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Apesar de ninguém discordar que educação é fundamental para o desenvolvimento, por estar ligada a produtividade do trabalho, aumento dos salários e da mobilidade social e diminuição da pobreza, nas últimas décadas a tendência no Brasil tem sido a de desacelerar a expansão do sistema educacional. Leia mais
No Rio de Janeiro, três centros de excelência pesquisa estão passando por uma crise, em pelo menos um dos casos, pode resultar no fechamento de cursos de pós-graduação. Leia mais
Apesar de ninguém discordar que educação é fundamental para o desenvolvimento, por estar ligada a produtividade do trabalho, aumento dos salários e da mobilidade social e diminuição da pobreza - nas últimas décadas a tendência no Brasil tem sido a de desacelerar a expansão do sistema educacional. Entre o início do século passado e meados dos anos 50, por exemplo, a taxa de analfabetismo caiu de oito a nove pontos percentuais por década. A partir de meados da década de 50, a redução foi de três pontos percentuais. O mesmo ocorreu com a escolaridade média da população adulta, que aumentava no início do século um ano por década e, a partir da metade dos anos 50, caiu para menos de meio ano. Essas são algumas informações apresentadas na pesquisa Pelo Fim das Décadas Perdidas: Educação e Desenvolvimento Sustentado no Brasil, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Desenvolvida pelos pesquisadores Ricardo Paes de Barros, Ricardo Henriques e Rosane Mendonça, o estudo mostra que o Brasil apresenta, em termos de educação, uma década de atraso em relação a países com padrão de desenvolvimento similar, porque caiu numa armadilha. Como expandiu seu sistema educacional de forma lenta nas últimas décadas, acabou "aprisionando" a população num patamar intermediário de escolaridade. Com isso, produziu-se um aumento na escassez de trabalhadores qualificados e no nível de desigualdade salarial, o que, por sua vez, reforçou a desigualdade de renda. "Nas últimas décadas, o Brasil passou por um acelerado processo de progresso tecnológico associado a uma lenta expansão educacional", relata a pesquisa. "Os horizontes de libertação dessa armadilha passam por uma aceleração sem precedentes no ritmo de expansão do sistema educacional brasileiro." Com base em gráficos e relatos de estudos anteriores, a pesquisa mostra que o progresso tecnológico tende a gerar um viés contrário aos trabalhadores não-qualificados, à medida que pressiona pelo aumento de trabalhadores qualificados. Sob esse prisma, sugere ainda que o famoso "milagre econômico" dos anos 70 seja revisto. "O desenvolvimento tem de estar relacionado à melhora da vida que levamos e das liberdades que desfrutamos. Do ponto de vista de um olhar preocupado com a construção de uma sociedade justa e do desenvolvimento sustentado do País, talvez a década de 70, assim como as de 80 e 90, seja uma década perdida." A pesquisa alerta ainda para a necessidade de se encarar de frente o problema, sem "ceticismo ou imobilismo", uma vez que "a vergonhosa desigualdade brasileira não decorre de nenhuma fatalidade histórica, apesar da perturbadora naturalidade com que a sociedade brasileira a encara". A pesquisa cita também outros estudos sobre o tema, como um que mostrou que cada ano adicional na faculdade corresponde na Grande São Paulo a um aumento médio de 16% no salário e um ano a mais de escolaridade da força de trabalho aumentaria a renda per capita brasileira em 20%. Outro gráfico presente na pesquisa revela que a média de anos de escolaridade no Brasil é praticamente um ano inferior ao padrão internacional. Considerando que o sistema educacional brasileiro apresentava tendência de expansão à taxa de um ano por década, o País está dez anos defasado diante do padrão internacional. (O Estado de S. Paulo - 23/04/02)
Três centros de excelência em pesquisa no Rio de Janeiro estão passando por uma crise que, em pelo menos um dos casos, pode resultar no fechamento de cursos de pós-graduação. Por razões diferentes, pesquisadores do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro), do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) e de centros da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) estão preocupados com o futuro de unidades que são referência em ensino e pesquisa para todo o Brasil. A situação que mais chama a atenção é a do Iuperj, ligado à Universidade Candido Mendes e um dos mais conhecidos centros de pesquisa em ciências sociais em atividade no país. O Iuperj foi fundado em 1969 e tem ou já teve em seus quadros pesquisadores como Luiz Werneck Vianna, Wanderley Guilherme dos Santos e Renato Lessa. A crise do instituto é explicada, principalmente, pela crise de universidades particulares tradicionais do Rio. Com a concorrência de instituições que cobram mensalidades mais baratas, como Estácio de Sá e UniverCidade, instituições privadas como as Universidades Santa Úrsula e Candido Mendes perderam alunos e passaram a atrasar os salários de seus funcionários. No Iuperj, o 13º salário dos professores não havia sido pago até a semana passada. O diretor do Iuperj, Fabiano Santos, e o reitor da Universidade Candido Mendes, Candido Mendes, preferem não falar da crise. A solução para o problema poderia vir de Brasília. Na terça-feira, uma comissão do Ministério da Educação começa a discutir alternativas. Uma delas é a transformação do Iuperj em organização social, o que permitiria que a entidade recebesse verbas do governo federal por meio de contratos de gestão. Nos centros de pós-graduação da UFRJ, o problema não é atraso de salário, mas, sim, a crise que toda a universidade atravessa. A falta de recursos para melhoria da infra-estrutura e custeio fez com que a Coppe (Coordenação dos Programas de Pós-graduação em Engenharia), um dos mais importantes centros de pós-graduação e pesquisa tecnológica na América Latina, ficasse sem telefones por causa da falta de pagamento. "A crise sempre afeta. Os problemas salariais e de infra-estrutura da UFRJ também nos prejudicam. Quando um funcionário tem salário baixo e entra em greve, por exemplo, nós temos de respeitar", diz o físico Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe. Ele ressalva, no entanto, que a crise não é originada na Coppe. "A universidade tem um problema de manutenção, mas isso nada tem a ver com os nossos contratos. As instalações são bem mantidas com nossas verbas." Em unidades sem a mesma capacidade de captação de recursos próprios, o problema é mais grave. É o caso do Instituto de Biofísica da UFRJ, cujo curso de pós-graduação recebeu conceito máximo na Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) na última avaliação, o que indica excelência acadêmica internacional. O instituto sofre com problemas estruturais, como goteiras e infiltrações em laboratórios. "A UFRJ recebeu uma quantia para fazer reformas de infra-estrutura da universidade, mas os recursos são apenas um conta-gotas no oceano. Há laboratórios com goteiras. Quando chove, temos que cobrir equipamentos com plástico", conta o diretor do instituto, Walter Araújo Zin. (Folha de S. Paulo - 23/04/02)
Os nomes dos cinco novos pró-reitores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foram anunciados ontem no primeiro dia do físico Carlos Henrique de Brito Cruz à frente da reitoria. Brito venceu a consulta acadêmica na universidade e teve sua nomeação ratificada pelo governador Geraldo Alckmin. Ele iniciou sua gestão prometendo investir principalmente no aumento do número de vagas da Unicamp e da qualidade de ensino. Brito é defensor da formação multidisciplinar. Ele lembrou que nos últimos 40 anos as universidades investiram em especialização. "Mas houve deficiência na questão da amplitude da formação", afirma. A Unicamp forma lideranças intelectuais que "não devem ser bons apenas em sua disciplina, mas adquirir uma cultura mais ampla". Do ponto de vista acadêmico, isso ocorrerá no contato mais estreito com outras áreas de ensino. No que se refere à pesquisa, a multidisciplinaridade irá permitir a interação do conhecimento entre diferentes áreas. "A partir dessa interação, o pesquisador aprenderá diversas maneiras de adquirir conhecimento", comenta Brito. Isso poderá interferir no vestibular da Unicamp no futuro. Para o próximo ano, a nova reitoria pretende aumentar a abrangência geográfica e social do vestibular. "Queremos trazer os melhores estudantes para a universidade", alegou. A Unicamp quer contribuir para que as escolas públicas invistam em qualidade. Dos 2.450 aprovados no vestibular deste ano, 28% vieram de escolas públicas. Brito citou o programa Ciência na Escola, no qual professores e pesquisadores da Unicamp desenvolvem projetos de ciências nas escola públicas, como uma das contribuições aos alunos do Estado e dos municípios. Disse ainda que a universidade pretende desenvolver cursos para aperfeiçoar professores estaduais e municipais. Mas enfatizou que a atividade principal da universidade campineira é educar seus estudantes. O reitor quer estimular a autonomia dos órgãos universitários, para desburocratizar e otimizar o uso e captação de recursos. No ano passado, as verbas extra-orçamentárias somaram R$ 200 milhões, valor que poderá crescer 50% este ano. Nas próximas semanas, o reitor e pró-reitores deverão estabelecer cronogramas para as metas propostas no plano de gestão. Brito tem como vice-reitor o engenheiro agrícola José Tadeu Jorge. A pró-reitoria de Desenvolvimento Universitário foi assumida pelo médico Paulo Eduardo Moreira Rodrigues da Silva, a de Graduação pelo matemático José Luiz Boldrini, a de Extensão e Assuntos Comunitários pelo engenheiro químico Rubens Maciel Filho, a de Pesquisa pelo hematologista Fernando Ferreira Costa e a de Pós-Graduação pelo sociólogo Daniel Hogan. (O Estado de S. Paulo - 23/04/02)
Um dos cursos de pós-graduação mais antigos do Brasil corre o risco de fechar neste ano. Por uma decisão do Ministério da Ciência e Tecnologia, o curso de física do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Científicas) pode não abrir vagas para novas turmas no segundo semestre. Apesar de o curso ser considerado pela Capes um dos melhores do Brasil, o ministério decidiu que o CBPF não deveria manter atividades acadêmicas, se restringindo a atividades de pesquisa. A decisão foi tomada pelo ministério com base no relatório da Comissão Tundisi, produzido no ano passado e organizado para fazer uma análise dos principais centros de pesquisa do país e apresentar sugestões para torná-los mais adequados às metas de inovação estabelecidas pela nova política do MCT. A determinação gerou uma crise entre os pesquisadores e professores do centro, que defendem a continuidade do curso. "O ministério tem uma visão de que a pós-graduação é apenas acadêmica e recomendaram que ela fosse extinta no CBPF. Achamos, no entanto, que seria um contra-senso fechar um curso com conceito 6 (os conceitos vão de 1 a 7) na Capes, quando a proposta do governo [federal" é melhorar o nível da pós-graduação no país", afirma João Carlos Costa dos Anjos, diretor do centro. Chegou-se a cogitar também a possibilidade de o centro passar para a UFRJ, hipótese que não animou muito nem a universidade nem o CBPF. O diretor do centro, no entanto, ainda espera por um desfecho feliz da situação. "Quando protestamos contra o fechamento, o ministro disse que iria consultar a comunidade sobre a decisão. Sei que quase toda a comunidade se manifestou a nosso favor. O ministério ainda não voltou atrás oficialmente, mas esperamos que isso aconteça antes do segundo semestre", diz. O CBPF foi fundado em 1949. Uma de suas primeiras missões foi desenvolver tecnologia que permitisse ao Brasil construir uma bomba atômica. Ao longo do tempo, foi se consolidando como um centro de referência em pesquisa na área da física. Em 1962, o curso de pós-graduação da instituição foi criado. (Folha de S. Paulo - 23/04/02) |
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