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Organizações Não-Governamentais (ONGs) e empresas estão se unindo para combater a quase ausência de negros nos bancos universitários. Leia mais:
A presidente da Universidade de Michigan, Mary Sue Coleman, definiu como "uma tremenda vitória" a decisão da Suprema Corte de que é constitucional a ação afirmativa. Leia mais:
À margem da polêmica sobre cotas no ensino superior, ONGs e empresas estão se unindo em torno de projetos voltados para um dos principais funis da educação brasileira: a quase ausência de negros nos bancos universitários. Neste mês, entrou em funcionamento o maior projeto do gênero no país, o Afro Ascendentes, sob o patrocínio da empresa Xerox, em parceria com as ONGs Geledés - Instituto da Mulher Negra, de São Paulo, e o Cieds (Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável), do Rio de Janeiro. Com orçamento inicial de R$ 750 mil, o projeto selecionou 40 jovens negros -20 em São Paulo e 20 no Rio. Desses, 90% concluíram o ensino médio e outros 10% estão cursando o 3º ano. Na primeira fase, o projeto prepara cada aluno para o vestibular. Além do cursinho, eles poderão frequentar cursos de língua, ter computador com internet em casa e ajuda de R$ 200/mês. Após o ingresso na faculdade, o projeto pagará as mensalidades, no caso de instituições particulares, e ajuda de custo e proporcionará atividades extracurriculares. A partir do ano que vem, o Afro Ascendentes selecionará 200 jovens por ano. Gradativamente, os jovens serão escolhidos mais cedo, até que 40% sejam do do terceiro ano do ensino médio, 30% do segundo ano e 30% do primeiro. Estima-se que cada aluno passe até sete anos no projeto. A idéia é que, a partir de 2004, o projeto seja financiado por um grupo de empresas. "Contatamos 18 empresas para formarmos até setembro um consórcio social", diz José Pinto Monteiro, 56, diretor-executivo do Instituto Xerox. Além de negros, os alunos têm de ter até 22 anos, se dedicar exclusivamente ao projeto e ter renda familiar per capita de até dois salários mínimos. Só em São Paulo 363 participaram da seleção. Apesar de não ter sido um critério, os selecionados se formaram ou estudam em escolas públicas. Mas como definir quem é negro? Baseado em seleções para projetos anteriores, o Geledés criou uma metodologia. "Negro é quem se identifica como negro e demonstra, na sua vivência, o racismo e a discriminação racial", diz Maria Aparecida da Silva, a Cidinha, coordenadora do programa de educação do Geledés. A escolha das carreiras também é uma preocupação do programa. Segundo Monteiro, os alunos terão de escolher carreiras nas áreas de biomédicas e exatas, onde a incidência de negros é menor. Ele explicou que o projeto será periodicamente auditado por uma empresa certificadora de qualidade. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de 2001, 97,7% dos negros e pardos entre 18 e 25 anos não ingressaram no ensino superior. Entre brancos, o índice é de 88,8%. Tanto Monteiro como Cidinha afirmam que projetos como o Afro Ascendentes não substituem a instituição de cotas para negros em universidades. "O que fazemos não se limita à porta de acesso, procuramos dar condições para que os alunos tenham sucesso. Já cota tem um impacto mais numérico e imediato", afirma ela. "A política de cotas é um belíssimo recurso dentro das ações afirmativas", diz Monteiro. (Folha de S. Paulo - 24/06/03)
Aprovado em economia da PUC-SP, ele teve de abandoná-lo no fim do primeiro ano por falta de dinheiro para as mensalidades - mesmo tendo bolsa de 70%. "Até hoje estou devendo", conta Benedicto, que agora quer se candidatar para vaga em administração pública da Fundação Getúlio Vargas. Se conseguir, poderá ser o primeiro da família a conseguir um diploma - o pai é segurança e a mãe, auxiliar de enfermagem. Benedicto tem duas irmãs - uma está cursando direito. Eles moram em um apartamento próprio em um conjunto habitacional no Campo Limpo (zona sul de São Paulo). Segundo informações da ONG Geledés, todos os alunos escolhidos em São Paulo pertencem às classes C e D e 40% moram na zona leste. As profissões mais comuns dos pais são as de eletricista, empregada doméstica, costureira e metalúrgico, embora uma boa parte esteja desempregada. A ex-office-girl Débora dos Reis, 21, é um dos dois selecionados que moram em favela. Desempregada desde janeiro, fazia trabalho voluntário numa ONG de cultura popular quando foi selecionada. Com os pais desempregados, o sustento da família (ninguém tem curso superior) é garantido por uma das duas irmãs, que trabalha como auxiliar administrativa. "O projeto é a oportunidade única para sair dessa realidade cruel que a gente vive", diz. No Rio, a maioria dos escolhidos mora em favelas, como a Cidade de Deus, que teve três selecionados, e a do Complexo do Alemão, de onde foram recrutados oito estudantes. (Folha de S. Paulo - 24/06/03)
A presidente da Universidade de Michigan, Mary Sue Coleman, definiu o resultado de ontem como "uma tremenda vitória". Ela defende que a entidade conseguiu a bênção da Suprema Corte para seu principal ponto, o de que é constitucional praticar ação afirmativa --diminuindo, assim, a importância da derrota que sofreu em relação à maneira como implementou a idéia. (Folha Online - 24/06/03)
No Brasil, a aplicação de critérios de ações afirmativas por universidades públicas também está sendo contestada na maior corte do país, o STF (Supremo Tribunal Federal). (Folha Online - 24/06/03) |
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