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Alunos frequentaram curso 1 vez por mês Três alunas do curso de pedagogia da Faculdade Soares de Oliveira, em Barretos (SP), confirmam que compareciam às aulas uma vez por mês. Mesmo assim, as estudantes concluíram o curso e afirmam não saber que a prática era irregular. Leia mais.
Ex-alunos da Faculdade Soares de Oliveira, mantida pela Aceb (Associação Cultural e Educacional de Barretos), afirmaram que não frequentavam as aulas e compareciam à escola apenas para fazer provas e entregar trabalhos uma vez por mês. O MEC (Ministério da Educação) informou que isso é irregular. Segundo a assessoria do ministério, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) determina que todos os cursos de graduação no país tenham, no mínimo, 200 dias de aulas no ano letivo mais os dias destinados às provas finais. A Aceb não quis se pronunciar ontem sobre o caso. A Folha conversou ontem com três ex-alunas da Aceb que confirmaram a frequência apenas nos dias de provas. Elas constam de duas relações que foram entregues à reportagem pela viúva do ex-presidente da Aceb João Carlos Soares de Oliveira Júnior, Débora Carla Domingues. As duas listas, também investigadas pela polícia, são compostas de aproximadamente 900 nomes. Uma delas é de formandos do curso de pedagogia de 1998. A outra é de alunos que estavam no primeiro ano do mesmo curso em 1995. A polícia ainda não ouviu as pessoas que constam dessa listagem, mas vai convocá-los. Todos os alunos estão relacionados aos possíveis agenciadores em 17 cidades dos Estados de São Paulo e Minas Gerais. As três alunas são de São Paulo e fizeram suas matrículas no colégio Planeta, com uma pessoa chamada Marcos. A reportagem identificou a pessoa como sendo Marcos Antônio Zanotti, diretor da escola e dono do Marcos Supletivo, que nega participação nas irregularidades. Durante três anos, as professoras F.J.V.G. e E.A.S.F. pagaram suas mensalidades e viajaram a Barretos pelo menos uma vez por mês, sempre em turmas, para fazer as provas para o curso de pedagogia. "A gente ia para pegar os temas dos trabalhos e para levá-los de volta depois", disse E.A.S.F.. Segundo ela, os trabalhos tinham que ser feitos a mão, segundo exigências da Aceb. Elas se formaram em 1998, mas ainda não receberam o diploma, pois a UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), entidade autorizada pelo MEC para fazer a validação de diplomas de faculdades da região, suspendeu o processo quando surgiram as primeiras denúncias de irregularidades. "Os trabalhos que a gente fez estão lá. Tenho todos os boletos das mensalidades guardados. Eu jamais ia imaginar que ia ter problema, mas eu não vou jogar tudo isso para o alto. Tenho 15 anos de magistério", disse F.J.V.G.. De acordo com ela, a mensalidade era de cerca de R$ 300 por mês. As duas optaram por
cursar pedagogia para poder prestar concursos para a direção
de escola. F.J.V.G. disse que terá um concurso em março
e ela espera ter seu diploma regularizado até lá, para não
perder o concurso. Já C.F.H.L., também professora, viajou a Barretos uma vez por mês para fazer provas e entregar trabalhos apenas durante um ano, em 1995. Ela disse que abandonou o curso de pedagogia na Faculdade Soares de Oliveira em novembro quando soube que poderia haver irregularidades. Ela também
fez matrícula no Colégio Planeta com o mesmo Marcos. De
acordo com ela, quando parou o curso, a mensalidade custava cerca de R$
380. "Já tentei falar com ele na quinta-feira passada e vou tentar hoje de novo. Ele só pode ser encontrado às quintas. Quero saber direitinho como está isso", disse F.J.V.G.. (Folha de S. Paulo)
Todos os cursos de graduação no país têm de ter, pelo menos, 200 dias letivos durante o ano, sem contar o prazo para a realização das provas finais, segundo o MEC (Ministério da Educação). Pela Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, dos 200 dias não fazem parte o reservado aos exames finais. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos, quando registrados, terão validade nacional como prova da formação recebida por seu titular. Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados. No caso da Aceb, o registro era feito pela UFSCar. (Folha de S. Paulo)
Três ex-alunas da Faculdade Soares de Oliveira, de Barretos, que faziam o curso de pedagogia somente aos finais de semana, se julgam vítimas e demonstram sentimento de terem sido enganadas pela entidade. A professora F.J.V.G., de São Paulo, disse que frequentou o curso por três anos apenas aos finais de semana porque achou que isso era legal. "O MEC (Ministério da Educação) não sabia que era só aos finais de semana? Tem outras escolas que fazem a mesma coisa e o MEC não sabe? Eu mesma prestei vestibular em uma faculdade de Minas Gerais para fazer o curso do mesmo jeito", disse F.J.V.G.. E.A.S.F., professora em uma escola estadual da capital, assim como F.J.V.G., disse que ia a Barretos em turmas uma vez por mês para fazer provas e pegar os temas dos trabalhos a serem feitos e entregues posteriormente. C.F.H.L., que trabalha em uma escola municipal de São Paulo, disse que abandonou o curso quando tomou conhecimento de que a frequência apenas aos finais de semana é irregular. Ela afirma conhecer outras pessoas que terminaram o curso e que gostaria de ter seu dinheiro devolvido. (Folha de S. Paulo)
A direção da Aceb (Associação Cultural e Educacional de Barretos), mantenedora da Faculdade Soares de Oliveira, não se pronunciou ontem sobre as irregularidades envolvendo a entidade. A Folha telefonou por três vezes para a Aceb e obteve a informação de que o presidente da entidade, Milton Diniz Soares de Oliveira, não queria se manifestar a respeito do assunto. De acordo com uma secretária da diretoria, que se identificou apenas como Adriana, Oliveira já teria dado entrevistas a outros órgãos de imprensa que não teriam publicado a sua versão dos fatos e que, por isso, ele não queria dar novas declarações. Adriana, no entanto, enviou à redação a cópia de uma carta assinada por coordenadores, professores e funcionários do curso de pedagogia da faculdade dando seu testemunho sobre "a dedicação, o carinho e os recursos que o Dr. Milton Diniz Soares de Oliveira, desde que assumiu a presidência da Aceb, vem dispensando para a melhoria e a dignificação do processo educacional". "No momento em que o sensacionalismo e as versões ofuscam a razão e os fatos, as palavras perdem bastante de seu poder informativo; por isso, queremos convidar os representantes da mídia, as autoridades e a comunidade em geral para visitarem e constatarem in loco o funcionamento do curso de pedagogia do Soares de Oliveira. Teremos o maior prazer em demonstrar nossos propósitos, o que estamos realizando e os sonhos que estamos plantando nos corações dos futuros educadores", diz outro trecho da carta. Já o diretor do Colégio Planeta, de São Paulo, Marcos Antônio Zanotti, nega que tenha ligações ou mantenha negócios com a Aceb. Ele confirma apenas que entre 95 e 97 matriculou alunos no supletivo a distância mantido pela escola de Barretos. Essas informações foram dadas na terça-feira, por telefone. Ontem, após as confirmações de três alunas que se matricularam no curso de pedagogia da Aceb com Zanotti, a Folha não conseguiu falar com ele no Colégio Planeta e em seu celular. Zanotti disse não acreditar que a Aceb tenha cometido irregularidades na emissão de diplomas do curso de pedagogia. "Você não consegue fazer um esquema nem com o supletivo, porque tem supervisora, delegacia de ensino, todo mundo em cima de você", disse o diretor de escola. O delegado do 1º Distrito Policial de Barretos, Antônio Alício Simões Júnior, disse que vai chamar para depor todas as pessoas relacionadas no controle de um suposto caixa-dois que a Aceb mantinha. Nesse controle constam os nomes de aproximadamente 500 pessoas. Zanotti será uma das pessoas chamadas a depor, segundo o delegado. O diretor de escola confirma que fazia depósitos em contas bancárias da Digite Barretos Serviços Gerais S/C, que controlaria o caixa-dois. (Folha de S. Paulo) |
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