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Em breve, internos da Febem (Fundação do Bem-Estar do Menor) de São Paulo contarão com um novo currículo escolar, que prevê atividades de reflexão sobre temas como família, justiça, educação, saúde e trabalho. Além das disciplinas diferenciadas, eles também terão uma opção de dez atividades culturais, entre elas, a realização de fanzines e idas ao teatro. A inovação é fruto de uma parceria entre a Secretaria de Educação, Febem e a ONG Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária). O objetivo é fazer com que os assuntos abordados pelos educadores estejam mais atrelados ao cotidiano dos estudantes. "Isso deveria ocorrer em qualquer escola. Mas no caso dos internos, em especial, não faz sentido ensinar o teorema de Pitágoras, sem que esclareçamos antes as dúvidas que ele tem sobre o mundo, a globalização e a escassez do trabalho", afirma Maria José Ribeiro, pesquisadora do Cenpec. Até agora, o currículo escolar das crianças e adolescentes internados na Febem é similar ao existente nas escolas públicas estaduais. Segundo Maria José, o problema em manter o antigo sistema é que, por terem uma permanência provisória nas unidades de internamento (UIPs), as atividades escolares precisam respeitar o tempo, agregando conhecimentos significativos aos internos. "É improvável, por exemplo, que alguém seja alfabetizado em dois meses", lembra a educadora. Por isso, o interessante, segundo ela, é que tanto garotos que venham a freqüentar a escola por seis meses como aqueles com penas maiores tirem proveito das aulas. O Cenpec e a Secretaria
de Educação serão responsáveis pela capacitação
dos profissionais da Febem. As aulas diferenciadas serão oferecidas,
em princípio, aos jovens internos que aguardam sentenças. |
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