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Especialistas discutem ensino médico Conferência reúne médicos para discutir a qualidade do ensino nas escolas de medicina do país. Segundo profissionais, os alunos não tem sido devidamente preparados nas universidades. Leia mais. Aluno ameaça deixar curso em Barretos Com medo de ficar sem diploma, alunos da Faculdade Soares de Oliveira, Barretos (SP), ameaçam abandonar a instituição. Acusada de venda de diplomas a faculdade está sendo investigada pela Polícia Civil. Leia mais.
As escolas de medicina
não estão preparando profissionais aptos para cuidar de
pacientes. A afirmativa é do coordenador científico da Conferência
Internacional de Educação Médica, professor Ernani
Arboim. Ele condena a ultra-especialização dos médicos
e afirma que os recém-formados não conseguem diagnosticar
doenças sem ajuda de exames laboratoriais, têm dificuldades
para comparar casos, pesquisar ou criar. "Eles deveriam ter conhecimento
mínimo para tratar 90% das doenças sem as máquinas.
Tanto não estão preparados, que têm procurado a pós-graduação",
afirmou o médico, diretor de pós-graduação
do Instituto Carlos Chagas e integrante da Academia Nacional de Medicina
(ANM), organizadora do evento. (O Estado de S. Paulo)
Alguns alunos da Aceb (Associação Cultural e Educacional de Barretos), mantenedora da Faculdade Soares de Oliveira, estão ameaçando abandonar o curso ou pedir transferência, com medo das medidas que podem ser tomadas pelo MEC (Ministério da Educação) contra a faculdade. A Aceb está sendo investigada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público pela venda de diplomas dos cursos de pedagogia, ciências contábeis e processamento de dados. Uma aluna de pedagogia, que pediu para não ser identificada, disse que pode abandonar o curso no final do ano, dependendo do desenrolar das investigações e das medidas que forem tomadas pelo MEC. "Do que adianta eu fazer três anos de faculdade para depois correr o risco de não ter o meu diploma registrado? Vou terminar pelo menos esse semestre para não perder ele todo, mas acho que no final do ano vou trancar minha matrícula e esperar uma definição. Eu só não peço transferência porque não tenho como estudar fora de Barretos", disse a estudante. Ex-alunos da faculdade disseram ontem à Folha que sabiam da existência de um "esquema" de venda de diplomas. A secretária de escola Sandra Regina Pereira diz que sempre soube que haviam alguns alunos que não frequentavam o curso, mas obtinham seus diplomas. "Isso vai da consciência de cada um. Quem quer estudar, estuda. Quem não quer, compra o diploma", diz Sandra. De acordo com ela, alguns alunos iam à faculdade somente nos dias das provas, mas ela não soube dizer quantos faziam isso. Sandra se formou em pedagogia na Faculdade Soares de Oliveira em 1994. Ela afirma que a formação profissional é muito boa, mas se diz receosa sobre o que pode acontecer com seu diploma agora que há investigação sobre as irregularidades. A UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), entidade autorizada pelo MEC para validar os diplomas emitidos pelas faculdades da região, suspendeu a validação desde o ano passado, quando surgiram as primeiras evidências de irregularidades. Segundo o delegado do 1º Distrito Policial de Barretos, Antônio Alício Simões Júnior, podem ter sido emitidos 40 mil diplomas irregulares desde 1980. A Folha não conseguiu falar ontem com o presidente da Aceb, Milton Diniz Soares de Oliveira. (Folha de S. Paulo) |
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