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Enquanto o governo federal escorrega mais uma vez no combate aos problemas causados pela seca no nordeste, anunciando mais um corte de verbas e deixando parados equipamentos de alta tecnologia, projetos isolados estão fazendo a sua parte na tentativa de minimizar os problemas nas regiões mais afetadas do país. No sertão do Ceará, equipamentos do projeto Tabuleiro de Russas, do governo federal, consumiram R$ 200 milhões, que foram financiados pelo Banco Mundial. Faltam R$ 11 milhões para o projeto ser concluído. Como foram cortadas 90% das verbas do Ministério da Integração Nacional, responsável pelo programa, a ação está parada há nove meses, e os equipamentos estão estragando por falta de uso. O diretor-geral do Departamento Nacional de Obras contra a Seca, Eudoro Santana, afirma que o órgão estuda colocar a obra em funcionamento do jeito que está. Enquanto isso, o Projeto Plantando Esperança realizado pelo Cedapp (Centro Diocesano de Apoio ao Pequeno Produtor), entra em ação com o objetivo de minimizar o problema na cidade de Pesqueira, em Pernambuco. O programa, que usa recursos da Brazil Foundation, consiste na construção de cisternas de placas que armazenarão a água das chuvas durante o ano todo. Segundo o Cedapp, cada cisterna abriga cerca de 16 mil litros de água. Além disso, o projeto fará um trabalho de conscientização dos moradores. Serão doados animais mais resistentes a seca, como cabra e galinhas, para que as famílias tenham leite, carnes e ovos garantidos para seu consumo e até mesmo para a venda. Além, disso, as familias receberão ração para que alimentem os animais durante seis meses. Serão deslocados para a região um educador, um veterinário e um técnico agrícola. Os produtos cultivados serão vendidos em Pesqueira e nas cidades vizinhas, e todos terão um selo indicando que os produtos são de regiões atingidas pela seca. Por intermédio da Brazil Foundation, estão sendo articulados contatos com comerciantes do exterior para a venda de parte da produção. Docentes e alunos do Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, também estão lutando para combater a miséria resultante da falta de água no semi-árido nordestino. O Projeto Bapucosa resulta de uma pesquisa acadêmica realizada em 1998, e consiste na construção de barragens que possibilitam a obstrução de parte da água, formando riachos. "Este acúmulo de água deixa o solo mais úmido, fazendo com que seja possível o plantio naquela região", explica o professor e coordenador do projeto, José Geraldo de Vansconcelos Baracuhy. A ação foi colocada em prática no ano de 2000, e desde então, as técnicas vem se aperfeiçoando de acordo com os resultados a cada ano. O material usado nas barragens é feito com borracha de pneus velhos. "Além de combater a seca, a proposta é uma solução para a destinação final do lixo de pneus usados, que era uma grande preocupação da prefeitura de Campina Grande, por conta da epidemia de dengue e da queima de pneus realizadas para a retirada do aço contido neles", lembra o professor. (Cássia Gisele Ribeiro - 04/09/03) |
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