|
|||||||||||||||
|
No próximo mês, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) inaugura o seu primeiro curso sobre recursos humanos, em que profissionais da universidade e do Hospital São Paulo, irão ajudar jovens carentes de Cidade Dutra, Capela do Socorro, Cidade Ademar e região a ingressarem no mercado de trabalho. Leia mais:
Mais do que o provão, a avaliação mais importante do ensino superior brasileiro é a ACE (Avaliação das Condições de Ensino), em que dois especialistas, geralmente professores de outras universidades, visitam as instituições para verificar instalações, corpo docente e projeto pedagógico. Leia mais:
É numa região afastada da cidade, onde a maioria da população enfrenta o desemprego, a violência e falta de oportunidades de estudo, que uma das mais conceituadas universidades públicas do País começa a abrir suas portas. No mês que vem, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) inaugura seu primeiro curso sobre recursos humanos para ajudar jovens de Cidade Dutra, Capela do Socorro, Cidade Ademar e região a entrarem no mercado de trabalho. A reitoria planeja ainda um projeto maior, que prevê a construção de um campus na região com um modelo de acesso a vagas que privilegie alunos de escolas públicas. Profissionais da universidade e do Hospital São Paulo começam em 14 de junho a oferecer um curso sobre marketing pessoal, comunicação e relações profissionais, além de dicas sobre como preparar um currículo, como se apresentar numa entrevista e orientações sobre as áreas do mercado em expansão. "Orientação profissional é sempre necessária", diz Tiago da Silva, de 22 anos, morador do Jardim Colonial, na zona sul, animado com a novidade. Assim como Tiago, Robson Oliveira, de 21 anos, está em busca de um emprego e de uma chance numa universidade pública. "Nunca tentei prestar vestibular para faculdades particulares, porque não teria condições de pagar as mensalidades", diz Robson. A partir de julho ou começo de agosto, o curso passa a funcionar com novo formato e terá duração de seis meses. As aulas serão ministradas nos fins de semana na Escola Municipal Miguel Vieira Ferreira, em Cidade Dutra. A escola é uma das que abrem suas portas para atividades extra-curriculares à comunidade. A Unifesp oferece há alguns anos palestras sobre recursos humanos em regiões carentes. Esta será, porém, a primeira vez que a universidade oferecerá um curso de extensão como o de Cidade Dutra. A população da região é de baixa renda e os níveis de desemprego são altos. Expansão - A idéia de levar uma universidade pública para a zona sul começou há três anos com uma campanha popular. O vereador, e na época diretor de escola, Carlos Giannazi (PT) apresentou em março a idéia ao ministro da Educação, Cristovam Buarque. Em junho deve ir a Brasília com uma comissão da Unifesp para uma audiência com o ministro. A demanda de alunos em idade universitária por uma escola superior na região gira em torno dos 30 mil - segundo um levantamento de professores, Igreja e associações de bairro. O reitor da universidade, Hélio Egydio Nogueira, está pessoalmente empenhado na idéia e já visitou por duas vezes um terreno do governo federal, na Avenida Interlagos - potencial endereço para o novo campus (Veja ao lado). O caminho, porém, pode ser longo. A Universidade São Paulo (USP) levou dois anos para tornar viável o projeto de seu campus na zona leste - cujas obras começam este ano. Mais do que um novo campus, movimentos populares e a reitoria falam em uma universidade pública sem o vestibular tradicional, que só dá chances aos alunos de escolas particulares. "Gostaria que os novos alunos fossem de lá mesmo da zona sul", diz Nogueira. Ele pensa em, por exemplo, trocar o vestibular por uma avaliação do histórico escolar dos candidatos da região. E vai além: "Não vou receber os mesmos alunos que estudaram em colégios particulares e por isso talvez os cursos lá não sejam de quatro anos, mas de cinco, para que os alunos dos dois campus saiam com a mesma preparação." Depois de oito anos à frente da reitoria, Nogueira deixa o posto em 2 de julho, mas o candidato único ao cargo é seu atual vice-reitor, o professor Ulysses Fagundes Neto, chefe do Departamento de Pediatria. "Tenho certeza de que esse projeto vai ser levado adiante, porque ele (Fagundes Neto) é uma pessoa com grande sensibilidade social e isso não pode ser um projeto meu, pessoal, mas da instituição." (O Estado de S. Paulo - 23/05/03)
O terreno que está na mira da Unifesp e de moradores da zona sul para ser a sede do novo campus é um ponto delicado. Ali há um depósito de material radioativo das Indústrias Nucleares Brasileiras (INB), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia. A área (60 mil m2) fica na esquina das Avenidas Interlagos e Miguel Yunes. É a única do governo federal com espaço na região. No depósito há 13 contêineres e milhares de bombonas (um tipo de recipiente plástico reforçado), contendo urânio e tório, mesotório, rádio 228 e outras substâncias radioativas. Tudo em um galpão de 2 mil m2. No resto do terreno há pontos espalhados pela terra com alguma radioatividade - resultado de décadas de despejo. A estatal foi fundada nos anos 50. Segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), a empresa começou no fim dos anos 90 o processo de descomissionamento (retirada dos pontos com radiação). Cnen, Cetesb e Ministério Público pressionam a INB a retirar dali toda a carga radioativa. A INB conhece o projeto da universidade desde no ano passado, mas até agora não decidiu o que fazer. Segundo a assessoria do órgão, há interesse em discutir o projeto. Já se cogitou liberar o terreno em troca de outro ativo do governo federal. O órgão do ministério admite que não sabe para onde levar o material radioativo. "Aquilo não pode ficar lá. O prédio não tem uma estrutura ideal", diz a chefe da divisão de instalações nucleares da Cnen, Patrícia Wieland. Segundo ela, se a empresa não retirar o galpão da área, o sonho da universidade fica comprometido. Ainda que o terreno em volta seja liberado, as obras do campus poderiam afetar a estrutura do galpão e pôr em risco o armazenamento do material radioativo. (O Estado de S. Paulo - 23/05/03)
Mais do que o provão, a avaliação mais importante do ensino superior brasileiro é a ACE (Avaliação das Condições de Ensino), em que dois especialistas, geralmente professores de outras universidades, visitam as instituições para verificar instalações, corpo docente e projeto pedagógico. (Folha Online- 22/05/03)
Leia
mais: |
|
|||||||||||||