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Concluintes das federais perdem oportunidades de emprego por causa do atraso da formatura. São estudantes que chegam a ser aprovados em processos seletivos, mas não podem assumir a vaga porque a formatura está atrasada. Leia mais
A greve dos professores das universidades federais, que já dura mais de três meses, causa mais transtornos na vida dos estudantes do que o risco de perder as férias de verão. Em alguns casos, pode até acarretar a perda de um emprego. É o caso do estudante Danilo Augusto Barbosa Aguiar, formando de direito da Universidade Federal de Pernambuco, em Recife. Ele passou no concurso para técnico judiciário do Tribunal de Justiça do Estado, foi nomeado e não pode assumir o cargo porque a formatura está atrasada devido à greve. Aguiar ja pediu prorrogação do prazo de posse, mas o novo limite é fevereiro. "A esta altura, posso considerar o concurso perdido", lamentou. "Mesmo que as aulas fossem retomadas agora, não daria tempo de terminar o semestre a tempo." Aguiar foi aprovado em 12.º lugar; são 95 vagas. Seu caso está longe de ser o único. Em Curitiba, Ivens Henrique, formando de direito da Universidade Federal do Paraná, pode perder a chance de trabalhar em um escritório em que foi admitido. Mas para assumir o cargo, tem de apresentar o diploma e exame de ordem - o que não sabe quando conseguirá fazer. "O clima é de indefinição." A formatura já está marcada para 6 de fevereiro. Os alunos que tinham de cursar disciplinas apenas do 5.º ano - metade dos 65 formandos - convenceram os professores a dar aulas. "Mas precisamos que elas sejam validadas porque oficialmente o calendário está suspenso", argumenta. O estudante de estatística da Universidade de Brasília (UnB) André Luís Souza calcula o prejuízo causado a ele pela greve em R$ 4 mil - a soma do salário mensal que deixa de receber porque sua formatura foi adiada. Por isso, seu primeiro contrato profissional terá de ficar para o próximo ano: ele recebe R$ 260,00 em um estágio de quatro horas no Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea), em Brasília. Já estaria recebendo no mesmo serviço cerca de R$ 1,2 mil se estivesse com o diploma na mão. André foi sondado pelos chefes, que demostraram intenção de contratá-lo como consultor. Souza estima que terminará o último semestre daqui a quatro meses. Já Cristiano Machado, formando em economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, pode perder a vaga no mestrado da Fundação Getúlio Vargas, no Rio. Ele passou o ano todo estudando e foi selecionado entre 800 concorrentes. Como não deverá ter o diploma em mãos antes de maio, corre o risco de perder a vaga. "É um tempo que não volta mais", queixa-se. (O Estado de S. Paulo)
Após três meses de greve, alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estão divididos quanto ao de reinício imediato do período letivo. Na quarta-feira, professores da UFRJ aprovaram em assembléia um indicativo de saída da greve. Mas mesmo sem uma orientação oficial, alguns professores já voltaram às aulas. Aluna do 5.º período de belas artes, Júlia Traub Csekö, de 20 anos, defende a anulação do período letivo. "Acho um erro voltar com as aulas no fim do ano. O período deveria ser anulado, recomeçando do zero no ano que vem", disse ela, ressaltando que alguns podem ser prejudicados, mas que seria a decisão "menos complicada". "Com certeza ninguém vai aprender nada. Todo mundo com que converso diz que vai trancar a matrícula", diz ela. A anulação, medida não prevista no estatuto da universidade, seria a "pior coisa", para Tiago Lethbridge, do 6.º período de comunicação. "Sou a favor de voltar o quanto antes. Cancelar é pior do que estudar no verão, vai atrasar tudo", diz ele, referindo-se aos meses em que deverá ocorrer a reposição. Os irmãos Ticiana e Yuri Vasconcelos Silva, de Curitiba, divergem quanto à solução. Ela é caloura de turismo e torce pelo cancelamento. Yuri, por sua vez, quer que a greve acabe logo, a fim de garantir sua formatura em arquitetura em março. Além da qualidade das aulas da reposição, há quem tenha de se preocupar com assuntos domésticos. André Penteado Vitta, calouro de oceanologia da Universidade Federal do Rio Grande, no Rio Grande do Sul, vai ter de mudar de casa, se a reposição ocorrer no verão. Ele vive em um balneário, onde repúblicas dos estudanntes são usadas como casas de veraneio a partir de dezembro. "Os aluguéis passam de R$ 250 para R$ 3 mil. Vamos ter de nos juntar em grupos e nos espremer em uma casa", conta ele. (O Estado de S. Paulo)
Acuados por resistências nos câmpus das federais do Rio de Janeiro (UFRJ), Pernambuco (UFPE), Rural de Pernambuco (UFRPE) e São Carlos (UFSCar), os líderes da greve dos professores ficaram enfraquecidos e desistiram de pedir a incorporação ao salário da Gratificação de Atividade Executiva (GAE). A exigência era o principal entrave nas explosivas negociações entre sindicalistas e representantes do Ministério da Educação (MEC) durante a paralisação, que completa hoje 94 dias. Com isso, ganha força a proposta de reajuste salarial que privilegia doutores e mestres apresentada pela Associação Nacional dos Dirigentes (Andifes) e aceita pelo governo. Pela sugestão dos reitores, docentes com doutorado que recebem hoje 50% a mais que professores sem titulação teriam adicional de 72%. Já os mestres passariam de 25% para 36%. Menos ganhos teriam os profissionais com especialização de 360 horas (12% para 18%) e os que possuem cursos de aperfeiçoamento (5% para 9%). "Entre a proposta da Andifes e o acordo que defendemos só há um ponto diferente", disse José Domingues Godói, do Sindicato Nacional dos Docentes (Andes), que nega a perda de força do Andes. O "ponto" referido pelo sindicalista se chama "incorporação da GAE", uma reivindicação que não está incluída na proposta dos reitores. A incorporação da GAE fechou as negociações e reacendeu a briga entre o Palácio do Planalto e setores do Poder Judiciário, a partir da determinação do governo em bloquear o salário dos grevistas. A ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal (STF), até a noite de ontem não havia julgado o pedido do governo para derrubar liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que exigia a liberação do pagamento de outubro. (O Estado de S. Paulo)
O retorno às aulas nas universidades federais está crescendo. Já se prevê para a próxima semana a volta às atividades no câmpus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ontem, várias unidades da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) funcionaram. Ainda ontem, a proposta da Andifes foi aceita pelos docentes de Pernambuco. "Eu não acredito que essa seja uma saída honrosa para a categoria, mas uma proposta muito boa", disse o reitor da Federal do Espírito Santo (UFES), José Weber Macedo. Ele já apresentou a proposta da Andifes aos docentes de sua instituição. Na noite de quarta-feira, horas depois de os professores da UFRJ decidirem voltar ao trabalho, o presidente do Andes, Roberto Leher, já admitia que a posição dos docentes da maior instituição federal do País havia minado a continuidade da greve. "Foi um duro golpe", afirmou. O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, comemorou a decisão dos professores da UFRJ. Mas garantiu que não sentiu "gostinho especial" pela derrota do Andes justamente na instituição em que leciona o professor Roberto Leher. "Eu não tenho nenhuma alegria nessa greve e nem vontade de vingança de quebrar o movimento", afirmou. Paulo Renato agora vai discutir sobre universidade bem longe dos sindicalistas. Na segunda-feira, ele viajará para Madri, na Espanha, onde fará palestra sobre "A universidade na sociedade de aprendizagem mundial", durante seminário na sede da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI). (O Estado de S. Paulo) |
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