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Oficializado em abril, o Movimento dos Sem Universidade (MSU) luta pela democratização do ensino superior gratuito. Espalhados em grupos pelo país, eles também querem isenção das taxas de inscrição para o vestibular e a criação de faculdades populares. Leia mais
Antropóloga e ex-conselheira do CNE (Conselho Nacional de Educação), Eunice Ribeiro Durham critica o novo sistema de avaliação dos cursos. "A diminuição de poder do conselho não ajuda a combater esse processo e concentra demasiado poder na mão do ministério", diz. Leia mais
O esforço é de um atleta africano num torneio de tênis patrocinado por suecos. Entrar numa faculdade pública no Brasil é coisa de rico. É conhecida a explicação: pobre estuda em escolas públicas precárias, pobre não tem dinheiro para cursinho e, quando trabalha, não tem tempo para estudar tudo o que não aprendeu até chegar a hora do vestibular. São pelo menos 120 mil estudantes que estão fora do que chamam "latifúndio educacional" instalado no ensino superior, que concentra a educação nas mãos de poucos, segundo integrantes do recém-criado MSU (Movimento dos Sem Universidade). Oficializado em abril, o movimento quer o que a maioria dos pais brasileiros almeja para seus filhos: a chance de estudar num universidade pública, mesmo tendo saído de uma escola de segundo grau despreparada para despachar seus alunos à olimpíada dos vestibulares. Espalhados em grupos pelo país, eles também querem isenção das taxas de inscrição para o vestibular, argumentando que são poucos os estudantes com condições de em São Paulo, por exemplo, se inscrever na USP, Unesp e Unicamp, o que aumentaria suas chances em 50%, mas custaria quase R$ 200. Querem, igualmente, a criação de uma universidade popular, projeto que já passou pelas mãos de João Sayad, o secretário das Finanças da prefeita Marta Suplicy, e que tem como sugestão de localização parte do terreno hoje ocupado pelo presídio do Carandiru, na cidade de São Paulo. É um movimento que já nasce grande porque envolve um número enorme de jovens sem acesso à universidade pública. Inclusive da classe média, que nos últimos anos passou a protagonizar uma história que se repete nas melhores famílias: sem dinheiro para obter a formação básica numa boa escola, o estudante acaba entrando numa universidade particular, que custa caro e prolifera como uma rede de fast food. No meio do caminho, a família joga a toalha porque não consegue pagar a escola, e o filho tem de abandonar o curso. As estatísticas estão a favor do MSU: apenas 10% da população brasileira jovem, na faixa etária entre 18 e 24 anos, chega até a universidade; os que sobram são uma espécie de reféns de sua situação sócio-econômica O desdobramento dessa exclusão é igualmente dramático: pesquisa realizada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), vinculado ao Ministério do Planejamento, revelou em 1998 que trabalhadores com oito anos de escolaridade ganham 36% a mais do que os não-qualificados; os que têm o ensino médio completo ganham 170% a mais e os que têm curso superior o ganho é de 516% a mais. Conclusão: exceção feita à vida artística, onde um rebolado ousado pode criar novos milionários da noite para o dia, na vida real o diploma universitário contribui objetivamente para uma melhora na situação sócio-econômica. Fábio Martins e Bruno Oliveira, estudantes de direito em Londrina, Paraná, e professores de um cursinho popular, fazem coro a Sergio José, economista formado pela Unicamp, em Campinas, na afirmação de que a realidade da educação no país é perversa: os que podem pagar caro são os que ocupam as vagas das universidades privadas ou se voltam para os cursinhos comerciais. Isso, eles dizem, acaba com o sonho de milhares de estudantes e de suas respectivas famílias, além de fazer crescer o abismo entre os ricos e os pobres. Os três são integrantes do MSU, que se apresenta como um movimento cultural, apoiado por professores e alunos da Unicamp e da USP, estudantes e organizações não-governamentais da periferia de São Paulo, lideranças regionais de vários movimentos, Pastoral da Juventude do Meio Popular. Tem a benção do bispo dom Pedro Casaldáliga, símbolo de dedicação aos excluídos. Foi dom Pedro quem deu, por acaso, a idéia do MSU, numa cerimônia na Unicamp, quando foi homenageado com o título "honoris causa". Ele fica feliz ao saber do desdobramento de sua sugestão: "Uma benção do velho aos filhos que não conheço", diz ele aos estudantes do MSU. O movimento conquista simpatizantes ao criticar o governo federal -com a popularidade em baixa- pelo descaso ao problema da exclusão social na universidade pública. "É preciso fazer alguma coisa por nós mesmos porque outros não o farão, é preciso nos organizar para desorganizar e acabar com essas injustiças do sistema de vestibular, é preciso respeitar as gerações futuras e o futuro de nosso povo", dizem eles em sua carta aberta à população. Conquistar o diploma, passaporte para um mercado de trabalho restrito e exigente, é muito difícil para quem não pode pagar uma universidade particular. Das 766 mil vagas oferecidas pelas instituições de ensino superior em 1998, apenas 26,41% (205 mil) eram em universidades públicas. Os estudantes do MSU não querem apenas um diploma universitário. Querem a transformação cultural através da busca do conhecimento científico e tecnológico, no seu avanço civilizatório, o que certamente não é possível quando muitas universidades privadas escorregam para o mundo dos negócios. (Folha de S. Paulo)
A antropóloga Eunice Ribeiro Durham, 64, sempre foi uma das maiores defensoras da política educacional do Ministério da Educação, do qual fez parte até 1997, quando foi indicada pelo ministro Paulo Renato Souza para uma vaga no CNE (Conselho Nacional de Educação). Ultimamente, no entanto, desavenças na condução dos rumos do ensino superior a fizeram pedir demissão, com um discurso que foi visto com frequência nas declarações dos mais ferrenhos críticos do governo federal. "Tem havido um crescimento desmesurado do sistema privado. Esse crescimento está sendo governado pelo mercado, pelo processo de lucro, e está ameaçando a credibilidade do sistema de ensino superior no Brasil", diz. Eunice também aponta falhas no sistema de avaliação dos cursos, como exigências arbitrárias de algumas comissões de visita a cursos superiores. A gota d'água que levou à saída da antropóloga do conselho, anunciada na semana passada, foi o decreto do ministro Paulo Renato que tirou poderes do CNE, centralizando processos de abertura e fechamento de cursos no MEC. Em sua opinião, essas medidas vão contribuir para diminuir a transparência dos processos de instituições privadas. Durante a sua atuação como conselheira, Eunice esteve envolvida em pelo menos duas das decisões mais polêmicas do CNE: o parecer desfavorável à criação do curso de direito da Uniban (Universidade Bandeirante) em Osasco e a ampliação do prazo para evitar o fechamento do curso de direito da Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas do Rio. No caso da Uniban, Eunice foi a relatora do processo no qual o conselho avaliou como irregular a criação de um curso fora do município-sede da instituição. O caso foi parar na Justiça, que deu ganho de causa à Uniban. Na discussão sobre o fechamento do curso da Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas, ela foi uma das principais interlocutoras dos conselheiros na tentativa de convencer o ministro Paulo Renato de que, do ponto vista legal, a instituição não poderia ser fechada imediatamente por causa das avaliações feitas pelo MEC. A conselheira era uma das mais influentes na Câmara de Educação Superior do CNE, além de amiga pessoal do presidente Fernando Henrique Cardoso. Eunice sai do conselho numa polêmica parecida com a que encontrou em sua entrada, em 1997. Na época, ela foi escolhida por Paulo Renato para substituir o filósofo José Arthur Giannotti, outro amigo pessoal de FHC. A diferença entre as duas saídas é que Giannotti criticou duramente o conselho por ter transformado a faculdade Anhembi Morumbi, de São Paulo, em universidade. Já a ex-conselheira preferiu dirigir suas críticas ao MEC. Para o lugar de Eunice, o ministro convidou a secretária da Educação do Estado de São Paulo, Rose Neubauer, que deverá tomar posse no dia seis de agosto. Folha - Quais foram
os motivos de sua saída do conselho? Folha - Essa é
uma crítica pessoal ao ministro? Folha - Mas havia
fortes suspeitas de favorecimento de instituições privadas
no conselho. Folha - Por que o
conselho impediu o fechamento de cursos? Folha - Mas, no episódio
em que o ministro quis o fechamento do curso de direito da Faculdade Brasileira
de Ciências Jurídicas, ficou a impressão de que o
conselho não gosta de fechar cursos. Folha - Qual o principal
problema da avaliação que é feita hoje? Folha - A senhora
fazia parte do ministério até 1997. Quando foi que o MEC
perdeu o controle da expansão? (Folha de S. Paulo)
As mudanças implementadas pelo ministro Paulo Renato Souza no início deste mês foram divulgadas logo após um período em que o Conselho Nacional de Educação tinha sido alvo de acusações de favorecimento a universidades privadas. As acusações eram endereçadas principalmente a conselheiros ligados ou que já tiveram ligações com instituições particulares de ensino, como o vice-reitor da Unip (Universidade Paulista), Yugo Okida, e o ex-reitor da Universidade Estácio de Sá, do Rio, Lauro Zimmer. Uma das primeiras suspeitas foi levantada pela Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo), que acusou publicamente a Unip de perseguir a instituição, por meio de seu vice-reitor, o conselheiro Yugo Okida. O reitor da Unip, João Carlos Di Gênio, sempre negou essa perseguição, alegando que as decisões contra a Uniban foram unânimes no conselho e que a primeira denúncia contra o campus de Osasco foi feita por Eunice Durham, em 1999, informação que a antropóloga confirma. As mudanças anunciadas pelo ministro acabaram centralizando o processo de fechamento e a abertura de novos cursos no ministério, reduzindo a interferência do conselho nesse processo. (Folha de S. Paulo)
O ministro Paulo Renato Souza, da Educação, se defende das críticas feitas por Eunice Durham argumentando que os dados mostram uma realidade diferente da apresentada pela antropóloga. "A proporção de alunos das redes pública e privada no ensino superior está constante desde os anos 80, com cerca de 40% dos estudantes vindos da rede pública." Segundo Paulo Renato, de 1980 até 1994, o crescimento nas universidades federais esteve praticamente estagnado. De 1994 até 2000, o aumento foi de aproximadamente 35% no número de alunos nessas instituições. "Houve também um aumento grande nas universidades particulares, mas ele está longe de ser desmesurado. Expandir o sistema é uma necessidade do Brasil, mas isso está sendo feito com qualidade. Foi para garantir a qualidade que criamos um sistema de avaliação. O argumento de que é preciso barrar o crescimento é elitista", afirma o ministro. Paulo Renato defende o trabalho das comissões de avaliação. "Pode haver uma arbitrariedade aqui ou ali, mas as comissões são formadas por técnicos independentes e competentes." O ministro cita também estatísticas que mostram que as notas de cursos novos no provão costumam ser melhores do que as de cursos antigos. Isso prova, de acordo com ele, que a criação de novos cursos não está prejudicando a qualidade do ensino. Quanto às brigas na Justiça que o MEC perdeu, Paulo Renato diz que não é culpa do ministério o fato de ter sido criada uma "indústria de liminares" no país. "Além de lutar contra algumas instituições, nós fixamos regras que tornaram mais claras as medidas para abertura de cursos." Sobre o decreto publicado no início do mês, o ministro diz que uma das inovações trazidas foi a separação, mais clara, das funções do ministério e do conselho. "Demos uma função mais nobre ao conselho. O ministério vai agir de acordo com as regras do conselho e este tratará dos casos mais importantes, como a abertura de cursos na área médica e o credenciamento de universidades e centros universitários." Paulo Renato afirma ainda que "não entende" as atitudes de Eunice. "Não são coerentes. No episódio em que o ministério quis o fechamento do curso de direito da Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas, ela foi uma das que mais lutou no conselho contra o fechamento. Eu tenho também uma carta manuscrita dela em que ela defende mudanças que estão presentes no decreto que publicamos recentemente." (Folha de S. Paulo)
A revelação está na pesquisa do Programa de Prevenção e Tratamento ao Uso de Drogas na USP. O trabalho é preliminar e vem sendo realizado pelo Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (Grea), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da universidade. O coordenador da pesquisa, o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, explicou que o projeto tem como meta a prevenção do uso do álcool, do tabaco e das drogas na USP. "A pesquisa não tem interesse de atingir a imagem de alunos, professores e funcionários e sim ajudar e orientar aqueles que têm ou vão ter problemas com as drogas", explica o médico. "Nós não sabemos quem vai se envolver. O contato social ou ocasional com as drogas pode terminar ali ou pode provocar um quadro grave e atingir a dependência." O psiquiatra afirma que a preocupação com a USP é grande. "A universidade tem a obrigação social de saber o que acontece com seus alunos, professores e funcionários. Da USP saem líderes, pessoas de destaque para a política, a ciência e outros segmentos." Quem já respondeu ou ainda vai responder ao questionário sabe que o documento é confidencial. Ninguém se identifica. "A sinceridade é importante", diz Andrade. "Com as informações ficamos sabendo o envolvimento do pesquisado com as drogas desde a primeira vez e também se ele fez uso no último ano ou no último mês." Trabalhando há vários anos em pesquisas e no tratamento de pessoas que usam entorpecentes, o médico explicou que a prevenção é fundamental. "Na escola, o professor é importante para alertar e impedir que o aluno se envolva com drogas." A pesquisa atingiu cerca de 30% dos alunos, professores e funcionários da universidade. Pelas respostas, o trabalho constatou também o aumento no uso de alucinógenos (LSD e chá de cogumelos), inalantes (éter, benzina e lança-perfume), anfetaminas (ecstasy) e anticoléricos (remédios). De acordo com o coordenador, o problema das drogas não começa e não termina na universidade. "Muitas vezes os estudantes usam drogas em casa e em viagens. A universidade não é responsávelpelos entorpecentes, mas deve ajudar os alunos a deixarem o vício." Ele informou que, com o apoio da escola e da família, o estudante tem mais facilidade de receber os esclarecimentos sobre os malefícios das drogas. "A universidade faz a sua parte orientando, esclarecendo. Ela não tem a posição de repressão e a iniciativa de prevenção deve também vir do aluno." A pesquisa revelou que na USP o álcool e o cigarro são muito usados pelos homens. Cerca de 90% das mulher fumam cigarro e uma pequena parcela faz uso de maconha. O trabalho dos médicos constatou que nos Hospitais Universitário e das Clinicas e no Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, entre os atendidos da universidade com problemas de álcool, drogas, inalantes, cocaína e anfetaminas, 7% eram alunos. Os professores corresponderam ao porcentual de 5% e os funcionários, de 78%. A universidade tem 37 mil estudantes de graduação, 1.000 estudantes estrangeiros, 22 mil alunos de pós-graduação, 5 mil professores e 14.700 funcionáros. Andrade espera que o questionário seja respondido pela maioria dos alunos, professores e funcionários. Não estão incluídas as unidades de Ribeirão Preto, São Carlos, Bauru, Pirassununga e Piracicaba. O questionário tem o título Álcool e Drogas, Segunda Pesquisa Sobre o Uso e as Atitudes entre os Alunos de Graduação da USP - Câmpus São Paulo. Entre as perguntas estão: Se você tivesse alguma dúvida a respeito de álcool, tabaco e drogas, quem procuraria em primeiro lugar? Já experimentou alguma vez na sua vida sem orientação médica inalantes, solventes, ecstasy e outras drogas? Qual o principal motivo que o levou a fazer uso de drogas (exceto álcool e tabaco) pela primeira vez? Quem introduziu você neste uso de drogas (exceto álcool e tabaco)? A revelação do uso de drogas na USP não é nova. Uma pesquisa divulgada em março de 1997, preparada pelo próprio Grea, mostrou que, do total de alunos ouvidos, 38,1% tinham experimentado drogas ilícitas, "de maconha para cima", pelo menos uma vez. O trabalho informava que, geralmente, era com os amigos ou pessoas próximas que o estudante acabava experimentando o entorpecente. O Grupo de Apoio e Proteção à Escola (Gape), do Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc), tem realizado todas as semanas prisões de traficantes e alunos envolvidos com o uso e a venda de drogas. Na USP, no entanto, os policiais estão proibidos de entrar. A equipe do psiquiatra analisou o uso das drogas pelos alunos de uma escola de 2.º grau, nas imediações do Hospital das Clínicas, entre os anos de 1997 e 2000, no projeto Ensino Público. Após o programa de educação e prevenção de drogas desenvolvido com os professores, o uso de entorpecentes diminuiu de 35,7% para 22,4% entre os consumidores de maconha, de 16,4% para 2,7% entre os que usavam solventes, de 7,7% para 2,7% entre os envolvidos com cocaína e de 2,6% para 0% entre os consumidores de crack. Os alunos responderam ao questionário sobre o uso de álcool e tabaco. No último ano da pesquisa, em 2000, o consumo de álcool caiu de 74,7% para 71,2% e o do tabaco de 41% para 39,2%. (O Estado de S. Paulo)
Coordenador da pesquisa das drogas lícitas (álcool e tabaco), o médico André Malbergier, acredita que cerca de cem pessoas devem procurar os hospitais, até o fim do ano, com problemas envolvendo essas drogas. Nos dois locais, os pacientes são encaminhados para o programa de atendimento, que conta com o apoio de médicos, grupo de terapia e de atendimento familiar. Os médicos também treinam funcionários para conversarem com seus subordinados sobre o tema e explicarem onde procurar tratamento. O funcionário que bebe no trabalho prejudicado o seu desenvolvimento e o relacionamento com os colegas piora a cada dia. "De cem pessoas atendidas, só 50 chegam ao terceiro mês de tratamento. A recuperação total leva de seis meses a um ano", garantiu Malbergier. Os que desistem acham que estão curados ou que o tratamento não deu certo. "Estamos medindo a eficácia do tratamento e temos uma escala que mede a condição dos pacientes", relatou o médico. Uma outra pesquisa mostrou que, de cem pacientes analisados, 56% evoluíram, 32% não responderam ao tratamento e 12% pioraram, de acordo com Malbergier. "Chegamos a receber pacientes que bebem há dez anos", explica. "Nosso objetivo sempre é a prevenção." Para facilitar o trabalho, o GREA distribui cartilhas na universidade, com os números de telefone do Álcoolfone (0800-132626) e motivos para não experimentar as drogas. Há também detalhes de quem são os membros do Grea, como são os tratamentos ambulatorial e voluntário e os esclarecimentos sobre a dependência das drogas e os efeitos. As chefias de vários setores da USP ainda recebem cartilhas com o título Uso de Drogas por Funcionários: o que o Chefe Tem a Ver Com Isso? O livreto tem 20 páginas e contém informações que integram o programa de Prevenção e Tratamento de Drogas na USP (Produsp). Os médicos do Grea decidiram pela cartilha depois de terem sido procurados, nos últimos anos, por muitos encarregados e chefes que queriam informações sobre o tratamento de consumidores de drogas. Ilustrado por charges, o livreto tem explicações sobre como identificar uma pessoa que tomou álcool e quais as diferenças entre beber socialmente e ser um alcoólatra. O texto também ensina que cigarros e até remédios podem causar dependências sérias. Há, ainda, tópicos técnicos, que ajudam identificar o crack e a cocaína. Os chefes encontram na cartilha o que fazer se descobrirem que um funcionário usa álcool ou outras drogas e como ajudá-los a procurar tratamento. (O Estado de S. Paulo)
Os policiais do Grupo de Apoio e Proteção à Escola (Gape), do Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc), prenderam de janeiro a 15 de julho deste ano 95 traficantes que vendiam maconha, crack e cocaína nas proximidades das escolas e universidades da capital. Foram também identificados 16 menores envolvidos com o tráfico. O maior número de prisões ocorreu nas imediações de colégios da zona leste: 25. Os policiais do Gape apreenderam durante os seis meses 298 quilos de maconha, 16 quilos de cocaína, 1 quilo de crack e 1,2 quilo de haxixe. Com os traficantes foram encontradas 18 armas. Seis dos criminosos estavam sendo procurados pela Justiça. O diretor do Denarc, Marco Antonio Ribeiro de Campos, explicou que seus policiais são orientados a investigar e patrulhar a parte externa dos colégios e das universidades. "Mas só entramos se o reitor ou a direção autorizarem." Recentemente, investigadores prenderam um traficante nas imediações da Pontifícia Universidade Católica (PUC), em Perdizes. "Soubemos que ele freqüentava um bar, observamos o movimento dele durante vários dias e o prendemos sem que ninguém notasse", adiantou Ribeiro de Campos. Os policiais que apuram o tráfico nas universidades e nas escolas, segundo o diretor do Denarc, são experientes e sabem até onde podem agir. "Desde a criação do Gape jamais tivemos qualquer problema, seja numa universidade, numa escola ou num grupo escolar", salientou o diretor do Denarc. O Gape foi criado em fevereiro de 1997. Do dia 17 daquele mês, quando começaram os trabalhos, até o dia 16 de julho, foram presos 1.580 traficantes especializados na venda de drogas nas proximidades das escolas. (O Estado de S. Paulo) |
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