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Este ano, a inadimplência em universidades privadas paulistas dobrou. A média de alunos que não pagam as mensalidades é de 25% - a média histórica é de 12%. Leia mais:
A nova proposta de sistema de avaliação do ensino superior está recebendo muitas críticas. Leia mais:
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A inadimplência mais que dobrou nas universidades privadas do Estado de São Paulo neste ano. Segundo o Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Ensino Superior no Estado de São Paulo), a média de alunos que não pagam as mensalidades é de 25% --a média histórica é de 12%. (Folha Online – 28/09/03) As propostas da comissão criada pelo Ministério da Educação (MEC) para avaliar o sistema de avaliação do ensino superior e sugerir eventuais modificações provocaram enorme polêmica em toda a sociedade. Sem dúvida, da forma como foi proposto, desfiguram completamente o sistema, a ponto de torná-lo irrelevante. Uma das principais diretrizes da gestão Paulo Renato Sousa no MEC foi criar um sistema de avaliação em todos os níveis de ensino de forma a gerar subsídios para a gestão da educação em nosso país. No caso do ensino superior, no qual o governo federal tem função regulatória, o sistema implantado teve por objetivo substituir os tradicionais controles burocráticos cartoriais por informações criteriosas e transparentes, para orientar a tomada de decisões. Para isso, foi criado um conjunto de instrumentos e indicadores que pudessem fornecer dados abrangentes sobre o ensino de graduação e seu desempenho, para subsidiar a regulamentação do sistema. Dentro dessa concepção foi criado o Provão, o mais conhecido instrumento do sistema, para avaliar o curso por meio do desempenho dos alunos. A avaliação externa conta também com o trabalho das comissões de pares, que visitam os cursos e fazem uma avaliação detalhada das condições e do conteúdo do ensino - qualidade do corpo docente, infra-estrutura e projeto pedagógico de cada curso. Em 2002 foi implantada a avaliação do conjunto da instituição, também realizada por comissões de especialistas, tendo como ponto de partida os resultados objetivos dos cursos avaliados e do processo de auto-avaliação, sem descuidar da complexidade que envolve diferentes dimensões da qualidade do ensino, como a pesquisa, a extensão, a produção acadêmica. Com base nesse abrangente processo, estabeleceu-se uma vinculação mais efetiva entre a avaliação e o reconhecimento de cursos e credenciamento das instituições. Era preciso contar com informações objetivas que pudessem tornar essas decisões independentes de pressões políticas ou de mercado. Cursos repetidamente mal avaliados não foram fechados apenas porque liminares judiciais sempre o impediram. As informações geradas por esse sistema são informações públicas de enorme relevância para aqueles que pretendem ingressar no ensino superior. Os cidadãos, antes de definirem suas escolhas, dispõem de referências e parâmetros em relação a cursos similares de instituições diferentes. Na outra ponta, o mercado de trabalho dispõe de dados efetivos para avaliar a formação dos candidatos às suas vagas. A utilidade do Provão se reflete em muitos aspectos. Regra geral, os cursos criados posteriormente ao Provão são melhores do que os cursos que já existiam, pois já nasceram dentro de uma cultura de avaliação. Muitos cursos se tornaram valorizados por seu desempenho. Por outro lado, os cursos seguidamente mal avaliados tiveram sua procura reduzida - cursos com conceitos D e E registraram queda de 50% nas inscrições para os vestibulares nos últimos anos. Mostrar que os cursos da universidade A são melhores do que os da universidade B promove ainda uma saudável competição entre as diferentes instituições em busca da qualidade. Permite também revelar a heterogeneidade existente numa mesma instituição, com alguns cursos bem avaliados e outros com desempenho sofrível. A nova proposta do MEC faz tábula rasa de todo esse processo. Primeiro, ao enfatizar a avaliação por área de conhecimento, dificilmente poderá gerar uma informação relevante a respeito dos cursos de graduação. Segundo, avaliar os cursos por amostragem significa que um conjunto expressivo de cursos não terá referência de qualidade atualizada, dificultando as decisões das pessoas, encobrindo a realidade, impedindo que a avaliação seja indutora de mudanças positivas. Há três décadas a avaliação da pós-graduação, realizada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), verifica a quantidade das teses e sua qualidade como um dos quesitos do processo avaliativo. Na graduação, o aprendizado do aluno é o produto final. Embora não seja o objetivo do Provão avaliar o aluno, mas a qualidade dos cursos e das instituições que os ofereceram, o melhor indicador disponível para isso é o desempenho médio dos seus estudantes. Todas as críticas e alternativas propostas de acabar com o Provão têm em comum o fato de procurarem evitar a comparação entre cursos de diferentes instituições em termos de qualidade, ou seja, evitar a transparência necessária aos estudantes, ao mercado de trabalho, aos gestores do sistema e a toda a opinião pública. As instituições - públicas e privadas - mal avaliadas simplesmente não querem ser comparadas entre si. Com a nova proposta apresentada ao MEC, o processo de expansão do sistema, necessário e urgente devido ao crescimento acelerado dos concluintes do ensino médio, deixará de basear-se em indicadores objetivos. A proposta sugere a introdução de critérios subjetivos - portanto, duvidosos, questionáveis e sujeitos à indesejável pressão política - para orientar a regulação do sistema. O processo de avaliação do ensino superior pode e deve ser aprimorado. Avaliação é um instrumento de gestão fundamental para a melhoria da qualidade da educação brasileira. A transparência e a sistemática divulgação de resultados funcionam como uma poderosa arma de pressão sobre as instituições para que busquem melhorar seus cursos. A oposição ao Provão agrega uma parte do pior corporativismo das universidades públicas, aliado ao que há de pior no empresariado do ensino privado, numa ação contra o Estado democrático brasileiro e sua capacidade reguladora. Maria Helena Guimarães de Castro, secretária estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, professora da Unicamp, foi presidente do Inep, secretária de Ensino Superior e secretária-executiva do MEC no governo Fernando Henrique Cardoso (O Estado de S. Paulo – 29/09/03)
Pesquisa e cientista não formam a única dupla possível, como costumam achar os vestibulandos. Quem está na faculdade e envolvido em algum projeto segue também outra combinação: pesquisa e profissional diferenciado. Essa é a visão que universidades públicas e particulares estão passando aos estudantes de graduação para envolvê-los mais em projetos de pesquisa, boa parte no interior do Estado. (Folha Online – 28/09/03) |
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