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O governo federal lança hoje (19/12) um programa para incentivar mudanças nos currículos dos cursos de Medicina oferecidos no país. A idéia é financiar projetos de inovação curricular que trabalhem a formação de um médico com perfil generalista e não apenas dedicado à especialização, como ocorre atualmente. Leia mais
O Ministério da Educação pesquisou o tempo de permanência dos mais de 271 mil estudantes que se submeteram ao Provão 2001. A maioria dos cursos avaliados registrou índices de permanência de 15% a 35% durante a última meia hora do exame. O prazo determinado para a entrega das provas é de quatro horas. Leia mais
O Governo lança hoje (19/12), na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), um programa para incentivar mudanças nos currículos dos cursos de Medicina oferecidos no País. O Programa de Incentivo a Mudanças Curriculares dos Cursos de Medicina vai financiar projetos de inovação curricular que modifiquem a orientação dos cursos. O objetivo dos projetos, que serão selecionados em edital, é estimular a formação de médicos com perfil generalista e não médicos que se dedicam à especialização. Essas mudanças foram definidas nas novas diretrizes que o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou em agosto para os cursos de Medicina, Enfermagem e Nutrição. Embora não tenham sido homologadas pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza, as novas diretrizes deverão ser seguidas pelas instituições que desejarem passar a oferecer Medicina. Segundo a assessoria de imprensa da Unifesp, as mudanças devem aumentar a quantidade de atividades práticas do formando, além de articular essas atividades com o sistema hospitalar local. Em 1999, a Comissão Interinstitucional Nacional de Avaliação do Ensino Médico (Cinaem) realizou um levantamento que mostrou que os estudantes brasileiros de Medicina chegam ao período de residência com domínio de cerca de 51% do conteúdo básico do curso. Os alunos da região Nordeste apresentam os piores índices, com somente 39,43% de conhecimento. O teste foi aplicado em mais de 22 mil alunos, de 60 escolas médicas públicas e privadas do Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Educação Médica, o Brasil tem 92 escolas de medicina, que oferecem quase nove mil vagas por ano. Hoje, estarão na Unifesp o diretor da Secretaria de Educação Superior do MEC, (Luiz Roberto Curi, o chefe de gabinete do ministro da Saúde, Otávio Mercadante, e a presidente da Associação Brasileira de Educação (Abem), Regina Stella, além de diretores de 60 escolas médicas do país. O objetivo do encontro será discutir o edital que selecionará os projetos que vão propor mudanças no ensino de Medicina no País. (Agência PontoEdu)
O Ministério da Educação pesquisou o tempo de permanência dos mais de 271 mil estudantes que se submeteram ao Provão 2001. Surpreendeu-se com os números. A maioria dos cursos avaliados este ano registrou índices de permanência de 15% a 35% durante a última meia hora do exame. O prazo determinado para a entrega das provas no Exame Nacional de Cursos é de quatro horas. ''Não conheço a pesquisa, mas os números podem revelar um excesso de contas, respostas muito longas e até que as provas foram difíceis mesmo'', diz Sinval Fernandes, professor de cursinho em Brasília. ''Em geral, depois de dois terços do tempo resolvendo o exame, o aluno já passou por todas as questões que tinha certeza. O que sobra é usado para fechar as perguntas consideradas difíceis. Muitos desistem, outros ficam'', explica Sinval. O MEC acha que o tempo gasto com o Provão foi razoável. Para Tancredo Maia, coordenador do exame, o teste revelou compromisso e dedicação dos universitários. Em alguns cursos isso até se justifica. É o caso de Engenharia Mecânica, onde 63,1% dos estudantes ficaram em sala por mais de três horas e meia. ''Isso mostra comprometimento de quem está fazendo o exame'', conta o responsável pela pesquisa. Os modelos das provas aplicadas no Provão são muito variados. Algumas áreas privilegiam questões dissertativas, enquanto outras exigem raciocínio rápido nas provas objetivas. A comparação entre cursos de Humanas e Exatas pode conduzir a erros. Aplicar cálculos e fórmulas, nem sempre leva mais tempo do que organizar uma resposta em poucas linhas. Entre os estudantes de Direito, por exemplo, 41,5% não deixaram a sala de aula antes de três horas e meia de iniciado o Provão. No caso dos universitários de Economia, o índice foi de 16,7%. (Jornal do Brasil)
O boicote ao Provão caiu. Este ano só 1,6% das provas foram entregues em branco - em 1996 o índice foi de 11,7%. Apesar de pequena, a rejeição pode ter sido uma das causas da ascensão e queda de alguns cursos. ''O aluno que deixa a prova em branco leva zero. A nota é contabilizada no conjunto e joga a média lá para baixo'', diz Tancredo Maia, coordenador do Exame Nacional de Cursos. Maior em Jornalismo (22,7%) e menor em Administração (0,2%), o índice de provas em branco é visto com desconfiança. ''Algumas instituições se escondem no argumento do boicote para justificar as notas B e C. Na verdade, outros fatores influenciam'', completa Maia. A lista dos 20 melhores faculdades do país foi divulgada segunda-feira (17/12) pelo Ministério da Educação. Sete cursos do Rio estão entre os mais conceituados. Este ano, o Provão avaliou 271 mil estudantes, 3.668 cursos e 20 áreas de conhecimento. (L.P.) (Jornal do Brasil)
O curso de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ficou com o primeiro lugar do país no Provão, à frente de instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Campinas (Unicamp). Qual a receita para superar as primas ricas paulistas? O segredo, pelo jeito, está na boa e velha relação professor-aluno. ''A prioridade é
ensinar o aluno a lidar com o paciente'', explica o diretor da Faculdade
de Medicina, Almir Fraga Valadares. ''Além de saber como obter
informações para o diagnóstico, o médico precisa
ter solidariedade, sensibilidade''. A qualidade dos mestres é caso à parte. Pode ser medida pela avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Dos 1.800 cursos de pós-graduação do país, só 42 obtiveram nota máxima. Dois deles são os cursos de Biofísica e Química Biológica da UFRJ, considerados referências internacionais. Os estudantes passam boa parte do tempo em contato com os profissionais dessas unidades. No Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho e no Instituto de Ciências Biomédicas é ministrado 30% das aulas, fora as atividades de pesquisa. Essas envolvem sete em cada dez estudantes. ''Um dos motivos para o bom resultado no Provão é o alto conteúdo dos programas de iniciação científica'', diz o diretor do Instituto de Ciências Biomédicas, Adalberto Vieyra. A qualificação do professor pode ser medida pelos projetos que coordena na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Um deles é a Rede Proteômica, ambicioso passo seguinte ao RioGene (o genoma carioca), que pretende colocar o Rio numa posição de vanguarda na ciência nacional. Os alunos do 3° e 5° períodos têm aulas com Adalberto. (Jornal do Brasil)
Matemática e Português são uma espécie de Brasil e Argentina das salas de aula. No entanto, a ciência aparentemente antagônica pode ajudar a explicar o sucesso do curso de Letras do Centro Universitário Plínio Leite, de Niterói, no Provão do MEC. Apenas sete alunos fizeram o teste. Uma universidade pública de porte médio inscreve mais de 100 no exame. O número, em princípio, pode levantar suspeitas. Eram apenas 10 os formandos da faculdade. Os três que não fizeram a prova ficaram em dependência. Somando os oito períodos, são 170 estudantes no curso. Matematicamente, as chances de um bom resultado sempre aumentam com a redução do universo. A matemática, no entanto, não explica tudo. Cinema e artes plásticas, por exemplo, também contribuíram. Além das cadeiras obrigatórias, aulas sobre os dois temas fazem parte do currículo. ''A gente resolveu ousar'', admite Leonila Murinelly, há quatro anos chefe de departamento de Letras. A ousadia está na medida para motivar os alunos. ''Palestras, filmes, peças de teatro, visita a museus. Tudo isso ajuda na formação'', afirma Kathia Steele, de 44 anos, uma das que fez o Provão. A colocação, surpreendeu. A nota A, não. No último exame, o curso já havia conquistado o terceiro lugar nacional. Nada mal para uma faculdade desconhecida do grande público, apesar de funcionar desde 1976. Os 35 alunos aprovados, em média, a cada vestibular - para um candidato aprovado há uma vaga sobrando - pagam cerca de R$ 290 por mês para freqüentar o curso noturno. São, em geral, pessoas um pouco mais velhas que o normal entre os universitários, de classe média baixa e já ativas no mercado de trabalho. Kathia, por exemplo, é fonoaudióloga. Já Helaine Gomes, de 24 anos, é professora de maternal. ''O curso é puxado'', garante. ''Os professores cobram muito e, se bobear, não passa de ano mesmo'', conta enquanto estuda para as provas finais, na biblioteca, com companheiras de 6° período. Como quase todos os alunos, ela sonha em engatar o mestrado logo após a conclusão da graduação. Matematicamente, tem boas chances. ''Sempre três alunos conseguem ser aprovados direto no mestrado'', conta, orgulhosa, Leonila. ''No ano passado, todos os formandos foram aprovados em concurso do município. Isso vale tanto quanto o resultado do Provão''. Tão bom quanto ser considerado o melhor curso de Letras do país, foi receber a notícia no dia da festa de fim de ano dos funcionários do Centro Universitário Plínio Leite, em Niterói. Não tanto pela oportunidade de dupla comemoração. O importante foi aproveitar a ocasião para apresentar a lista de reivindicações da faculdade. ''De cara, fiz uns sete pedidos'', conta Leonila. A rapidez pegou de surpresa o mantenedor do centro. ''Me contaram que ele disse nossa, ela pede muito''. A estratégia deu certo. Alguns dos pedidos tiveram sinal verde imediato. O lançamento de uma revista anual com a produção acadêmica dos alunos foi marcada para abril. A mudança para as confortáveis instalações do mais novo prédio do centro, ainda em construção, acontecerá no início do próximo semestre. Também foi garantida a criação da menina dos olhos da professora: o Ateliê da Palavra, uma espécie de laboratório multidisciplinar de arte. O custo das reivindicações é, certamente, pequeno em comparação com a publicidade gerada pelo primeiro lugar no Provão. (Jornal do Brasil)
Para moralizar os processos seletivos das faculdades privadas, o ministério da Educação determinou que as instituições utilizem a metodologia do governo que avalia o desempenho escolar dos estudantes do ensino médio, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), como requisito de seleção. A validade dos processos seletivos das faculdades privadas foi questionada recentemente com o caso do padeiro carioca aprovado por duas universidades particulares sem saber ler ou escrever. Na quarta-feira (17/12), o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, assinou portaria que transforma o Enem em requisito para seleção de alunos nas instituições de ensino pago. Até este ano, o exame era unicamente o instrumento do governo para medir a qualidade do ensino médio no país. Além de não afetar as universidades Estácio de Sá e Gama Filho, protegidas pela autonomia universitária, a inclusão da nota do Enem nos vestibulares das faculdades isoladas, integradas e os centros universitários custa aos cofres públicos a soma de R$ 43,3 milhões, valor que o MEC gastou em 2001 para realizar o exame que avaliou 1,2 milhão de estudantes do ensino médio e é aceito por somente 11 das 39 universidades federais. Autorizadas pela mesma portaria, as particulares também poderão usar a nota da Redação do ENEM como a nota oficial do aluno. O ministro acredita que isso deve reduzir as despesas que as instituições particulares têm para a correção das provas. "Elas podem adotar o Enem como parte do processo seletivo, uma vez que a redação do Enem é corrigida pelo Ministério", afirmou ontem (18/12) o ministro em nota divulgada à imprensa. Caso as particulares aceitem a sugestão do ministro, o Enem passa a ser responsável pela eliminação dos candidatos que entregarem redações em branco, como o padeiro Severino da Silva. O desempenho dos estudantes na Redação do Enem produziu uma média de 52,5 pontos, 8 a menos do que no ano passado. Para o presidente da Associação Nacional de Centros Universitários (Anaceu), Magno Maranhão, a maioria dos centros já aproveitam a nota do Enem na avaliação dos vestibulandos que acertam pelo menos 30% da prova. No entanto, Maranhão acredita que cada instituição deve continuar a ter vestibular próprio. "Cada instituição sabe que tipo de estudante deseja. Uma universidade católica pode querer um estudante com perfil religioso, por exemplo", disse. A Universidade Estácio de Sá, primeira universidade a aprovar o padeiro que ainda aprende a ler em um curso em Nova Iguaçu (RJ), decidiu criar um curso gratuito de alfabetização de adultos. (Agência PontoEdu)
Acabou a espera. As universidades federais do Rio - UFRJ, UFF, UNI-Rio, Rural e Cefet - divulgaram ontem o novo calendário do vestibular 2002. A maratona de provas começa antes do carnaval, no dia 3 de fevereiro, com o exame da UNI-Rio. A última prova será a da UFF, dia 14 de abril. "A preparação para o vestibular ocorre ao longo do ensino médio e não no terceiro ano. Os alunos das escolas estarão preparados para começar a fazer as provas em fevereiro", disse Lycia Epprecht, coordenadora do concurso da UNI-Rio, o primeiro a ser adiado, em outubro, por causa da greve dos professores que durou cerca de três meses. Os coordenadores dos vestibulares aproveitaram a mudança das datas das provas para inovar na seleção: as cinco instituições federais farão a matrícula dos classificados nos dias 9 e 10 de maio. "Queremos evitar matrícula dupla e, assim, vagas ociosas", disse Lycia. A UFRJ, que tradicionalmente abre a temporada de provas, será a terceira a aplicar os testes, nos dias 3, 17 e 24 de março. Nos próximos dias as comissões dos vestibulares estarão divulgando as demais datas dos seus calendários. A previsão é de que o primeiro semestre letivo de 2002 comece no fim de maio. Datas dos exames Uni-Rio: 3
de fevereiro e 10 de março (O Globo)
O mundo acadêmico brasileiro ainda parece perplexo ante a intensidade e rapidez do processo de globalização da economia e procura respostas para duas questões cruciais: qual o seu papel e como contribuir para que o País enfrente os desafios desta nova realidade 'nada alvissareira para os países em desenvolvimento'. Um passo significativo foi dado ontem (18/12), quando um seleto grupo de representantes da intelligentsia se reuniu, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), para debater o tema 'Desenvolvimento no Mundo Globalizado e a Ciência e Tecnologia - o Caso Brasil'. O evento, promovido pelo Centro Interunidade de História da Ciência da USP, foi coordenado pelo secretário da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Ruy Martins Altenfelder Silva. As cinco comunicações apresentadas para discussão abordaram, entre outros aspectos, o papel do Estado como financiador da infra-estrutura científico-tecnológica; qual contribuição a ciência e tecnologia (C&T) poderá dar para a redução do desemprego e para o crescimento do mercado interno; como criar nas empresas uma cultura de C&T com vistas à inovação; e propostas para um plano nacional de educação científica e tecnológica. Na opinião do professor Gildo Magalhães, da Faculdade de Filosofia da USP, o Estado brasileiro deveria ter um papel mais ativo como indutor das atividades voltadas para o desenvolvimento de ciência e tecnologia e apoiar, principalmente, setores que tenham potencial competitivo. Como exemplo, ele citou a agroindústria paulista. O secretário Altenfelder Silva disse, na abertura do evento, que o plano estratégico da sua pasta já contempla ações de difusão tecnológica em propriedades agrícolas, além de fomentar a inovação tecnológica por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Por sua vez, o presidente do conselho técnico administrativo da Fapesp, Francisco Romeu Landi, disse a este jornal que no próximo ano a instituição contará com recursos estimados em R$ 230 milhões, em comparação com os R$ 210 milhões deste ano. O orçamento é complementado pelos rendimentos do fundo de aplicação financeira de R$ 150 milhões. 'Desde 1989, a Fapesp recebe mensalmente os recursos previstos em lei, ou seja, 1% das receitas arrecadadas pelo tesouro estadual. Sem dúvida, é a maior estrutura existente no País para apoio à pesquisa e desenvolvimento', afirmou Francisco Landi. O professor Paulo Sérgio Santos criticou 'a timidez, a superficialidade, mesmo o descaso com que a mídia tem, em geral, tratado ciência e tecnologia'. Segundo ele, outro grave problema - também apontado pelos demais participantes - é a baixa qualidade do ensino de ciência nos níveis fundamental e médio da educação formal. Santos, Mariluce Moura, da Fapesp, e Shozo Motoyama (USP), propuseram, entre outras iniciativas, a realização de um simpósio nacional sobre a educação científica e tecnológica como primeiro passo para a elaboração de um plano nacional de educação científica e tecnológica. Para o professor Júlio Katinsky, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), é impossível desenvolver ciência e tecnologia sem uma consistente e duradoura política tecnológica. Segundo ele, o conhecimento tecnológico desenvolvido pelas grandes companhias brasileiras de projetos de engenharia está se perdendo, porque muitas empresas ou desapareceram ou reduziram o seu campo de atividade. Os professores Guilherme Plonski, do IPT, e Henrique Rattner consideram que 'os efeitos da globalização não devem ser analisados somente nas dimensões econômicas. Trata-se de um processo sistêmico de efeitos múltiplos e retroalimentadores, com profundas repercussões nas relações sociais, políticas e culturais da sociedade.' (Gazeta Mercantil) |
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