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O Exame Nacional de Cursos, o Provão, deixará de classificar as escolas pelos conceitos de A a E. Na próxima edição do exame, a ser realizada em junho, com cerca de 500 mil estudantes, as médias das notas recebidas em cada curso serão divulgadas em escala de zero a 100 pontos. Leia mais
O MEC (Ministério da Educação) está estudando novas formas para enfrentar as ofertas de cursos ilegais de mestrado e doutorado no país. Como não possuem registro no Ministério são, muitas instituições brasileiras deveriam ser impossibilitadas de operar. Leia mais:
O Exame Nacional de Cursos, o Provão, deixará de classificar as escolas pelos conceitos de A a E. Na próxima edição do exame, a ser realizada em junho, com cerca de 500 mil estudantes, as médias das notas recebidas em cada curso serão divulgadas em escala de zero a 100 pontos. O objetivo da medida, segundo o presidente do Instituto de Pesquisa e Estudos Educacionais (Inep), Otaviano Helene, é dissipar qualquer impressão de que a nota A, por exemplo, referenda um curso "muito bom". Os avaliadores do MEC agrupavam as notas de todos os cursos e isso gerava certas distorções; no ano passado, o conceito A em Medicina significava uma média de acertos de 52 pontos, enquanto em Engenharia Civil o mesmo conceito era obtido por cursos que obtiveram notas acima de 33 pontos. Segundo a atual direção do Inep, os conceitos mascaravam o desempenho de alguns cursos. A mudança nos critérios de notas do Provão foi recebida como um "amadurecimento" natural do processo de avaliação pelos técnicos que na gestão anterior desenvolveram o exame - o Provão é aplicado desde 1996. Maria Helena Guimarães Castro, que dirigiu o Inep por seis anos e foi uma das principais responsáveis pela criação do exame, ponderou que as discussões no MEC, desde a revisão da metodologia do teste em 2000, já previam a mudança para uma escala numérica na divulgação das notas do Provão. O fato revela continuidade em torno de certos princípios, o que é saudável. O que importa é que a mudança preserva - e de certa forma aprimora - a "cultura de avaliação" que o governo Fernando Henrique Cardoso trouxe para a Educação brasileira. O ministro Cristovam Buarque já disse mais de uma vez que pretende manter intacta essa cultura, especialmente no que diz respeito ao ensino superior. O objetivo essencial do Provão é "fazer comparações". O exame avalia a escola, o curso e de certa forma o desempenho dos professores e alunos, sempre coletivamente. A divulgação da nota obtida individualmente no teste é assunto privativo de cada estudante. As piores médias do Provão estão nos cursos de Matemática, Letras, Biologia, Física e Química, todos cursos que visam à preparação para o magistério no ensino básico e médio. No último Provão, no curso de Matemática, o conceito A poderia ser obtido com o acerto de apenas 24 pontos em 100. Em certos cursos apresentados com alta nota de corte nos vestibulares, Medicina por exemplo, obter pouco mais de 20% de acertos na prova poderia significar um conceito intermediário. É fato que o Provão também mostra que existem centros de excelência no ensino superior brasileiro. Com o exame é possível saber que mais de dois terços dos melhores cursos estão em universidades públicas, da mesma forma que é possível separar o joio do trigo no ensino superior privado. É preciso lembrar, porém, que o Provão é o cerne da lei que redefiniu as atribuições do Conselho Nacional de Educação para o credenciamento de cursos, extinguindo o antigo método de credenciamento que não comportava avaliações objetivas como a nota do Provão. Apesar disso, cursos que obtiveram conceitos E por três edições seguidas do Provão não foram "fechados" durante a gestão anterior no MEC, por diversas razões. O rigor que a nova direção do Inep pretende dar à divulgação de notas do exame talvez ajude na adoção dessa medida extrema, mas necessária. Em poucos meses, saberemos se a atual direção do Inep conseguirá manter esse rigor onde ele é mais necessário. (O Estado de S. Paulo - 19/05/03)
O Ministério da Educação está estudando novas formas de divulgação para enfrentar o problema da oferta ilegal no País de cursos de mestrado e doutorado sem registro no Ministério, portanto impossibilitados de operar. (Último Segundo - 17/05/03)
Novos cursos de pós focam perfis específicos e separam gestores experientes de recém-formados Na mesma classe, o presidente de uma empresa senta-se ao lado de um trainee ainda pouco experiente. Apesar de estudarem juntos, cada um tem expectativas e demandas de aprendizado diferentes e, por isso, tendem a ser colegas de classe "incompatíveis". O cenário, contudo, é real em diversos cursos de MBA (Master in Business Administration), já que o único ponto geralmente comum entre diretores e trainees é que ambos querem fortalecer o currículo com a sigla. Cientes da disparidade, escolas de negócio agora incluem entre os certificados oferecidos os que funcionam como espécies de "pré-MBAs" (para gestores iniciantes) e "pós-MBAs" (para os mais veteranos). As novas modalidades de estudo compreendem cursos de pós-graduação generalistas. "Os MBAs viraram commodities no Brasil: ao serem exigidos para empregabilidade, proliferaram e perderam o espírito de mestrado estratégico, voltado para pessoas com experiência", analisa Paulo Tarso Rezende, 39, diretor-acadêmico do Ibmec de Minas Gerais. Segundo ele, o mercado exige do inexperiente um certificado de pós-graduação, e não um MBA. Seguindo essa linha, a instituição lançou neste ano a PGN (Pós-Graduação em Negócios), destinada a recém-formados. O curso é voltado à formação para o mercado de trabalho. Cerca de 20% dos créditos podem ser aproveitados para o MBA da escola. Escolas como a ESPM
-do Rio de Janeiro e de São Paulo-, o Ibmec do Rio, a Business
School São Paulo e a Fundação Getulio Vargas de São
Paulo também oferecem cursos para profissionais sem muita experiência.
O objetivo é a capacitação para funções
gerenciais (veja quadro na pág. 3). Para o diretor-geral do Instituto de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), João Carlos Ferraz, 49, por trás dos objetivos acadêmicos há uma preocupação das escolas em não perder alunos com o aumento da concorrência. "O mercado foi inundado por cursos de MBA, que se tornou uma marca de fantasia, sem correspondência com sua origem americana, de mestrado "stricto sensu". Com isso, as escolas começam a definir segmentos para tentar se diferenciar. É uma estratégia de marketing." Cláudio de Moura Castro, 64, economista e presidente do conselho consultivo da Faculdade Pitágoras, discorda. "São cursos que prestam atenção em seus alunos. Por que a pessoa de 30 anos tem de ter o mesmo curso daquela de 18? São perfis diferentes", avalia. Em São Paulo, o Ibmec oferece, desde 2002, o CBA (Certificate in Business Administration), nos mesmos moldes de sua PGN, mas com duas áreas de concentração: gestão de negócios e de finanças. "O aluno troca anos de experiência pelo CBA. Fazemos uma espécie de simulador de vôo com ele", afirma VanDyck Silveira, 30, coordenador do curso. Entre os alunos, as mulheres ocupam 40% das cadeiras -fato raro nas classes de educação executiva. Básico do básico A arquiteta Fernanda Dabbur, 30, é uma dessas alunas. Por administrar seu próprio escritório, ela diz que sentiu necessidade de saber mais sobre gestão e finanças, mas nem cogitou fazer um MBA. "Eu nem sabia usar a calculadora científica. Tive de pegar um livro para entender", conta. Agora, mais habituada a cálculos e a teorias administrativas, Dabbur, que concluirá o curso em julho, afirma que já pensa em fazer MBA, mas não logo após o CBA. "Se fizesse agora, repetiria muito do que já aprendi. Ele pode servir melhor como uma atualização daqui a alguns anos", diz. Marcos Rodrigo Silva, 29, gerente de produtos da Telefônica Empresas, já tem experiência em decisões estratégicas, mas optou por fazer um curso mais básico para poder cursar o MBA Gestão Empresarial da FIA (Fundação Instituto de Administração). O MBA é uma complementação destinada a quem já fez o curso de especialização chamado Capacitação Gerencial, que dura um ano e meio: o aluno estuda mais seis meses e obtém os dois títulos. "No início, achei que iria repetir muita coisa, mas vi que os conceitos vão evoluindo. Encaro o curso Capacitação Gerencial como um tempo de maturação para o MBA: assim reciclo conhecimentos e já tenho contato com os futuros colegas do MBA", pondera Silva. Formado em engenharia, ele fez vários cursos rápidos de especialização antes de entrar na FIA. (Folha de S. Paulo - 19/05/03)
Alunos do curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) promovem nesta manhã uma passeata pelo centro da cidade. O destino final do grupo é o Fórum municipal, onde o promotor Fuad Faraj vai impetrar uma ação cível pela suspensão do decreto estadual que determinou o fechamento do curso. As aulas foram encerradas na semana passada. Pelo decreto, publicado na terça-feira no Diário Oficial, os 40 alunos de Medicina serão transferidos para as universidades estaduais de Maringá, Londrina e Cascavel. O governador Roberto Requião alegou que o estado não tem condições de manter o curso, criado em 2001. A faculdade já recebeu R$ 4 milhões em investimentos, mas ainda assim não atende às exigências do Ministério da Educação para funcionar. A manifestação dos alunos recebeu apoio de outros cursos. São cerca de 300 pessoas na passeata. Não há maiores incidentes, apenas o congestionamento do trânsito. Para quarta-feira, o grupo pró-medicina promete uma carreata com cerca de 100 ônibus em direção a Curitiba, para um protesto no Palácio Iguaçu, sede do governo estadual. (O Globo - 19/05/03)
Brancos na sua maioria e candidatos mais prováveis a conquistar as vagas das universidades públicas, 85% dos jovens das classes A e B são contra o sistema de cotas para negros ou alunos carentes. Poucos (9%) concordam com a reserva de vagas apenas para estudantes do ensino médio público. O sistema, em discussão em vários Estados brasileiros, já está em vigor em universidades do Rio de Janeiro e da Bahia. Parte das vagas no vestibular das instituições estaduais é disputada apenas por estudantes negros e comprovadamente carentes. Alunas do 3.º ano do ensino médio, Andrea Krohn e Elisa Machado, ambas de 17 anos, consideram as cotas um mero paliativo. Para elas, o problema é estrutural. "A educação pública tem de ser melhor, ser uma prioridade para o governo", disse Elisa. "Raça é um conceito tão discutível hoje em dia, que está deixando de existir. Somos todos iguais, não existem uns mais ou menos que os outros", afirmou Andrea. As duas acreditam que a educação precisa melhorar, e muito, para resolver problemas como o acesso à universidade pública. "Tem de acabar com essa história de aprovação automática só para aparecer nas estatísticas", disse Elisa. Mesmo entre estudantes mais novos as cotas não são bem vistas. Fernando Ciosak Saqueto, de 14 anos, ainda tem alguns anos pela frente antes do vestibular, mas sua opinião sobre o sistema já está formada. "Os direitos têm de ser iguais para todos." Esses mesmos estudantes concordam com a gratuidade das universidades públicas (73%). Apenas 10% deles acham que o ex-aluno deveria realizar serviços para a comunidade como forma de retribuir os gastos com seu ensino superior. E 8% disseram que os estudantes de universidades públicas que tivessem condições financeiras para pagar a mensalidade deveriam fazê-lo. Mais de 40% dos pais e das mães dos entrevistados na pesquisa cursaram ensino superior: 23% deles são hoje empresários, 14% profissionais liberais e 10% funcionários públicos. A maior parte dos alunos, atualmente no ensino médio e em cursinhos, espera qualidade de ensino e bons professores (42%) quando chegarem à universidade. O trabalho, que ouviu alunos entre os dias 28, 29 e 30 de abril, foi divulgado ontem durante a feira Educar/Educador 2003. O evento mostrou, entre quarta-feira e ontem, novidades na área de tecnologia para equipar as escolas, além de organizar palestras com educadores. (O Estado de S. Paulo - 18/05/03) |
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