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O Ministério da Educação criou regras para os vestibulares do país, entre elas, a obrigatoriedade de uma prova de redação de caráter eliminatório. As medidas entram em vigor em janeiro do próximo ano e já devem ser incluídas nos vestibulares realizados para o ingresso de alunos para o segundo semestre de 2002. Leia mais
As universidades públicas dominam o guia brasileiro dos cursos considerados "número um" em diferentes áreas. Dos 20 cursos que receberam a média mais elevada no Exame Nacional de Cursos (Provão), 16 são oferecidos por instituições estaduais e federais. Leia mais
O Ministério da Educação, por meio de uma portaria que será publicada hoje (18/12) no "Diário Oficial" da União, modificou as regras do vestibular, que agora deverá ter necessariamente prova de redação de caráter eliminatório. De acordo com a portaria, as instituições de ensino superior deverão fixar no edital do processo seletivo a nota mínima exigida na redação. As medidas da portaria entram em vigor em janeiro do próximo ano e devem ser incluídas já nos vestibulares realizados para o ingresso de alunos para o segundo semestre de 2002. O MEC informou que qualquer vestibular realizado fora das novas normas não será válido. O ministério tomou essas medidas em resposta a duas reportagens veiculadas no "Fantástico", da Rede Globo, que mostraram que um semi-analfabeto, o padeiro Severino da Silva, foi aprovado nos vestibulares das universidades Estácio de Sá e Gama Filho, no Rio. O padeiro, que marcou apenas as alternativas A e B em todas as questões de múltipla escolha e deixou a redação em branco, foi aprovado em nono lugar para o curso de direito da Estácio de Sá. Na semana passada, o ministro Paulo Renato (Educação) havia dito que não havia problema em um analfabeto passar no vestibular, pois, segundo ele, em uma prova de múltipla escolha, isso pode acontecer. Ontem (17/12), porém, o ministro disse que assinou a portaria "para acabar com a polêmica". Segundo Paulo Renato, "o analfabeto ter passado no vestibular foi um feito jornalístico, e não educacional". Por isso, aproveitou o fato para corrigir algumas distorções dos processos seletivos. A portaria traz outros pontos. Só serão aceitas nos vestibulares as inscrições de candidatos que estejam cursando o ensino médio ou que possuam o certificado de conclusão desse nível de ensino. As instituições de ensino superior só poderão realizar no máximo dois vestibulares por ano. O MEC quer evitar casos como o da Estácio de Sá, que realiza vestibulares até preencher todas as vagas. O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) deverá fazer parte necessariamente do conjunto de requisitos ou provas dos vestibulares para os estudantes que ingressarem nas universidades a partir de 2003. Essa medida vale apenas para as faculdades isoladas, as faculdades integradas e os centros universitários. Segundo o ministério, cada instituição definirá qual percentual da nota obtida pelo aluno no Enem será utilizada para a classificação no vestibular. Quanto à reclamação de algumas faculdades de que é caro incluir a redação no processo seletivo, Paulo Renato disse que elas poderão utilizar a redação do Enem como critério de aprovação em seus vestibulares. (Folha de S. Paulo)
Aprovado em nono lugar no vestibular de direito da Universidade Estácio de Sá, o padeiro semi-analfabeto Severino da Silva passou também na seleção da Universidade Gama Filho, ambas no Rio. Na mesma prova, foi aprovada a empregada doméstica Gracilene Amaro da Silva, analfabeta. Eles obtiveram vaga em letras, curso que forma professores. Reportagem exibida anteontem (16/12) no programa "Fantástico", da Rede Globo, mostrou que Gracilene teve dificuldade para ler as questões e até para marcar as respostas. "Deixei muitas em branco", disse na TV. O reitor da Gama Filho, Sérgio Dias, prometeu que, já no vestibular de 2002, no dia 13 de janeiro, a prova terá a exigência, em caráter eliminatório, de uma redação ou de um texto dissertativo para interpretação por parte dos candidatos. Até então, a prova de acesso à universidade tinha só questões de múltipla escolha. "O que ocorreu nos serviu de alerta. Vimos que, por golpe de sorte, qualquer pessoa pode passar numa prova como a que estávamos acostumados a fazer." O padeiro, que no vestibular de direito optou por marcar alternadamente as respostas A e B, desta vez mudou de tática. "Marquei sucessivamente respostas A, B, C, D e E", disse. Além da exigência de prova de redação ou interpretação de texto, a comissão de vestibular da Gama Filho estuda outras propostas para as provas de acesso, segundo o reitor. Uma delas é adotar um padrão mínimo de rendimento na prova de múltipla escolha. "A gente já eliminava quem tirava zero. Agora, vamos decidir qual a nota mínima que o candidato terá que obter para ser aprovado", disse Dias. Segundo o reitor, existe ainda a possibilidade de a universidade estabelecer pesos diferenciados às questões objetivas. "Um candidato à vaga no curso de engenharia teria questões de matemática com peso maior que o das outras matérias." A terceira proposta nem mesmo o reitor sabe explicar. "Seria a análise das questões da prova de múltipla escolha por meio de configuração das respostas apresentadas individualmente por cada candidato. É uma técnica de psicometria moderna, conhecida por teoria da resposta ao item. É uma questão muito complexa, e eu não sei explicar porque não sou dessa área." (Folha de S. Paulo)
O índice de abstenção do segundo dia do vestibular da Vunesp (Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista), realizado ontem (17/12), aumentou em relação a domingo, ficando em 10% -8.551 dos 85.885 inscritos. No primeiro dia de provas, 7.456, ou 8,7% dos inscritos não fizeram a prova. Os candidatos fizeram ontem a prova de conhecimentos específicos, elogiada pelos professores do Objetivo. Na avaliação deles a prova apresentou nível de dificuldade médio. Hoje haverá prova de língua portuguesa, com dez questões discursivas e uma redação dissertativa. Os portões dos locais de prova serão abertos às 13h30 e fechados às 14h. Candidatos que chegarem atrasados não poderão fazer o exame. Após a prova, confira no Fovest Online a correção feita pelos professores do Objetivo. A lista de aprovados na Vunesp será divulgada no dia 8 de fevereiro, e a matrícula acontecerá nos dias 18 e 19. A Fuvest divulga a lista de candidatos aprovados na primeira fase amanhã. (Folha de S. Paulo)
Fazer prova, estágio ou pegar o diploma está se tornando uma tarefa impossível para alguns estudantes de São Paulo. A inadimplência nas faculdades particulares do Estado está em 21,56%, a maior desde 1999, quando foi de 22,15%. O índice é resultado de uma pesquisa do Semesp (sindicato das faculdades particulares de São Paulo). O não-pagamento das mensalidades está fazendo com que as faculdades restrinjam a vida acadêmica dos alunos, até mesmo impedindo que assistam às aulas. As restrições estão gerando protestos em várias faculdades. Por lei, o inadimplente não pode ser submetido a nenhuma punição pedagógica e tem direito a toda a documentação curricular e à transferência para outra instituição. Este ano, só em setembro e outubro, foram 656 consultas e 96 reclamações ao Procon-SP (Fundação Procon de São Paulo) sobre reajustes e cobranças indevidas por escolas e faculdades. O número elevado de reclamações fez a UNE (União Nacional dos Estudantes) lançar uma cartilha neste ano divulgando os direitos dos estudantes. O material faz parte de uma campanha da entidade pela diminuição das mensalidades e contra a criminalização da inadimplência. Segundo o diretor de universidades particulares da UNE, Gustavo Petta, o objetivo da campanha - que tem o mote "universidade não é supermercado"- é conscientizar os estudantes e alertar os donos de faculdades sobre o risco de perderem os alunos. De acordo com o professor Hermes Ferreira Figueiredo, presidente em exercício do Semesp, a recomendação do sindicato é que as faculdades não adotem índices maiores do que o IGPM (Índice Geral de Preços de Mercado), que, segundo a Fundação Getúlio Vargas, é de 10,84% até novembro. Segundo a advogada Maria Cecília Rodrigues, técnica da área de serviços do Procon-SP, a lei não determina um índice de reajuste, mas as instituições só podem aumentar a mensalidade se apresentarem uma planilha de custos até 45 dias antes da matrícula. Segundo o sindicato, a maioria das universidades tem adotado reajustes abaixo do IGPM -é o caso da Faculdade Cásper Líbero (7,89%), Uninove (8%), Unip (8%) e Unibero (9%). No caso das escolas particulares de ensino infantil, fundamental e médio, os índices variam de 7% a 20%. Nos colégios Rio Branco e Vera Cruz, os reajustes são maiores que o IGPM -12% no primeiro caso e 11% no segundo. Os diretores das escolas alegam que o aumento de custo dos salários e os investimentos na infra-estrutura das unidades são os principais motivos do reajuste. (Folha de S. Paulo)
Patrícia Cardoso Pierette, 30, formada em psicologia pela Universidade de Guarulhos em 1996, afirma que até hoje não pode exercer a profissão porque ainda não conseguiu pegar seu diploma. Patrícia está devendo dez mensalidades para a universidade e não conseguiu um acordo para poder pagar. "Perdi várias oportunidades de emprego porque não tenho diploma", afirma. A dívida, que na época era de R$ 3,8 mil, com os juros e as multas, já chega a mais de R$ 7 mil, segundo Patrícia. "Eles me fizeram duas propostas, dar uma entrada de 30% do valor e pagar o resto em cinco prestações ou dar uma entrada de 40% do valor e pagar o resto em sete prestações", diz. Para Patrícia, as duas alternativas são inviáveis. Ela procurou a UNE e foi orientada a fazer uma contraproposta para a universidade. "Sugeri que me deixassem pagar duas disciplinas e esperassem, até que pudesse pagar o restante", afirma. Segundo o advogado William Adib Dib Junior, que representa a Universidade de Guarulhos, não há impedimento para que Patrícia pegue o diploma. "Os casos mais antigos, como o dela, costumam ser negociados de forma mais acessível", afirma o advogado. (Folha de S. Paulo)
A Capes (Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) do Ministério da Educação invalidou o curso de mestrado em educação da USF (Universidade São Francisco), em Bragança Paulista (83 km de SP). Com a decisão, 80 alunos que fizeram o curso de 94 a 99 tiveram seus títulos de mestre invalidados e terão de refazer o mestrado. A informação foi confirmada ontem pelo pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da USF, Marcos Cezar de Freitas. Segundo ele, o curso não atendia às exigências da Capes - tinha só uma modalidade de ensino (metodologia do ensino superior). "A Capes determinou que o curso tenha mais três áreas: história da educação, cultura escrita e matemática e conhecimento escolar." O responsável na Capes pela decisão não foi localizado ontem pela Folha. Os ex-alunos terão de fazer novas disciplinas para concluir o mestrado na USF. Freitas disse que as alterações curriculares foram feitas no início de 2000, mas a USF informou os ex-alunos do curso só em outubro deste ano. "O curso não estava irregular, mas não era recomendado pela Capes. Desde o ano passado, está tudo correto", disse Freitas. Os ex-alunos não pagarão pelas aulas. "É o mínimo que podem fazer para compensar o absurdo. Você inicia um curso confiando na credibilidade da universidade e nunca imagina que o título pode ser invalidado", disse uma ex-aluna que não quis se identificar. (Folha de S. Paulo)
As universidades públicas dominam o guia brasileiro dos cursos considerados "número um" em diferentes áreas. Dos 20 cursos que receberam a média mais elevada no Exame Nacional de Cursos (Provão), 16 são oferecidos por instituições estaduais e federais. O ranking baseado em dados do Ministério da Educação conta com 13 centros de referência na Região Sudeste, sendo 7 no Rio de Janeiro e 3 em São Paulo e em Minas. Na lista aparecem os cursos de administração e agronomia, da Universidade de São Paulo (USP), e engenharia civil, do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), de São José dos Campos. A Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) lideram a relação, com três cursos cada. No câmpus de Porto Alegre estão os melhores cursos de Pedagogia, Psicologia e Engenharia Química. "A universidade procura formar um profissional que domine as técnicas científicas sem deixar de olhar para o seu meio social", afirma a reitora gaúcha Wrana Panizzi. Wrana ressalta a "teimosia" e a "persistência" dos diferentes setores da universidade para integrar as áreas de ensino, pesquisa e extensão e buscar um projeto acadêmico avançado. Na lista dos "gigantes", apareceu o desconhecido Centro Universitário Plínio Leite. A instituição de Niterói, no Rio, apresentou o curso de letras com a melhor média no Provão, com 61,6%. A chefe do Departamento do centro, Leonila Murinelli, diz que o curso é noturno e atende estudantes "trabalhadores". (O Estado de S. Paulo) |
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