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Investidores americanos, canadenses e europeus que aplicam seus dólares em fundos de investimentos estrangeiros, que nunca tiveram contato com o setor educacional, estão perto de se transformar nos novos donos de universidades e faculdades brasileiras. Leia mais:
Os docentes da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto (314 km a norte de São Paulo) decidiram ontem (19/08) à noite, em assembléia, prorrogar a greve, contra a reforma da Previdência, até o final desta semana. Leia mais:
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Investidores americanos, canadenses e europeus que aplicam seus dólares em fundos de investimentos estrangeiros - e nunca tiveram contato com o setor educacional - estão perto de se transformar nos novos donos de universidades e faculdades brasileiras. Empresas que administram esses fundos e buscam oportunidades mundo afora querem agora apostar suas fichas na aquisição total ou parcial de instituições privadas de ensino do País - em especial as de ensino superior, que movimentam R$ 15 bilhões e cresceram 157% nos últimos nove anos. O objetivo, na maioria dos casos, é adquirir as instituições, injetar recursos, participar da gestão e finalmente revender as faculdades e universidades por um preço multiplicado. Operações desse tipo - chamadas no mercado financeiro de private equity - já vêm sendo feitas no Brasil com empresas dos setores de serviços e industriais, como redes de farmácias, laboratórios, empresas de alimentos e no ramo do agribusiness. "Os fundos procuram investir em países emergentes, como o Brasil, países do leste europeu e da Ásia, que ainda têm potencial de crescimento maior que o dos mercados maduros. E o setor de educação no Brasil cresce muito mais que o de outros países. É isso que nos atrai", disse Patrice Etlin, um dos sócios do Advent International, multinacional que administra um fundo de US$ 265 milhões e busca oportunidades em diversos setores no Brasil. A empresa tem feito contatos e propostas a instituições de ensino. As universidades públicas atendem hoje menos de um terço da demanda, de 3 milhões de matrículas. De 1995 para cá, o número de instituições privadas de ensino superior subiu de 684 para 1.762. Nelas estudam 2,1 milhões de alunos. Projeções apontam que esse total será de 6,3 milhões em 2008, o que representa uma taxa de crescimento anual das matrículas de 11%. De olho nesses números, a JP Morgan Partners - maior empresa de private equity do mundo - também busca investimentos em educação aqui. A empresa, que já tem recursos aplicados no exterior, possui um fundo de US$ 570 milhões para investir pelos próximos três anos em negócios na América Latina. Grupos brasileiros também querem entrar no jogo. O Pátria, por exemplo, está captando recursos no País e no exterior para formar um fundo para investir exclusivamente em educação e saúde. Não há barreira legal para investimentos desse tipo. "Em 1997, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) abriu essa possibilidade e nós regulamentamos. Até então, o ensino superior não podia ter fins lucrativos", diz o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza, que agora trabalha como consultor. Um dos serviços oferecidos pela Paulo Renato Souza Consultores é justamente buscar oportunidades de investimentos em educação para os fundos - que "também sejam boas para as instituições de ensino", explica o ex-ministro. Por enquanto, nenhum fundo conseguiu bater o martelo com instituições de ensino. Investidores dizem que muitos proprietários de faculdades e universidades superestimam o valor de venda de suas instituições. Ou então, faltam a elas transparência administrativa suficiente para que se tornem negócios atraentes para os investidores. A participação de capital estrangeiro em escolas brasileiras é vista com muitas reservas por acadêmicos e especialistas, que denunciam o risco de mercantilização do ensino. "Os interesses das empresas são os lucros, e quem visa o lucro o quer o mais rápido possível", diz a reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Wrana Panizzi. "A educação mais duradoura, que forma cidadãos independentes, exige investimentos de mais longo prazo. As empresas têm outros objetivos." (O Estado de S. Paulo – 20/08/03)
Os docentes da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto (314 km a norte de São Paulo) decidiram ontem à noite, em assembléia, prorrogar a greve, iniciada na sexta-feira passada, contra a reforma da Previdência, até o final desta semana. (Folha Online – 20/08/03)
Instituições públicas do Rio apostam em novos cursos para estimular o desenvolvimento regional em todo o estado. As universidades públicas fluminenses intensificam sua expansão rumo ao interior para atender a demandas locais e estimular o desenvolvimento regional. A Universidade Federal Fluminense (UFF) negocia com a prefeitura de Rio das Ostras, na Região das Baixadas Litorâneas, um acordo para implantar já no primeiro semestre de 2004 quatro cursos de graduação em uma escola pública municipal. No médio prazo, os planos da universidade são mais ambiciosos. A UFF planeja construir um campus para sediar seu primeiro pólo regional de ensino, pesquisa e extensão. A instituição estima abrir, até fevereiro, inscrições para o vestibular isolado da região. Serão oferecidas 220 vagas, distribuídas pelos cursos de Enfermagem, Serviço Social, Ciência da Computação e Psicologia, que foram escolhidos mediante pesquisa para identificar preferência da população local por cursos. "Também fizemos um levantamento sobre as necessidades de ensino superior da região, que apontaram as áreas de petróleo e meio ambiente como as de maior potencial de crescimento e perspectivas de geração de emprego", afirma o reitor da UFF, Cícero Rodrigues. Ele destaca que é preciso "criar condições de empregabilidade" para que os universitários de cidades interioranas permaneçam em suas cidades e ajudem no desenvolvimento local. De acordo com o professor Dálgio Carvalho, que coordena a implantação da unidade de Rio das Ostras, a UFF vislumbra a criação, para a região, de um curso de engenharia de petróleo e gás, ainda a ser regulamentado pelo Ministério da Educação. "A cidade também apresenta boas oportunidades no segmento de turismo e em pesquisa no campo da Biologia", diz Carvalho. O novo campus da universidade, que será construído em uma área de 29 mil m² cedida pela prefeitura, diz Carvalho, deverá tornar-se referência entre os municípios próximos. Segundo ele, universitários de Araruama, Cabo Frio e Búzios, que antes disputavam vagas em instituições do Rio, de Niterói e Campos, deverão migrar para Rio das Ostras. O orçamento para a construção do novo campus não está definido, mas Carvalho, estima que o metro quadrado para construções universitárias variam, em média, de R$ 600 a R$ 800. Outra instituição que está intensificando suas atividades fora da região metropolitana do Rio é a Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), que planeja inaugurar no próximo ano a unidade de Angra dos Reis. O projeto está sendo desenvolvido em parceria com a prefeitura local, que cedeu um prédio desativado. "Nossa expectativa é realizar o vestibular para a primeira turma ainda este ano, o que permitiria que as aulas começassem no próximo ano. Inicialmente, vamos oferecer o curso de turismo", comenta André Lázaro, sub-reitor de Extensão e Cultura da Uerj. A última unidade inaugurada pela Uerj foi a de Resende, há dez anos. Há filiais ainda em São Gonçalo, Friburgo e Ilha Grande. Lázaro conta que a Uerj busca incentivar a economia fluminense, dando prioridade a cursos que se enquadrem na vocação de cada município. Neste sentido, o campus de Duque de Caxias também está passando por atualizações. Este ano, a unidade ganhou o curso de matemática e oferecerá, a partir de 2004, a graduação de geografia. "Fizemos levantamentos na região e constatamos que havia um grande déficit de professores de geografia, matemática, química e física na Baixada, nossa área de atuação", comenta o diretor do campus de Duque de Caxias, Henrique Sobreira. Atividade pesqueiraTambém voltada para vocação econômica regional, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está desenvolvendo cursos no município de Macaé, com ênfase na atividade pesqueira. "A indústria do petróleo emprega cerca de 15 mil pessoas em Macaé, sendo que boa parte delas é provenientes de outras regiões do estado." Já a pesca é ocupação de aproximadamente 12 mil habitantes. "A atividade costeira é tão importante para Macaé, quanto o petróleo, o que torna imprescindível cursos de especialização na área", explica Francisco Esteves, coordenador do Núcleo de Pesquisas Ecológicas de Macaé (Nupem). Desde o início do ano, o Nupem está ministrando aulas de pesca para crianças da região. O curso, que complementa o ensino tradicional, tem por objetivo ensinar as técnicas mais usadas na atividade e que menos agridem o meio ambiente. (Gazeta Mercantil – 20/08/03) |
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