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Centro de Saúde da USP faz leilão para se manter Laboratório da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo) tenta enfrentar as dificuldades financeiras com leilão de obras de arte doadas. O laboratório- escola que é utilizado por 100 estagiários da instituição recebe R$ 13 mil mensais. Leia mais.
Posto da USP faz leilão para se manter Para contornar a crise financeira, o Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza, em Cerqueira César, na zona sudoeste de São Paulo, promove, na próxima segunda-feira, um leilão beneficente de obras de arte. O fato seria banal se o centro não fosse o laboratório da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), uma das mais importantes do país. Porém o prédio que serve de escola a cerca de 100 estagiários por ano, da USP e de outras instituições universitárias, tem instalações malconservadas e equipamentos como um de raios X da década de 60. Segundo o diretor
técnico do centro, Cláudio Gastão Junqueira de Castro,
50, nos últimos quatro anos, as verbas destinadas à instituição
-pela USP e pela Secretaria de Estado da Saúde- foram sendo cortadas
aos poucos. Até 97, o centro contava com verba da secretaria. A partir daquele ano, a instituição universitária foi incorporada ao SUS (Sistema Único de Saúde), passando a ganhar por produção. Como um centro de saúde executa procedimentos médicos simples, a receita diminuiu drasticamente. Mesmo assim, de acordo com Castro, o repasse de verbas do SUS é injusto. "Produzimos o suficiente para ganhar R$ 25 mil mensais, mas temos um teto, estipulado pelo Estado, de R$ 13 mil, e é o que recebemos", afirma. Com esse dinheiro, o centro paga o salário de 17 funcionários terceirizados e compra equipamentos básicos. "Hoje, há um debate na USP sobre se devemos ou não ter esse tipo de serviço na universidade", diz Castro. A crise levou a situações difíceis de imaginar em um laboratório da USP, como a execução de exames clínicos em microscópios ultrapassados. A artista plástica e professora universitária aposentada Luise Crishian, 58, precisou usar os serviços do centro em dezembro para fazer uma radiografia e surpreendeu-se com a situação. "Eles estavam revelando as chapas com água. Comprei um galão da solução própria para isso e doei." A partir de então, Luise envolveu-se com o centro e hoje é uma das organizadoras do leilão. "A situação do centro é precária demais. Chove dentro do prédio inteiro, inclusive em cima dos remédios da farmácia. As pessoas que querem se consultar não têm sala de espera. Ficam na garoa, de madrugada. Até bem pouco tempo, nem mesa para atender, a assistente social tinha", reclama. Ontem, a diretoria do centro conseguiu consertar o esgoto, que estava entupido, formando uma poça do lado de fora do prédio -que é vizinho à Faculdade de Saúde Pública. O número de funcionários é pequeno para atender à demanda reprimida de usuários. Os médicos ficam somente até as 16h. Nos últimos quatro anos, 12 funcionários se aposentaram sem que as vagas fossem repostas. Para a pediatra Maria de Paiva Vital, 46, há 18 anos trabalhando no centro, o problema de falta de espaço é o pior de todos. "Temos de dividir salas com profissionais de outras especialidades. Se o programa se estende muito, ficamos todos, médicos e pacientes, esperando acabar", declara. Até o depósito do centro -um espaço de menos de 4 m2- é usado no atendimento. No caso, do programa de saúde mental. "Como conceber uma faculdade de saúde pública sem um laboratório?", questiona Castro. (Folha de S. Paulo)
Segundo diretor, USP privilegia as pesquisas O diretor da Faculdade de Saúde Pública da USP, Jair Licio Ferreira, afirma que a universidade adotou uma política de privilegiar o atendimento comunitário desde que esteja atrelado à pesquisa científica. "Além disso, a USP teve um problema generalizado de diminuição de orçamento, com o aumento do número de funcionários aposentados", declara. Para ele, o fato de o centro estar fazendo um leilão para poder se manter não é comprometedor para a USP. "As faculdades, como outras entidades, costumam receber doações." Em sua avaliação, o centro atende às necessidades atuais da faculdade. "Mas há dificuldade em os docentes e funcionários perceberem que o atendimento comunitário não é a nossa prioridade, e sim a pesquisa científica", diz. A Secretaria da Saúde afirmou que o volume de atendimentos do centro não ultrapassa o teto imposto pelo governo. Segundo a assessoria da secretaria, o serviço oferecido pela instituição é "muito dirigido", o que rende pouco repasse de verba. De acordo com a secretaria, o teto do centro seria de R$ 14.252 mensais, mas que o total de atendimentos não supera R$ 13.500 de repasse. (Folha de S. Paulo)
Artes marcam história do centro O Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza tem sua história entrelaçada com a das artes plásticas. Construído na década de 20, o casarão onde está instalado pertenceu a Tarsila do Amaral, que o doou ao Estado. Segundo Luise Crishian, a escolha por um leilão de obras de arte como forma de angariar fundos foi coincidência. "Sou artista plástica e resolvi doar 30 telas minhas para ajudar o centro. Antes, fazíamos bazares de quinquilharias, o que dava muito trabalho e um lucro mínimo", conta Luise. Como não tinham experiência em leilões, convidaram o leiloeiro Luís Fernando Dutra, que ofereceu os seus serviços gratuitamente. "Ele me disse que as minhas telas dariam pouco dinheiro e aconselhou a pedir doações a artistas consagrados." Em oito meses, Luise conseguiu doações de artistas como Thomie Ohtake, Cláudio Tozzi, Aldemir Martins e Sérgio Romagnolo. A artista plástica afirmou que, de 170 pedidos, somente 3 artistas negaram doar alguma obra. Segundo ela, "alguns chegaram a doar cinco, seis obras." A organização do leilão ainda não sabe quanto poderá ser arrecadado. "A maioria dos trabalhos é gravura, que tem um valor de mercado menor." A verba arrecadada, no entanto, já tem destino certo -servirá para financiar uma reforma no casarão que abriga o centro. O leilão será realizado na sede do Dutra Leilões, na avenida Brasil, 649 (tel. 0/xx/11/887-3234). (Folha de S. Paulo) |
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