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No final do ano passado, o editorialista e colaborador da equipe de articulistas do jornal Folha de S. Paulo, Gilson Schwartz, fez um alerta: faltam mecanismos efetivos de democratização do acesso à Internet no Brasil. Segundo ele, não havia políticas federais para a popularização da Internet e o país "corre o risco de ser retardatário quando se trata da questão social." Agora, empresas e governo estão investindo em terminais públicos de Web. No Rio de Janeiro, por exemplo, a Telemar criou o terminal que permite navegar na rede com um cartão telefônico: o chamado 'Orelhão.net'. Até dezembro deste ano, a previsão da empresa é instalar 2.800 unidades pelo país, 400 delas no Estado do Rio de Janeiro. Os terminais serão montados em lugares de grande circulação, como lojas de conveniência, shoppings e aeroportos. O preço é compatível com os valores cobrados num cybercafé. Com um cartão telefônico de 30 créditos, que custa R$ 2,10, o usuário pode navegar pela Internet por 12 minutos. Gastando R$ 10,50, ele pode utilizar a rede por uma hora, com um consumo de 150 créditos. O equipamento oferece ainda outros serviços, como a retirada de uma segunda via da conta telefônica. Uma iniciativa similar é a da Apek Telecom de Campinas, que prevê a instalação de 5 mil terminais de acesso em todo o país. "Quando instalamos o equipamento em um shopping, verificamos que há mercado", comemora Rafael Tonelli, sócio da empresa, que pretende aumentar o valor do patrimônio da Apeck de US$ 8 milhões para U$25 milhões com a expansão dos terminais. Há também o projeto Porta Aberta, iniciativa criada pelos Correios e que ganhou apoio do Ministério das Comunicações. O projeto prevê a instalação de cerca de seis mil quiosques até o final do ano em agências de todo o Brasil. De acordo o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, o serviço será pago, a princípio, mas existe a possibilidade de vir a se tornar gratuito. Todas as agências equipadas com quiosques contam com monitores, que orientam os usuários no uso do sistema. Entretanto, essas iniciativas estão muito aquém do projeto de telecentros comunitários, unidades coletivas de acesso utilizadas como solução de conectividade e capacitação de pessoas carentes e analfabetas digitais em outros países da América Latina. A fórmula desses centros é simples: institutos governamentais coordenam e subsidiam telecentros e cabines comunitárias, gerenciadas por representantes locais e pequenos comerciantes. Um bom exemplo brasileiro é o do Comitê para Democratização da Informática (CDI). Segundo Rodrigo Baggio, direto executivo do comitê, O CDI é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, que promove programas educacionais e profissionalizantes (Escolas de Informática e Cidadania), com o objetivo de reintegrar os membros de comunidades pobres, principalmente crianças e jovens. Além de desenvolver o trabalho pioneiro de levar a informática às populações menos favorecidas gratuitamente, o CDI promove a cidadania, alfabetização, ecologia, saúde, direitos humanos e não-violência, através da tecnologia de informação. (Rodrigo Zavala)
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