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Provão levará em conta a adoção de cotas para negros e para alunos egressos de escolas públicas, laboratórios voltados a portadores de deficiência, prédios com facilidade de acesso para deficientes e programas de assistência a estudantes carentes. Leia mais:
Cerca de 30% dos alunos que estudam em universidades públicas de São Paulo, cursaram o ensino médio em escolas públicas. Leia mais:
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A proposta do novo sistema de avaliação da educação superior, a ser anunciada na próxima semana pelo governo federal, incluirá entre os critérios de classificação das instituições ações e projetos visando evitar formas de discriminação dos universitários. Ou seja, o governo quer levar em consideração, entre os itens da avaliação, a adoção de cotas para negros e para alunos egressos de escolas públicas, laboratórios voltados a portadores de deficiência, prédios com facilidade de acesso para deficientes e programas de assistência a estudantes carentes. Segundo o ministro Cristovam Buarque (Educação), esses itens pesarão nos indicadores de qualidade, apesar de terem pesos menores se comparados a outros pontos. "A qualidade também está relacionada à ética." A comissão do ministério criada para sugerir alterações na avaliação do ensino superior propôs em setembro que não fosse divulgado conceito ou nota. Na prática, seria o fim do provão que distribui conceitos de A a E, segundo nota média de quem fez a prova. A sugestão foi uma das mais criticadas por especialistas. Ontem, Cristovam disse que a proposta final do ministério terá um sistema de classificação das instituições. A proposta do novo sistema de avaliação deve ser enviada ao Congresso antes do final do ano. Ontem, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) divulgou medidas para bolsistas e profissionais de pós-graduação, como a ampliação dos títulos disponíveis no portal da Capes na internet (que passará de cerca de 3.700 para 4.000) e 660 novas bolsas. (Folha de S. Paulo – 28/11/03)
Quase 30% dos alunos de universidades públicas paulistas fizeram todo ensino médio em escolas públicas. O índice corresponde à média de matrículas em 2003 nas universidades de São Paulo (USP), Estadual Paulista (Unesp) e de Campinas (Unicamp). Nessa época de vestibular, a notícia é animadora prova que não é uma missão impossível para quem não estudou na rede particular entrar na universidade gratuita. A instituição que mais tem inscrição no vestibular e matrículas de alunos de escolas públicas é a Unesp. O fato de suas unidades serem espalhadas por todo Interior de São Paulo, onde o número de escolas particulares é menor, é um dos fatores para essa procura. No Interior, as escolas públicas também estariam mais próximas da comunidade e, por isso, seriam mais “fortes”. Em 2003, 38% dos 5.680 candidatos que ingressaram na Unesp eram estudantes das redes municipal, federal ou estadual (veja quadro). “Além do fator geográfico, também temos cursos que se repetem em turnos e cidades, o que facilita principalmente para o aluno que tem de trabalhar”, afirmou o coordenador da Fundação para o Vestibular da Unesp (Vunesp), Fernando Prado. Apesar de ter um bom percentual de alunos de escolas públicas, em comparação com o das demais universidades paulistas, a Unesp tem visto o número desses estudantes diminuir ao longo dos últimos nove anos. Em 1995, 56,4% dos seus ingressantes eram da rede pública. Para Prado, a queda pode ser ligada à mudança do currículo das escolas estaduais. “O número de aulas das disciplinas básicas caiu. Por isso, nos últimos anos, procuramos não aumentar o nível de dificuldade das provas”, disse. Avaliação semelhante tem Renato Pedrosa, coordenador adjunto e de pesquisa do Vestibular da Unicamp. Na Unicamp, os números de inscritos no vestibular e de matriculados têm se mantido estáveis desde 1989 cerca de um terço. “As escolas particulares reforçam as matérias básicas, como química, física, matemática e biologia. E os professores mais qualificados vão também para as particulares”, disse. Para ele, há um mito de que o ingresso na universidade pública é muito difícil para quem não cursou a escola particular. “Mais de 80% dos alunos se formam na rede pública e, mesmo assim, eles não se tornam candidatos. A universidade pública fica com a imagem de que só quem entra é rico, o que não é verdade”, disse. Segundo o perfil dos ingressantes da Unicamp de 2003, 41,5% têm renda familiar de até 10 salários mínimos. Em 1999, 22,9% tinham renda de até 10 mínimos. O coordenador da Fundação para o Vestibular da USP (Fuvest), Roberto Costa, também acredita que muitos alunos se auto-excluem da universidade pública para ir trabalhar. Das universidades paulistas, a USP é a única que tem visto um aumento gradativo no número de ingressantes da rede pública de 19,8% em 1999 para 22,5% em 2003. “É difícil detectar as razões, mas uma das causas desse aumento também pode ser a presença mais forte da escola pública na mídia”, disse. A prova da primeira
fase da Fuvest acontece no próximo domingo. Os 157.808 inscritos
concorrem a 8.927 vagas. Já o vestibular da Unesp ocorre em uma
única fase, nos dias 14, 15 e 16 de janeiro. São 93.885
inscritos para as 6.310 vagas. A primeira fase do vestibular da Unicamp
foi realizada no último domingo e a segunda prova será feita
pelos candidatos entre 11 e 14 de janeiro. São 50.549 inscritos
para 2.934 vagas. |
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