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Polícia apreende documentos e computadores do Instituto Brasileiro de Metodologia Especializada (IBME), denunciado por operar irregularmente. Mais de 1500 alunos recebiam diplomas sem frequentar as aulas, emitidos em nome de outra faculdade, que garante não ter nenhum vínculo com a IBME. Leia mais
Tanto as escolas quanto os estudantes deverão fazer suas inscrições pelo site do Ministério da Educação na Internet (www.mec.gov.br) ou pelo endereço eletrônico da Caixa Econômica Federal (www.caixa.gov.br/fies). O candidato ao crédito educativo deve imprimir o protocolo de inscrição em duas vias e apresentá-lo na faculdade para que seja aditado (validado), caso contrário, a inscrição não será confirmada. O aditamento deve ser feito até 25 de março. O Fies financia até 70% do valor da mensalidade, cabendo ao aluno assumir o pagamento dos 30% restantes. O estudante tem que começar a amortizar o financiamento durante o curso, pagando, a cada três meses, uma parcela dos juros (9% ao ano), limitada a até R$ 50. A quitação do valor financiado começa a ser cobrada um ano após a conclusão do curso. Nos primeiros 12 meses, o estudante pagará o equivalente ao valor não financiado da mensalidade, ou seja, os 30% que até então eram pagos para a faculdade. O saldo devedor restante será parcelado em até uma vez e meia o tempo de permanência no programa. A seleção de candidatos ao Fies leva em consideração o perfil socioeconômico do estudante. Atualmente, 151 mil alunos são financiados pelo Fies no País. (Diário
de S. Paulo)
Tudo teria saído perfeito não fosse a Delegacia Regional de Ensino (Leste 4) suspeitar do certificado de conclusão do curso apresentado pela professora. O documento foi emitido em nome de outra instituição, a Faculdade do Oeste Paulista (Unoeste), de Presidente Prudente (SP). A faculdade, no entanto, garante não ter nenhum vínculo com o IBME. "Esse é um caso explícito de estelionato. Não temos nenhum convênio com essa escola. É tudo falso", esclarece Manoel da Silva Filho, advogado da instituição. Rosália, que no final do ano passado correu o risco de ser acusada de crime de falsificação de documentos, se diz surpresa. "A reitora me garantiu que tinha uma parceria com a Unoeste. Jamais imaginei parar na polícia por ter feito um curso que julgava sério", alega. Com base nos documentos e declarações apresentados por Rosália, a polícia passou a investigar o IBME. Um dos policiais se apresentou como interessado num curso e teve a garantia de que em dois anos estaria com o diploma nas mãos. Bastava aparecer por lá duas vezes por mês (ao que parece, a informação varia de acordo com o freguês). Em dezembro, com um mandado de busca e apreensão, a polícia recolheu documentos e computadores da instituição e os encaminhou à perícia. "A relação de alunos chega a 1.500. Dezenas deles já prestaram depoimentos", diz o delegado João Lopes Filho, titular do 21º Distrito Policial de São Paulo, onde o caso foi registrado. Além do inquérito, de número 750/01, que está no fórum criminal, um outro processo - esse administrativo -, corre na Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. O órgão quer saber se houve má-fé também da professora. Quando ISTOÉ relatou o golpe do instituto - também conhecido como Faculdades Integradas de Filosofia, Teologia, Ciências Humanas e Sociais (Faifitechs) -, o assunto foi classificado pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza, como caso de polícia, já que a instituição não era credenciada pelo MEC. Solicitou à Procuradoria Geral da República, de São Paulo, a abertura de inquérito. Desde então, em tese, o IBME está sob investigação, mas nenhuma medida foi tomada. Naquela data, os contatos eram feitos na casa do professor Bilian Dias, de São Paulo. "A única coisa que fazemos aqui é a matrícula dos alunos", justificou-se ele. Com a professora Rosália, porém, os trâmites foram ainda mais simples. Em outubro de 1998, ela se matriculou por telefone. A professora Maria Aparecida Vianna, que se apresentava como reitora da faculdade, garantiu que ela precisava comparecer à escola apenas para as provas. Nem isso aconteceu. Rasália concluiu o curso em dezembro de 1999. Os pagamentos eram feitos por boleto bancário e as apostilas com exercícios e sugestões de trabalhos, recebidos em casa. "Eu respondia e enviava pelo correio", conta Rosália, que, na época, achou muito prático. Vale ressaltar que o problema não é o ensino ser à distância. Todo e qualquer curso deve estar sob os critérios do Ministério da Educação. E pelo menos as provas e as avaliações têm que ser presenciais. A lista dos estudantes que entraram na onda do diploma fácil é extensa. Em dezembro ainda era possível ver dezenas de ônibus cheios de alunos vindos de toda parte do Estado. "Quando temos que cumprir a aula presencial, fica todo mundo na mesma sala. Não importa se o curso é de geografia, história ou matemática", conta uma outra professora, também "aluna" do instituto que não quis se identificar. A proliferação desse tipo de curso pelo País fez surgir uma nova categoria de trabalhadores: os agenciadores. São Paulo, por exemplo, foi dividida por regiões. Em cada uma delas atua um desses "profissionais". "Quando procurei o agenciador para fazer matrícula, a primeira pergunta foi em que região eu morava. Explicou que era para não invadir o espaço do "colega de trabalho", conta Josineide Tavares de Melo, outra quase vítima do diploma fácil. Em janeiro passado, Josineide fez matrícula para o curso de licenciatura plena em geografia e deveria cursá-lo na Universidade Iguaçu (Unig), no Rio de Janeiro, apesar de morar em São Paulo. Dias depois, foi informada que o curso da Unig havia sido cancelado, mas ela poderia fazê-lo em outra faculdade em sua própria cidade. "O professor Walter, que fez minha matrícula, me indicou o IBME e disse que era o mesmo esquema. Ou seja, tinha de ir lá uma vez por mês e tudo bem", relata Josineide. O professor Walter Alves Pereira é um dos agenciadores. Dono da agência Dine-Tur Passeios Pedagógicos, que faz a divulgação dos cursos do IBME em escolas públicas e particulares de São Paulo, ele também organiza caravanas para a Unig (RJ) e para o IBME. Josineide só não entrou nessa fria porque as aulas foram adiadas e, como não tinha prazo para recomeçar, decidiu cancelar a matrícula. "Fiquei sabendo que estavam investigando a escola, mas a direção alegou que eram problemas internos. Pedi, então, reembolso do que havia pago (R$ 320). Consegui só os R$ 70 do ônibus. A matrícula não me deram. Entrei na Justiça contra a faculdade", conta. Procurada pela reportagem de ISTOÉ, a responsável pelo IBME, Maria Aparecida Vianna, não quis dar nenhuma declaração. Pelo que parece, ela conta a seu favor com a morosidade da Justiça, com a falta de fiscalização mais rigorosa do governo e, claro, com a ilusão das pessoas de achar que conhecimento se compra no balcão. (Isto É) |
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