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O MEC (Ministério da Educação) deve voltar atrás e incluir na proposta final do novo Sistema de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), que irá substituir o atual Provão, uma classificação oficial das instituições de ensino superior brasileiras e a avaliação do ensino por curso. Leia mais:
O universitário paulistano estuda em instituição privada, está satisfeito com seu curso, já trabalha na área, divide-se entre o gosto pessoal e o mercado de trabalho quando escolhe a carreira e não vê a qualidade do ensino como fator mais importante para eleger uma escola. É isso que aponta uma pesquisa inédita realizada pelo Datafolha. Leia mais:
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O Ministério da Educação deve voltar atrás e incluir na proposta final do novo Sistema de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), que irá substituir o atual Provão, uma classificação oficial das instituições de ensino superior brasileiras e a avaliação do ensino por curso. A reformulação, requisitada pelo ministro Cristovam Buarque, deve neutralizar os pontos do Sinaes mais atacados pelos defensores do atual Provão. A classificação oficial havia sido excluída da idéia inicial porque os elaboradores consideravam o mecanismo, do modo em que se apresenta no Provão, "mercadológico e ineficiente". A avaliação por cursos, como acontece hoje, seria substituída pela avaliação de quatro áreas de conhecimento (Ciências Humanas, Sociais, Letras e Artes; Ciências Exatas; Ciências Tecnológicas e Ciências Biológicas). Para a professora Maria Helena Guimarães de Castro, atual secretária de Assistência e Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo e uma das idealizadoras do Provão, seria um atraso a eliminação dos dois mecanismos, pois não haveria transparência de informação para a sociedade, nem indicadores objetivos para regulação, sem uma classificação e a avaliação de cada graduação. "O ranking dá parâmetros de qualidade aos cursos", acredita a secretária. Mas os elaboradores do Sinaes garantem que a classificação a ser utilizada, mesmo não estando ainda definida, será bem diferente da que é realizada atualmente no Provão. A notação alfabética, com os conceitos A, B, C, D e E, deixará de existir, para dar lugar a outra com cruzamento de uma série de dados que não só o desempenho dos alunos. No Provão, mesmo alcançando apenas 40 pontos, de 100, um curso de Jornalismo pode ser considerado A, desde que os cursos equivalentes de outras universidades tenham pontuação igual ou menor. O que mascara a real situação dos cursos, na opinião de José Geraldo de Souza, diretor do Departamento de Políticas para o Ensino Superior do MEC. "Isso dá uma idéia completamente errada à sociedade, pois só é passado o conceito da instituição, sem um panorama da condição total", diz. A nova classificação será o resultado da avaliação do corpo docente, corpo técnico-administrativo, dos currículos, da produção acadêmico-científica e da infra-estrutura oferecida pela faculdade, entre outros quesitos. Ao que tudo indica, o ranking também não será proporcional entre o desempenho das graduações, como antes. O que significa que, caso fosse adotado o sistema de classificação alfabético, todos os cursos poderiam ser classificados como E, se fossem ruins. Mais rigor para avaliar Quanto ao uso da classificação pelas instituições para atrair cada vez mais alunos (o que sempre foi criticado pelos opositores do Provão), o secretário de Educação Superior do MEC, Carlos Antunes, acredita não haver problemas, desde que o ranking seja realista e transmita com clareza as condições dos cursos. "Não podemos prever como a classificação será usada. O importante é que ela não mascare a situação das instituições de ensino superior brasileiras", diz. Ele afirma ainda que a avaliação dos cursos, requisitada pelo ministro, será mais uma ferramenta para verificar a qualidade dos cursos. "Uma avaliação não pode ficar só na prova aplicada aos estudantes. Isso só não basta para controlar qualidade", declara. Até o final desta semana, provavelmente, o ministro Cristovam Buarque dará o aval à versão final do Sinaes e a encaminhará à Casa Civil, para que seja enfim levada para votação no Congresso. Até lá, o texto final do Sinaes ainda pode sofrer alterações. (Jornal de Brasília – 27/10/03)
Tudo o que Genice Nogueira, 32 anos, queria era terminar a faculdade e começar a trabalhar. O sonho de ser secretária executiva, no entanto, esbarrou na porta do mercado de trabalho. Já se passaram seis anos desde que concluiu o terceiro grau e até hoje nada de emprego. Das inúmeras tentativas que fez em busca de uma oportunidade, o máximo que conseguiu foram poucos meses de prestação de serviço em três empresas. "Já passei por momentos de muita tristeza, de questionar se o problema era comigo ou com a sociedade", lamenta Genice. Gustavo Rios, 29 anos, sabe como ninguém o que é ter uma profissão, mas nunca ter tido a oportunidade de exercê-la. Apesar de ser formado em desenho industrial com habilitação em projeto do produto, trabalhou durante quase sete anos como atendente de telemarketing. "Da minha turma, apenas um está desempenhando a profissão, os demais desistiram da profissão por necessidade de ter um emprego", diz. Cansado de viver sem ter direito a uma profissão, Gustavo agora está fazendo um curso de cozinheiro internacional. "Estou visando a uma nova profissão. Estou apostando que a lógica cruel do mercado ainda não chegou à cozinha, especialmente, na Bahia, um Estado com foco no turismo", explica. Mudar de área para escapar do desemprego também foi a alternativa adotada por Sandra Cristina Santos, 27 anos. Diferentemente de Gustavo e Gisele, Sandra conseguiu sentir o gostinho da profissão de contabilista por quase dois anos, mas acabou sendo dispensada do escritório onde atuava após a empresa perder alguns clientes de peso. Assim que saiu da empresa, Sandra tratou de distribuir seu currículo, mas os esforços resultaram em apenas três chamados para entrevista e nenhuma proposta concreta. Diante das dificuldades, Sandra aceitou no ato o convite do tio para trabalhar em sua lanchonete. "Vou fazer um pouco de tudo, inclusive ajudá-lo na parte contábil. O que não posso é ficar parada", diz. (A Tarde – 27/10/03)
O universitário paulistano estuda em instituição privada, está satisfeito com seu curso, já trabalha na área, divide-se entre o gosto pessoal e o mercado de trabalho quando escolhe a carreira e não vê a qualidade do ensino como fator mais importante para eleger uma escola. É isso que aponta uma pesquisa inédita, feita por telefone pelo Datafolha neste mês, com estudantes de graduação. O levantamento traz ainda uma boa notícia para as instituições particulares: a nota média que elas receberam dos alunos (7,8) é bem próxima dos 8,1 atribuídos às federais e estaduais. A aprovação das particulares, que juntas somam 96% das instituições de ensino superior da cidade, não esconde, porém, um cenário difícil. Em 2002, 45% das vagas disponíveis não foram preenchidas, segundo dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), do Ministério da Educação. O percentual é ainda mais espantoso quando se considera que, no ensino público, a proporção era de 30 candidatos para cada vaga. "Essa alta taxa de ociosidade nas particulares se dá por três fatores: excesso de oferta concentrada, alunos que não podem pagar e alunos que até podem, mas não pagam porque entendem que não vale a pena", diz Dilvo Ristoff, 53, diretor de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior do Inep. Para ele, o sistema privado está esgotado ou próximo do esgotamento. "Junte a fatia de mercado que as particulares representam, a altíssima ociosidade de suas vagas e cerca de 30% de inadimplência. Fora isso, a renda familiar média da população que está no ensino médio e pode entrar na faculdade é mais baixa do que a dos atuais universitários. Precisamos pensar em outras alternativas", afirma. Para melhorar o panorama, o governo poderia gerar crédito educativo, financiando o estudo nas particulares, ou investir nas públicas para aumentar as vagas. Os profissionais das escolas privadas preferem a primeira opção; Ristoff fica com a segunda. "O potencial de qualidade das universidades públicas é inegável, 65% dos doutores e 62% dos mestres do país estão lá. E você não precisa duplicar os recursos para duplicar as vagas. Um pequeno investimento pode gerar grande avanço", acredita. José Walter Pereira dos Santos, 64, diretor-executivo da Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares), diz que toda expansão universitária é positiva no Brasil. "O sistema privado não pediu para ser 88% do mercado (índice nacional de 2002). O país não terá desenvolvimento sem essa expansão, e só as privadas podem crescer." Santos acredita que o ensino superior não deveria ser dividido em público ou privado, e sim em "bom ou ruim". "Nem nos países avançados os cursos são iguais em termos de qualidade", justifica. Metodologia da pesquisa A pesquisa do Datafolha é um levantamento por amostragem estratificada em lista telefônica residencial, com sorteio aleatório dos entrevistados. O universo da pesquisa é o conjunto da população residente na cidade de São Paulo, possuidora de telefone fixo (76%) e matriculada em faculdades e universidades públicas e particulares da capital. Nesse levantamento, realizado entre 7 e 12 de outubro, foram entrevistadas 312 pessoas, e a margem de erro máxima decorrente é de seis pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. Isto significa que, se fossem realizados 100 levantamentos com a mesma metodologia, em 95 os resultados estariam dentro da margem de erro prevista. (Revista da Folha – 27/10/03) |
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