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Estudantes conseguem bolsas de estudo internacionais por meio do esporte para estudar o ensino superior. Leia mais:
Graduações em várias áreas da música, de regência e composição a canto, passando por uma multitude de instrumentos. As faculdades de música vem crescendo cada vez mais e se especializando. Leia mais:
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Em maio, eu estava louca, preocupada com o Enem e com o vestibular. Agora, minhas colegas estão se matando em cursinhos, e eu, em janeiro, já estarei em uma universidade nos Estados Unidos", comemora Mirela Braghini, 17, única brasileira aprovada numa grande peneira de jovens atletas a uma bolsa que garantirá a ela o ensino superior no exterior. Em julho, Mirela participou com mais de cem candidatos latino-americanos do processo seletivo do o Idea (International Doorway to Education and Athletics), programa americano que dá bolsas para atletas estrangeiros. O programa chegou ao Brasil apenas neste ano, com a DW Brazil, uma agência de cursos no exterior localizada em São Paulo. Dirigido principalmente para a América Latina (dos 140 inscritos avaliados, 110 eram latino-americanos), os alunos pré-selecionados são reunidos em determinadas universidades para atividades que servirão de base para que técnicos de várias modalidades esportivas os observem. Mesmo sem encarar o vestibular, os testes por que Mirela teve de passar não foram fáceis. Entre os jovens que jogavam basquete, ela foi a única mulher aprovada pelo Idea. Com 1,75 m e 62 kg, ela teve de jogar em um time de meninos para participar da avaliação final. A maior dificuldade da jovem atleta paulistana foi tentar aparecer na partida, já que seus companheiros de time não passavam a bola, e os adversários a ignoravam. Uma passagem lembrada com humor por Mirela foi ter percebido a revolta de um candidato argentino, substituído por ela, que não acreditava ter sido desbancado por uma mulher. Depois dos testes, em poucos dias, Mirela tinha cinco propostas de bolsas em universidades. Ponderando tanto o lado esportivo como o acadêmico, ela ficou com a primeira que havia chegado a suas mãos: a da Mayville State University, no Estado de Dakota do Norte. "No Brasil, eu pretendia fazer propaganda e marketing na ESPM. Pagaria uns R$ 15 mil por ano, fora livros e outros custos. Nos EUA, com a bolsa, vou pagar US$ 4.100 por ano (cerca de R$ 12 mil), incluindo livros, moradia e alimentação. E ainda ganho um laptop logo que chegar lá", compara a jogadora. Sem a bolsa, o valor anual do curso de "business administration" sem incluir custos extras ultrapassaria US$ 30 mil. Assim que chegar, Mirela deve se juntar ao time e estrear no campeonato universitário, na 14ª rodada. O objetivo, no entanto, é chegar à WNBA, a versão feminina da NBA (National Basketball Association). "Esse sonho sempre passou pela minha cabeça, desde quando comecei a jogar, com 11 anos. Agora, estou mais perto dele", diz. Mas Mirela não esquece as dificuldades de conciliar o basquete com seus estudos. "Lá, vou ter treinos de manhã e à noite e estudos à tarde." Para participar da seleção do Idea, é necessário ter de 16 a 26 anos e praticar os esportes listados entre eles, futebol, basquete, golfe e tênis. A dica "quente" de Karen McQuade e Maria Helena Ferrari, coordenadoras da DW Brazil, é o futebol feminino, categoria na qual a procura por novas atletas está em alta. Além das habilidades esportivas, o processo conta com testes de conhecimento, com alguns custos pagos pelo concorrente. A primeira seleção é feita no Brasil, onde os atletas passam por uma avaliação com técnicos de suas modalidades e pagam uma taxa de US$ 500 (cerca de R$ 1.500), reembolsáveis caso o candidato não passe dessa fase. Aprovado no Brasil, o aluno deve custear sua ida aos EUA, onde participará das etapas seguintes. Mas há outras formas de aproveitar o talento esportivo para garantir uma chance melhor no ensino superior. Em São Paulo, os clubes Pinheiros, Hebraica e Esperia mantêm uma parceria com a Unip (Universidade Paulista) para oferecer bolsas a seus atletas. Em troca dos benefícios aos estudantes, os clubes cedem espaço para as instituições de ensino. Para o gerente de marketing do clube Pinheiros, Hernaldo Santini, "sem a parceria com a Unip, grande parte dos atletas desistiriam do esporte, pois teriam de trabalhar para pagar seus estudos". Para ele, o crescimento do esporte universitário só favoreceria os grandes clubes. Além da Unip e da Uni Sant'Ana, na zona norte da capital paulista, que também conta com atletas de alto rendimento como bolsistas, a Universidade Mackenzie tem um programa de bolsas. Mas Geraldo de Souza, gerente de auditoria e esporte, salienta que o desempenho esportivo é apenas o terceiro item a ser contado para a concessão de descontos, que podem chegar a 100%. "Em primeiro lugar, leva-se em consideração a condição financeira do aluno, depois seu desempenho acadêmico e, por fim, o atlético", diz. A Universidade Metodista de São Paulo não conta com um programa específico para atletas, que apenas se encaixam nas bolsas, com descontos de 20% a 80%. Mas recebem ajuda de custo da universidade, por exemplo, alguns alunos campeões pan-americanos de handebol pelo Brasil, em julho. Atualmente, também tramita no Congresso um projeto de lei sobre bolsa-atleta. O objetivo é beneficiar os atletas em formação que estejam em seleções brasileiras de categorias de base ou indicados por federações esportivas. Mas a sorte também ajuda. Danilo Castro, 24, conseguiu em 1998 uma bolsa quase integral para concluir sua graduação em comércio exterior na Universidade do Tennessee, nos EUA. Seu mérito: jogar tênis. Ele foi visto por um olheiro americano enquanto jogava no Brasil. Quando terminou o curso, subiu mais um degrau: foi convidado pelo técnico do esporte para ser seu assistente, o que lhe valeu uma bolsa para um MBA, concluído em maio passado. Hoje, casado e professor de tênis no University Club, em Memphis, Danilo coordena um programa infantil. "Não pretendo voltar tão cedo", diz. DW Brazil: 0/11/5687-0607
ou www.dwbrazil.com.br (Sinapse – 25/11/03) Ele tem mais de 60 óperas no repertório, foi o responsável por casas alemãs como a Ópera de Bremen e a Ópera Alemã do Reno, de Düsseldorf, e tem sido elogiado pela crítica especializada pela melhoria no nível da Orquestra Sinfônica Municipal desde que assumiu a direção musical do Teatro Municipal de São Paulo, no começo de 2002; agora, contudo, sua ambição é pedagógica. Ex-aluno do lendário pianista cubano Jorge Bolet (1914-1990), o maestro norte-americano Ira Levin, 45, vai contribuir para a formação de novos musicistas brasileiros: ele é a principal estrela do corpo docente da Escola Superior de Música, que começa a funcionar na Faculdade Cantareira a partir do ano que vem. "Acho importante passar conhecimento para as gerações futuras e creio que o Brasil tem um potencial incrível e inexplorado, para o qual eu gostaria de colaborar", afirma Levin, titular da cadeira de regência do curso que será dirigido por Henrique Autran Dourado, 50, também diretor da Escola Municipal de Música de São Paulo. Instalada na área onde funcionava a fábrica de brinquedos Estrela, no bairro do Belenzinho, na zona leste de São Paulo, a Escola Superior de Música vai apostar na qualidade dos professores. "Por que a faculdade de Medicina da USP é a melhor? Não é pelo prédio, ou pelo nome da universidade. É pelo corpo docente", diz Dourado. O diretor do novo curso montou uma equipe em que figuram alguns nomes de referência na formação dos respectivos instrumentos, como a violinista Elisa Fukuda, 51, formada pelo Conservatório de Genebra, o violoncelista Zygmunt Kubala, pós-graduado na Academia Superior de Música de Colônia, e o violonista Henrique Pinto, cujo nome aparece como professor no currículo de uma plêiade de astros brasileiros do violão. O programa do curso tem o formato baseado no modelo alemão da "Hochschule" (de onde vem o nome Escola Superior), bem como no das instituições norte-americanas, como a Juilliard School e a New England, com "um currículo mais enxuto, voltado para a música", se comparado aos que já existem no Brasil. Em estrutura semestral, com quatro anos de duração, o curso oferece bacharelado em música (mas não licenciatura). Ao todo, são 60 vagas, com processo seletivo marcado para 6 de dezembro. A mensalidade deve ficar em torno de R$ 500. O objetivo é ter alunos que já saibam tocar e queiram se aprimorar. Por isso, as aulas vão se iniciar à tarde, às 16h e terminar às 20h. "Quero poder receber o aluno que, pela manhã, ensaia em orquestra. A vantagem desse horário é que, depois da aula, à noite, ele ainda pode sair para realizar um concerto". Dourado, diretor do curso, promete uma seleção musical rígida, com banca específica para cada instrumento: "Entrará o melhor". Ira Levin, por exemplo, programa ter classes de pelo menos cinco alunos, que assistirão a aulas ministradas em inglês (o português dele ainda é precário) e terão a oportunidade de acompanhar seus ensaios no Municipal, além de discutir as obras por ele preparadas com a orquestra. "Eu gostaria de vê-los tendo a oportunidade de reger uma sessão ocasional com uma orquestra profissional, porque nada pode substituir o ato de fazer isso de verdade", diz o regente. A Escola Superior de Música que planeja também iniciar em 2004 o que deve ser o primeiro curso superior para tecnólogos de áudio do Brasil vem se juntar a outros cursos superiores que já existem na capital, como os da Faculdade Santa Marcelina, da UniFiam-Faam, da Faculdade de Música Carlos Gomes e da Faculdade Mozarteum, a maioria com processos seletivos marcados para dezembro. As universidades públicas também oferecem graduações em várias áreas da música, de regência e composição a canto, passando por uma multitude de instrumentos. O Instituto de Artes da Unesp, sediado no bairro do Ipiranga, na zona sul da cidade. Na Unicamp, há opção também pela música popular, e, neste ano, foi criado em Ribeirão Preto um Departamento de Música da ECA-USP, com cursos de licenciatura e bacharelado em música e formação específica em instrumento. Em São Paulo, a ECA também oferece os cursos. Para os profissionais da área, a abertura de mais cursos que selecionam com rigor seus alunos só traz vantagens para a música que se toca e que se ouve. "Houve um grande avanço há uns quatro anos, quando a prova específica de música passou a selecionar previamente os candidatos", afirma o compositor Mário Ficarelli, chefe do Departamento de Música da ECA-USP, fundado em 1970. "Antes, pessoas eram aprovadas no vestibular sem nenhum conhecimento musical; a prova de aptidão era meramente classificatória", afirma. Com o novo sistema, as desistências no curso diminuíram, porque passaram a entrar na universidade apenas alunos em condições de acompanhar o curso. E a procura tem crescido. "No ano passado, foram 550 candidatos para o curso da ECA; neste ano, foram 700, e 160 passaram na prova específica", diz Ficarelli. Para se aventurar no curso superior de música é necessário ter um bom conhecimento prévio. De acordo com Ficarelli, esse conhecimento é cada vez mais provido pelas igrejas evangélicas, de onde sai um número crescente de alunos. "Infelizmente, não temos no Brasil a escola de base que equivale ao ensino médio em música. Até 1970, bem ou mal, esse papel era feito pelos conservatórios, que eram fiscalizados. Depois, a LDB (Lei de Diretrizes Básicas) transformou os conservatórios em escolas livres, sem fiscalização. Criou-se um vazio: a maioria fechou", conta o compositor. Mas os cursos superiores de música têm se expandido também na música popular, apesar da crença de que "ninguém aprende samba no colégio", como disseram Vadico e Noel Rosa em "Feitio de Oração". A maior novidade nessa área é a Faculdade Internacional de Música Souza Lima & Berklee, que começa a funcionar também a partir do ano que vem. Há quatro anos, o Conservatório Musical Souza Lima mantém convênio com a Berklee College of Music, de Boston (EUA), tida como um dos principais estabelecimentos de ensino superior de música popular do mundo. "Com a Faculdade Internacional, o aluno que for aprovado aqui faz dois anos no Souza Lima e já entra no terceiro ano na Berklee", explica Lupa Santiago, coordenador do curso. Ao se transferir para os EUA, o aluno terá de arcar com despesas de hospedagem e mensalidade. "Mesmo assim, vai compensar, porque na Berklee o semestre custa cerca de US$ 10 mil. Seria muito mais caro ter de estudar os quatro anos lá", afirma Santiago. Quem opta por só fazer os dois anos de curso no Brasil recebe o diploma de técnico em música. Concluir o curso nos EUA dá direito ao "degree", título acadêmico norte-americano comparável à graduação. No futuro, o próximo passo será oferecer um curso de quatro anos inteiramente nacional. Para 2004, a faculdade internacional abrirá 30 vagas, que incluem canto, saxofone, guitarra, baixo e bateria. Os alunos serão reunidos em uma turma única, no período matutino. Os integrantes do corpo docente ainda não foram anunciados, mas há a promessa de que sejam apenas professores com formação internacional. O processo seletivo está marcado para janeiro de 2004, e as aulas começam no mês seguinte. A Alemanha sempre foi conhecida por seu tradicional ensino de música clássica. Os jovens alemães, porém, acabam de ganhar uma nova opção de formação: a Academia Pop, inaugurada mês passado na cidade de Mannheim (sul do país). Trata-se da primeira instituição de ensino estatal de música popular, que se propõe a formar também futuros "managers" do showbiz. Os alunos podem optar entre dois cursos: "popmusic-design" e "popmusic-business". O primeiro é destinado para quem atuará no palco: cantores, instrumentistas, compositores e DJs. O segundo é de administração e negócios para quem pretende, por exemplo, dirigir uma banda ou abrir uma produtora de discos. Segundo o diretor da nova instituição, o baterista Udo Dahmen, ex-professor da conceituada Escola de Música de Hamburgo, "os estudantes deverão ir além do 'fazer música', ou seja, não só conseguir entrar mas também se estabelecer no mercado". Depois dos três anos de formação, os alunos saem com o título de bacharel. As disciplinas da Academia Pop são ministrados por músicos e produtores, alguns deles famosos, como o cantor e compositor Xavier Naidoo, uma das maiores estrelas da música popular alemã. Convidados estrangeiros também são recrutados, como o músico britânico Trevor B. Lewis. O modelo que a Academia Pop seguiu para estruturar-se foi a Lipa (Liverpool Institute of Performing Arts), escola fundada pelo músico Paul McCartney há sete anos. A Lipa fica em Liverpool, cidade dos Beatles. Os cursos têm três anos de duração (graduação) e oferecem formação em dança, teatro, música e canto. Mas, como a nova escola da Alemanha, é diferente das demais porque ensina também como trabalhar nos bastidores, com cursos para técnicos de som, por exemplo, e gerência e administração de shows. A idéia da escola britânica sempre foi ensinar que há muitas oportunidades de trabalho no mundo do showbiz. "A orientação é dar aos alunos um leque de possibilidades de emprego na indústria de espetáculos", explica Darren Murphy, diretor internacional da Lipa. A inspiração para o formato da escola, diz o prospecto da Lipa, veio de Ira Gershwin. "O que vem primeiro, a música ou a letra?", perguntaram ao músico norte-americano. Gershwin respondeu: "O contrato". A Lipa funciona no colégio onde McCartney e George Harrison estudaram. Também ali, todos os anos, grandes nomes do showbiz internacional fazem palestras aos alunos entre eles, Elton John, Elvis Costello e os patronos Alan Parker e Carly Simon. Paul McCartney também participa de perto, dando palestras, aconselhando alunos de música e avaliando cada um no último ano. Dos 630 alunos da Lipa, mais de 200 são de fora do Reino Unido. "Temos estudantes de 30 países, mas nenhum brasileiro, até agora", conta Murphy. O preço para estudar lá não é pequeno para quem vem de fora da União Européia. Só a anuidade sai por £ 8.250 (cerca de R$ 37 mil), sem contar alimentação e alojamento. Para quem mora na UE há pelo menos três anos, a anuidade é de £ 1.100 (cerca de R$ 5.500). Os interessados podem procurar mais detalhes no site da escola. Para começar a estudar neste primeiro ano da escola alemã, cerca de 700 jovens se candidataram para as 54 vagas. Apesar de ser estatal, a Academia Pop cobra dos alunos uma taxa de E 500 (R$ 1.750) por semestre, mas há bolsas (www.popakademie.de). Para estrangeiros, é preciso ter ensino médio reconhecido no país e falar alemão. (Sinapse – 25/11/03)
Faculdade
Cantareira (São Paulo) Faculdade
Internacional de Música Souza Lima & Berklee (São Paulo) Faculdade
Mozarteum (São Paulo) USP (São
Paulo e Ribeirão Preto) Faculdade
Santa Marcelina (São Paulo) Faculdade
de Música Carlos Gomes (SP) Unesp (São
Paulo) Unicamp (Campinas) UniFiam-Faam
(São Paulo) (Sinapse – 25/11/03) |
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