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O MEC (Ministério da Educação) pretende elevar de 60 mil para 400 mil, até 2007, o número de alunos matriculados na rede pública de ensino superior à distância. Leia mais:
Há cinco anos, a direção da Universidade Bandeirante (Uniban), uma das maiores do País em número de alunos, tomou uma decisão inusitada: pagar mais imposto. Leia mais:
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O Ministério da Educação pretende elevar de 60 mil para 400 mil, até 2007, o número de alunos matriculados na rede pública de ensino superior à distância, informou ontem o secretário nacional de Ensino à Distância, João Carlos Teatini. “O governo quer a construção de uma escola do tamanho do Brasil. E isso, sem educação à distância, é impossível”, disse Teatini, um dos participantes do seminário que tratou do tema no auditório do Globo. O evento, que integra a série Encontros no Globo, foi uma iniciativa do Globo On Line e do Suplemento Megazine, com apoio do MEC e do Colégio 24 Horas. - A educação à distância está pelo menos 30 anos atrasada no Brasil. O mundo usa a educação à distância nos níveis superior e básico há mais de três décadas. A Universidade Aberta Indira Gandhi, na Índia, tem 1,5 milhão de alunos no ensino superior à distância - disse Teatini, informando que até novembro estará pronto o decreto com a nova regulamentação dessa modalidade de ensino. Também participaram do evento o diretor do Programa Nacional de Informática na Educação do MEC, Américo Bernardes, a coordenadora regional da Associação Nacional de Ensino à Distância, Laura Coutinho, o consultor de marketing André Pestana e o gerente de Teleducação da Fundação Roberto Marinho, Nelson Santoniere. O seminário discutiu ainda o uso de novas tecnologias. Segundo Laura, a Internet permite uma inédita interatividade entre alunos e professores. No entanto, alerta: A web é um meio de transmissão. Não é apenas com a web que vai se conseguir a garantia de aprendizagem. Para isso, é preciso mudanças na escola. Até do lay-out das salas, que dificultam os novos projetos - afirmou Laura. Outro desafio é distribuir mais computadores pelas escolas, segundo Bernardes. Ele disse que a relação no país é de um computador para 120 alunos da rede pública do ensino fundamental e médio. Isso está muito longe do razoável. É preciso que seja uma relação de 50 alunos por computador, o que significaria que cada aluno teria um contato de duas horas semanais com o equipamento. O custo para isso é de R$ 3 bilhões. É preciso investir no equipamento e na capacitação de diretores, alunos e técnicos de manutenção - disse Bernardes. Segundo Bernardes, o MEC está em busca de recursos para reduzir esse déficit. A meta é chegar a 2010 com todas as escolas públicas informatizadas. O Plano Plurianual prevê cerca de R$ 400 milhões para o ProInfo (programa de informatização das escolas públicas). Santoniere contou que a Fundação Roberto Marinho precisou superar obstáculos ao iniciar o projeto de telecursos, como o preconceito existente contra a educação à distância. E explicou o sucesso da iniciativa das Telessalas (cerca de 22 mil distribuídas no país), que permitem a interação com os alunos. Isso permitiu uma verdadeira revolução. Passamos a organizar grupos de estudo, capacitando orientadores. Pestana disse que as mudanças provocadas com as inovações tecnológicas são irreversíveis. O grande desafio das instituições de ensino está em combinar tradição com modernidade - disse (O Globo – 24/10/03)
Há cinco anos, a direção da Universidade Bandeirante (Uniban), uma das maiores do País em número de alunos, tomou uma decisão inusitada: pagar mais imposto. Deixou de ser uma instituição sem fins lucrativos e assumiu seu perfil empresarial, com tudo o que tem direito. Começou a trabalhar com planejamentos de gestão e financeiro, a ter uma administração mais profissionalizada e também a pagar ISS, Imposto de Renda pessoa jurídica, PIS e Cofins - como outra empresa qualquer. A iniciativa parece agora inspirar outras instituições. "No começo (após a nova legislação de 1997 que permitiu que universidades e faculdades passassem a ter fins lucrativos) não houve grande apelo para as transferências. Agora eu sinto que começa haver um movimento de transformação", diz o presidente da Associação Brasileira de Mantenedores do Ensino Superior, Edson Franco. Um dos motivos para esse interesse é que, nos últimos dois anos, fundos de investimento - alguns com recursos de estrangeiros - vêm fazendo ofertas de injeção de capital e aquisição de instituições. "Há uma atenção cada vez maior das instituições para o cenário de fusões, aquisições e investimentos de fundos. Quem tiver transparência e planejamento estratégico estará em condições de fazer grandes negócios nos próximos anos. Nenhum investidor vai querer negociar com empresas que não são transparentes", afirma Sérgio Duque Estrada, da consultoria financeira ValorMax, especializada em fusões e reestruturações de empresas. Das mais de 1.700 instituições de ensino privadas no País - que movimentam R$ 15 bilhões por ano, cerca de 100 já funcionam como empresas. "Nós saímos na frente", diz Maurício Leonardi, diretor-financeiro da Uniban. "Embora no momento não tenhamos esse interesse, já estamos preparados para eventuais negócios com investidores no futuro." Instituições sem fins lucrativos não podem, por lei, distribuir seus lucros entre os sócios e todo o rendimento tem de ser reinvestido na própria instituição. Propostas - Em setembro, a CM Consultoria Educacional fez uma pesquisa com 70 instituições privadas, principalmente do Sudeste, que apontou: 25,7% das consultadas já receberam propostas de investidores e 61,5% têm interesse de recebê-las. "Alguns mantenedores só estão esperando uma boa proposta para fazer a transição", diz o diretor da consultoria, Ryon Braga. A Anhembi-Morumbi, de São Paulo, é uma das que consideram a possibilidade de transformação. Alguns de seus diretores avaliam que a mudança facilitaria a captação de empréstimos (muitos bancos resistem a conceder financiamentos a instituições sem fins lucrativos) e a atração de fundos. A questão é: até que ponto vale a pena ter de conviver com os impostos? O impacto dos impostos no faturamento bruto gira em torno de 20%, segundo estimativa da Receita Federal. A Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), outra paulista que mudou seu status para empresa com fins lucrativos em 1998, sentiu o peso da tributação em suas contas e já pensa até em voltar atrás. "Nos tornamos mais atraentes para o mercado. Temos sido procurados por muita gente, principalmente pelos fundos" diz o chanceler da instituição, Paulo Naddeo. "Mas o setor da educação tem uma alta inadimplência e, com os impostos que passamos a ter de pagar, não conseguimos aumentar o faturamento." Apesar do assédio dos fundos, nenhuma oferta até agora interessou a direção da Unicid. (O Estado de S. Paulo – 24/10/03) |
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