|
|||||||||||||||
|
O Ministério da Educação anunciou que vai abrir sindicância para apurar as falhas no processo de seleção da Universidade Gama Filho, que aprovou um analfabeto em seu vestibular para a Faculdade de Letras. Leia mais
A adoção de cotas baseadas em critérios raciais não é consenso nem entre os negros. Pesquisa inédita realizada pelo Laboratório de Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) traduziu em números as impressões de 2.400 alunos e professores a respeito da reserva. Pelo levantamento, a rejeição entre os universitários negros é de 49,6%. Leia mais
O Ministério da Educação anunciou que vai abrir sindicância para apurar as falhas no processo de seleção da Universidade Gama Filho, que aprovou um analfabeto em seu vestibular para a Faculdade de Letras. No domingo, o "Fantástico" mostrou em reportagem que o mesmo pedreiro que fora aprovado em nono lugar no vestibular para Direito na Estácio de Sá, passou numa prova para Letras para a Universidade Gama Filho. Segundo o Ministro Paulo Renato, os dois episódios serviram de alerta e podem provocar mudanças nas regras dos vestibulares. O Ministro vai enviar esta semana ao Conselho Nacional de Educação propostas de alteração das normas. Ele quer que os processos seletivos obedeçam a três regras básicas: as universidades só deverão permitir a inscrição de alunos que já estejam matriculados no Ensino Médio; todos os vestibulares terão que ter redação e a nota da redação passará a ser eliminatória e não apenas classificatória, como acontece hoje. "Isto vai sinalizar para as universidades e para as escolas do Ensino Médio que eles terão que formar alunos que raciocinem, que saibam escrever", disse Paulo Renato. Na semana passada, o MEC já havia aberto sindicância para apurar as irregularidades do vestibular da Estácio de Sá. O Ministro disse, ainda, que o processo, que deve ser concluído em 30 dias, irá apurar se as duas universidades estão seguindo as normas do MEC no processo de seleção. "As normas determinam que as universidades só podem realizar um processo seletivo para ingresso. Elas não podem realizar vários vestibulares semanais até preencher a vaga, como estava acontecendo com a Estácio. Além disso, elas não podem aceitar que nenhum candidato "zere" a prova. Muitas faculdades fazem isso", afirmou o ministro. (O Globo)
Uma semana depois de mostrar como foi fácil o padeiro Severino da Silva, analfabeto, de 27 anos, passar em nono lugar no vestibular da Universidade Estácio de Sá, repórteres do "Fantástico", da Rede Globo, fizeram novo teste: inscreveram o padeiro e Gracilene Amaro da Silva, de 21 anos, empregada doméstica e também analfabeta, no vestibular da Gama Filho. As provas foram todas de múltipla escolha e sem redação. Resultado: os dois foram aprovados para o curso de Letras, que forma professores. O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, que num primeiro momento chamou de bobagem a aprovação do padeiro no curso de direito da Estácio de Sá, mudou de opinião na semana passada: anunciou a instauração de uma sindicância na Secretaria de Ensino Superior para investigar o processo de seleção de alunos daquela universidade. Ontem (16/12), após o novo teste do "Fantástico", o ministro Paulo Renato Souza foi mais além: através de sua Assessoria de Imprensa, informou que encaminhará nesta semana ao Conselho Federal de Educação um pedido para tornar os "processos mais rigorosos e rígidos na realização de vestibulares em universidades particulares". Gracilene nasceu na Paraíba e trabalha atualmente como empregada doméstica no Rio. Como o padeiro Severino, ela também está aprendendo a ler e a escrever. No vestibular da Universidade Gama Filho - uma das mais tradicionais universidades do Rio - contou ao repórter André Luiz Azevedo, do "Fantástico", que teve dificuldades para ler as questões e até mesmo para marcar as respostas. Segundo admitiu, suas limitações impossibilitaram que chegasse ao fim do exame com todas as respostas marcadas. "Deixei muita resposta em branco", informou a empregada doméstica ao repórter. Severino, que no vestibular da Universidade Estácio de Sá fora aprovado marcando, alternadamente, respostas "A" e "B", disse que mudou a técnica na prova da Gama Filho. "Marquei sucessivamente respostas "A", "B", "C", "D" e "E", como se estivesse preenchendo um cartão da mega-sena", disse o padeiro. O reitor da Universidade Gama Filho, Sérgio Dias, informou que encaminhou à Comissão de Vestibular da universidade novas propostas para os exames no vestibular da Gama Filho. Ele disse que já vinha estudando mudanças nos critérios das provas antes da realização do teste do "Fantástico". (O Globo)
A adoção de cotas baseadas em critérios raciais não é consenso nem entre os negros. Pesquisa inédita realizada pelo Laboratório de Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) traduziu em números as impressões de 2.400 alunos e professores a respeito da reserva. Pelo levantamento, dos 2.328 alunos entrevistados, 57,4% não concordam com as cotas. Entre os universitários negros, a rejeição é de 49,6%. A falta de consenso tem uma explicação. Um dos coordenadores da pesquisa, Pablo Gentili, diz que a implantação de cotas resolve apenas temporariamente o problema da exclusão da população negra. ''Hoje no Brasil só se discutem cotas. Não temos nenhuma sugestão de política de permanência dessa população.'' Se a reserva de vagas for implantada na Uerj, Gentili teme pela formação de guetos. ''A proposta é impositiva, gera rejeição e acaba sendo uma estratégia limitada de acesso.'' No Rio, um decreto do governador Anthony Garotinho estipula em 50% a proporção de vagas nas universidades estaduais reservadas a alunos que estudaram em escolas públicas. Desse universo, a Assembléia Legislativa ainda poderá separar 40% das vagas só para negros. Enquanto o estabelecimento de cotas não ganha abrangência nacional, a Universidade de Brasília (UnB) é a primeira do país a discutir formalmente a reserva de vagas para negros. O projeto está sendo preparado pelo professor do Departamento de Antropologia José Jorge Carvalho. A idéia é aplicar o sistema de cotas no vestibular de julho. Antes, a medida ainda tem de passar pelo Conselho Universitário. O provável é que a cota seja de 20%. ''A Reitoria discute a idéia de aumentar o número de vagas oferecidas para compensar as cotas'', diz a coordenadora do projeto, Dóris Faria. Se confirmar a reserva de vagas, a UNB, uma universidade federal, vai contrariar o ministro da Educação, Paulo Renato Souza. A única política de inserção do negro no ensino superior estudada pelo Ministério é a criação de cursos pré-vestibular específicos para afro-descendentes. ''Chega a ser constrangedor o ministro Paulo Renato Souza não reconhecer a falha de políticas universalistas na integração do negro'', critica o professor universitário José Jorge Carvalho. Falhas sempre existiram. O relatório Desigualdade racial no Brasil: Evolução das condições de vida na década de 90, preparado pelo Ipea, mostra que desde 1929, o tempo de estudo tanto de brancos como de negros vem aumentando. O que não muda é a diferença entre as duas etnias. Em 1929, um neto de escravo tinha dois anos de estudo; o branco, quatro. Depois de setenta anos, a diferença entre as duas raças continua proporcional. Agora, o jovem negro estuda 6,1 anos, enquanto o branco completa 8,4 anos de escola. Uma diferença de 2,3 anos. Nada porém que faça os estudantes se agarrarem à causa sem ressalvas. Negro, o estudante Daniel Silva, 20 anos, aluno do quarto semestre de matemática da UnB, diz ser contra a reserva de vagas. ''Acho que em vez de inserir, as cotas acabam gerando segregação'', afirma. Quem ainda sonha com a universidade, primeiro pensa em vencer os problemas do dia-a-dia. Colocar a mão no diploma é uma meta distante para alguém que mora a quase 42 quilômetros de distância da escola e acorda às 5 horas da manhã. É o caso de Ana Paula Sousa, 19 anos, estudante de 3° ano do ensino médio de uma escola pública de Brasília. Na sala de 36 alunos, são apenas quatro negros. (Jornal do Brasil)
Serão iniciadas em fevereiro as obras para instalação, já no segundo semestre do próximo ano, de uma 'Universidade da Mobília', em Arapongas, no norte do Paraná. A instituição vai ter cursos de design industrial, produção moveleira, manutenção eletromecânica, gestão de bens e serviços e informática, com três anos para graduação. Também haverá cursos rápidos de qualificação, com 60 a 100 horas de aulas. Serão aplicados R$ 3,2 milhões, já liberados pelo Ministério da Educação, R$ 1,7 milhão para equipamentos e R$ 1,5 para as obras civis com 3,4 mil metros quadrados de área construída. Haverá 1,2 mil vagas para graduação e mil vagas para qualificação. Segundo o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Móveis da cidade, José Roberto Pontalti, ' a desqualificação da mão-de-obra é um dos principais entraves à expansão do setor moveleiro paranaense. (Gazeta Mercantil) |
|
|||||||||||||