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Número de mulheres na graduação já é maior que o de homens. Pela primeira vez, as universidades americanas encontram um quadro em que mais de 50% das vagas são ocupadas por estudantes do sexo feminino. Segundo especialistas esta diferença tende a aumentar. Leia mais.
Havia mais homens na pista de dança do que de costume. Mas não o bastante. Enquanto Sheila Erimez deslizava em seus saltos altos, sob o ritmo da salsa, ela observou como algumas mulheres, no salão de dança da Universidade de Boston, relutantemente decidiram dançar o samba sensual entre elas. Outras resolveram revezar os parceiros masculinos disponíveis. "Simplesmente
não há homens o bastante para todas", disse Erimez,
uma loura magra que cursa língua inglesa. "Estão caindo
como frutas maduras. Onde quer que você vá, dentro do campus
universitário, há mais mulheres do que homens" . A diferença entre os sexos é particularmente pronunciada na Universidade de Boston, onde são, atualmente, 61% do total do corpo estudantil. As mulheres dominam as aulas e governo estudantil. Trupes teatrais se desesperam atrás de atores e os homens são tão escassos que as mulheres, muitas vezes, são mais numerosas até no ginásio de esportes, que já foi um bastião da masculinidade. O domínio crescente da educação superior americana por alunas é particularmente notável porque as mulheres representam apenas 49% da população entre 18 e 24 anos. Para explicar essa tendência, algumas pessoas argumentam que os rapazes têm menos exemplos para seguirem e estão ficando para trás, enquanto as moças recebem mais atenção na escola. Outros acreditam que a mudança na razão mulheres/homens reflete um número maior de mulheres mais velhas voltando a estudar. Na Universidade de Boston, existem várias teorias: o fato da escola ter abandonado suas equipes de futebol e beisebol; o fato dela fazer publicidade como "uma escola segura e urbana" e a popularidade, entre as mulheres, de seus numerosos programas de estudos no exterior. "Realmente não sabemos porque isto está acontecendo", disse Kelly Walter, diretora de admissões da universidade. "Nos preocupa porque idealmente os alunos deveriam ser 50% homens e 50% mulheres. Mas não estamos planejando tornar mais fácil a admissão para os homens. Isto seria ilegal. Estamos mais preocupados em admitir os alunos mais academicamente qualificados". Qualquer que seja a causa, as mulheres têm aumentado sua maioria na Universidade de Boston (BU) desde o final dos anos 1980. No corrente ano, as mulheres ocupam 62% das vagas do primeiro ano, e os funcionários da faculdade dizem que a diferença pode aumentar nos próximos anos. A disparidade ainda é maior em alguns cursos da universidade. No maior deles, a Faculdade de Artes e Ciências, 67% dos calouros são mulheres; na Faculdade de Comunicação, 69% e na Faculdade Sargent de Ciências da Saúde e Reabilitação, 83% dos calouros são mulheres. O desequilíbrio há muito incomoda as mulheres da BU. Mas, a cada outono, as alunas que entram na escola esperando um ambiente social mais equilibrado ficam particularmente desapontadas. "Me dá pena; é muito difícil encontrar homens", disse Amy Horowitz, 18, primeiro ano, enquanto jantava com uma turma de maioria feminina, na associação dos alunos da universidade. "Se eu soubesse disso antes de ter vindo para cá, certamente teria levado esse fato em conta, antes de tomar minha decisão. Acho que me sinto um pouco trapaceada". Um estudo recente do Conselho Americano de Educação sugere que uma crise de homens em cursos superiores é um exagero. Os homens ainda predominam em programas de mestrado e doutorado e profissionalizantes como negócios e engenharia. Eles também mantêm a maioria, mesmo que menor que antes, nas melhores universidades como Harvard e MIT. Uma das principais razões para a diferença, segundo o relatório, é que mais mulheres de minorias estão freqüentando as universidades do que homens. "Não podemos nos distrair por boatos de grandes problemas", disse Jacqueline King, autora do relatório e diretora do Centro de Análises de Políticas do Conselho Americano de Educação. "Temos pontos de real preocupação. Por exemplo, a razão homem/mulher é menor entre os americanos-africanos. Para os homens americanos-africanos não é legal parecer inteligente, então, muitos deles têm pouco interesse em cursar uma faculdade". Tom Mortenson, acadêmico do Centro de Estudos de Oportunidades no Ensino Superior discorda. Ao mesmo tempo em que admite a preocupação com as minorias, disse que acredita em um problema maior, de todos os homens -e que só está piorando. Suas evidências: 54% de todos os diplomas de bacharelado foram para homens brancos em 1977; 20 anos depois, os homens estão recebendo menos de 45%. No final desta década, acredita, o número cairá para 40%. "O que isso reflete é que as escolas e as circunstâncias familiares não estão ajudando os meninos como deviam", disse. "O problema é que os meninos não têm exemplos de homens adultos e que nosso mundo, cada vez mais urbanizado, dá menos oportunidades aos homens do que antigamente". O problema do declínio nas inscrições masculinas incitou propostas de programas de vagas reservadas para homens como forma de estímulo. Em encontro recente da Associação Nacional de Aconselhamento em Admissão em Universidades, a questão era central. Em uma mesa redonda, os acadêmicos exploraram o tema "Estarão Nossos Meninos sob Risco"? Enquanto outra sessão chamava-se "Onde Foram Todos os Homens"? Apesar de um programa de vagas reservadas ainda ser pouco mais que uma hipótese para os acadêmicos pensarem nas conferências, é um conceito que alguns alunos da BU aprovam. Não é raro a composição de grandes aulas, de introdução em psicologia ou ciências políticas, nesta universidade ser dois-terços de mulheres. No principal corpo estudantil, o conselho executivo, a proporção é de quase um homem para cada duas mulheres, e ambos o presidente e o vice-presidente são mulheres. E, para equilibrar o ambiente social, as festas freqüentemente incluem alunos de outras faculdades. É claro, nem todo mundo considera uma proporção desigual entre os sexos um problema. Em noite recente no Sargent Gym, Chris Szczerban estava suando em uma bicicleta ergométrica, único homem em uma sala cheia de mulheres se exercitando. "Minha escola de ensino médio era só de homens", disse Chris, 19, segundo ano. "Certamente diria que isso aqui é legal". Enquanto as mulheres heterossexuais reclamam, a cultura lésbica prospera, disse Emily Lyman, 20, presidente do Spectrum, um grupo de homossexuais da BU. "Não é difícil para uma lésbica encontrar uma parceira aqui", disse. Muitos professores também vêem o influxo de mulheres como vantagem. Richard Ely, professor de Introdução à Psicologia, diz que, em uma aula grande, onde é fácil contar os homens, as mulheres têm um "papel civilizador". "Certamente tem muito menos aquela atmosfera de macho, de testosterona", disse. "Para ensinar, é particularmente bom, e permite tentar coisas novas e levantar discussões controvertidas. Acho que ficaria menos confortável fazendo isso em uma sala com 75% de homens". A falta de machismo tem outras vantagens também. De acordo com Herb Ross, reitor adjunto de alunos, a incidência de eventos de violência e outras perturbações nos dormitórios dos estudantes diminuiu com o aumento do número de mulheres. Mesmo assim, para a maioria, as desvantagens da diferença da proporção entre os sexos são maiores que as vantagens. Por exemplo, Pierluigi Cothran, que cursa cinema, disse, na semana passada, que colocou anúncios na escola de teatro procurando desesperadamente: "Ator para Filme Estudantil". Por mais que tenha procurado, Pierluigi, 20, não teve sorte. "Ninguém respondeu", disse. "É realmente muito difícil encontrar homens nessa escola". Enquanto a salsa pulsava, no início da semana em baixo da associação dos estudantes, Erimez e um grupo de outras mulheres bem vestidas observavam com ar triste, enquanto outras mulheres enchiam o salão de danças. Uma delas contou que, no ano passado, teve que participar de uma competição de dança de salão com outra mulher. Outra reclamou que muitos homens no campus são homossexuais, ou atletas sem interesse de dançar com mulheres. "Só queria ter um parceiro", disse. "Não queria passar de novo o ridículo de dançar com outra mulher". (The Boston Globe) |
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