a população negra no acesso aos cargos e empregos públicos, à educação superior e aos contratos do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES). A proposta, de autoria do senador José Sarney (PMDB/MA), garante 20% das vagas das universidades públicas e do FIES à população afro-descendente. Segundo o projeto, a identificação da parcela que vai ter direito ao benefício se daria por autoclassificação do candidato ao cargo preterido. Para José Sarney, o "desfavorecimento da população negra constitui um dos mais claros quadros de injustiça social no Brasil". De acordo com o senador Romeu Tuma (PFL/SP), "a matéria é de extrema relevância e deve receber a aprovação da CCJ por consolidar uma política de inserção social necessária hoje no país". De acordo com a senadora Emília Fernandes (PT/RS), "essas ações afirmativas, embora pareçam discriminatórias em um primeiro momento, têm se mostrado extremamente necessárias". A parlamentar citou como exemplo as cotas para mulheres nas eleições de cargos públicos. Para ela, o projeto seria uma maneira de "acelerar a participação justa dos negros no acesso à educação". A senadora afirmou também que além da aprovação, é "importante que se pense no tempo de vigência desta lei para que se construa uma igualdade que hoje não existe no país", disse. Pesquisa do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) demonstrou que os negros constituem 80% da faixa dos mais pobres do país e 20% da parcela dos mais ricos. Entre outros dados, o estudo mostrou que apenas 2% dos professores universitários são negros e que afro-descendentes possuem, em média, 65% da renda da população branca. (Agência PontoEdu - 17/04/02)
"Há algo errado com uma ciência que há dois séculos discute ardentemente se deve ou não ´matematizar´ os seus procedimentos de construção e de exposição teórica. É uma velhota que se porta como adolescente às vésperas do primeiro baile: não sabe se os rapazes - a turma das ciências já consolidadas - vão tirá-la para dançar. Provavelmente levará tábua." Os comentários, de Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Faculdades de Campinas, que ele ajudou a fundar há dois anos, indicam que há muito se trata da questão, mas talvez nunca como agora estão evidentes os efeitos da "matematização" do ensino de economia no Brasil. Os cursos de graduação e pós-graduação passaram a dar nos últimos anos uma ênfase ainda maior em disciplinas com forte componente matemático. Um dos objetivos dessa "matematização" é a procura de maior rigor - segundo Belluzzo, "os economistas gostariam de ser os físicos das ciências sociais". Para muitos, estaria havendo um exagero no uso da matemática na economia. No livro "Conversas com Economistas Brasileiros", vários dos entrevistados concordam com essa avaliação - Paulo Nogueira Batista Júnior, da Fundação Getulio Vargas (FGV), por exemplo, ironiza que a Economia está se tornando um ramo "não muito nobre" da Matemática e da Estatística Aplicada. Belluzzo, por sua vez, comenta que "para explicar de maneira clara, muitas vezes você tem que usar um modelo matemático. Mas os economistas freqüentemente se esquecem de que a economia é uma forma de conhecimento que requer o confronto com a experiência". Além das razões históricas para que o ensino de economia seja periodicamente mais ou menos influenciado pela matemática, Carlos Azzoni, chefe do departamento de Economia da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo, tem uma explicação mais recente para essa tendência. Para ele, em parte o enfoque "matemático" dos cursos e dos projetos tocados por alunos e pesquisadores é conseqüência também dos critérios da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o órgão governamental que acompanha e avalia os cursos de pós-graduação, dando notas para esses cursos. Um dos critérios mais valorizados pela Capes nas suas avaliações é a publicação de trabalhos dos professores e alunos no exterior, mas hoje, segundo Azzoni, os brasileiros dificilmente conseguem que seus estudos sejam aceitos pelas revistas internacionais de economia de primeira linha a não ser que suas pesquisas sejam embasadas por cálculos matemáticos. Nos últimos anos, acentuou-se a tendência das publicações estrangeiras de não se interessarem por estudos sobre problemas de um país em desenvolvimento ou sobre questões regionais. Nesse contexto, têm maiores chances de publicação no exterior os trabalhos de econometria, a área da economia voltada à descrição de relações econômicas por meio de modelos matemáticos e à estimação dos parâmetros desses modelos, com uso de dados estatísticos. Um levantamento feito pelo próprio Azzoni comprova que os brasileiros que mais publicaram no exterior, nessa áreas foram os econometristas, com raras exceções. Como resultado disso, alunos e professores de economia se interessam cada vez mais por temas que podem ser medidas matematicamente, deixando de lado, dessa forma, trabalhos que enfoquem questões muito específicas do Brasil ou que não podem ser tratadas de forma adequadas por modelos matemáticos. Por isso, é mais fácil atualmente encontrar economistas que acompanham a conjuntura brasileira trabalhando em bancos e em consultorias do que nas universidades. Antonio Barros de Castro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) lembra, por sua vez, que os economistas mais identificados com escolas de pensamento à esquerda acabaram deixando de enfocar com maior freqüência os problemas brasileiros, nos últimos anos. Durante os anos de ditadura militar, estudar esses problemas era inclusive questão de honra; hoje, outros temas ganharam mais espaço nas universidades e na imprensa. A tendência de "matematizar" o ensino de economia não é, obviamente exclusiva do Brasul. Em outros países, notadamente na França, foram feitas manifestações de estudantes e de professores contra essa tendência. Um manifesto recente propondo um debate sobre o ensino de economia, escrito na França mas que passou a circular em muitos países, destaca que o uso da matemática na economia não deveria ser um fim em si mesmo, mas sim uma ferramenta a mais para os economistas. A polêmica foi enriquecida por contribuições economistas bastante conhecidos internacionalmente, como Robert Solow, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, e James K Galbraith,da University of Texas, com opiniões muito diferentes entre si. (Valor Online - 17/04/02)
O reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Roberto Cláudio Bezerra, defendeu que as universidades recebam mais recursos do ministério da Educação (MEC) para poder pagar as avaliações de seus cursos. Na semana passada, o MEC decidiu que passará a cobrar pela avaliação, realizada pelo governo gratuitamente. A partir de agosto, as federais terão de pagar entre R$ 6,5 e R$ 17,5 mil por cada curso avaliado. O valor do pagamento das avaliações será determinado pelo total de cursos avaliados, quanto mais cursos, mais dinheiro terá que ser gasto pelas instituições. "Tranqüilamente, as universidades precisarão de um reforço orçamentário para custear essa avaliação", disse o reitor, que toma posse na próxima terça-feira (23) como membro do Conselho Superior do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (INEP), órgão responsável pela avaliação do ensino superior. (Agência PontoEdu - 17/04/02)
A Universidade Federal da Bahia decidiu que o nome do novo reitor deverá ser revelado até o fim de maio. O conselho universitário da instituição aprovou a decisão de informar ao ministério da Educação (MEC) até o dia 24 do próximo mês a lista tríplice com o nome de três possíveis dirigentes para a universidade. Depois de composta a lista, no dia 13 de maio, os recursos poderão ser enviados ao conselho entre os dias 14 e 23 de maio. (Agência PontoEdu - 17/04/02) |
| |||||||||||||