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Com um debate que reuniu jovens, educadores e pesquisadores, foi lançado, nesta segunda-feira (03/12), em São Paulo, o livro "O Encontro das Culturas Juvenis com a Escola". Iniciativa da ONG Ação Educativa, a publicação tem como objetivo mostrar as possibilidades e caminhos para tornar o espaço escolar um lugar mais prazeroso e democrático. O livro é baseado na experiência da ONG com o projeto Culturas Juvenis, Educadores e Escola, desenvolvido desde 1999. O programa tenta fortalecer as ações dos grupos de jovens, e preparar professores para a elaboração de projetos que incorporem a diversidade de seus alunos e de suas manifestações culturais. Atualmente, sete escolas estaduais e cinco grupos de diferentes movimentos (grafiteiros, rappers, anarquistas e punks) fazem parte da iniciativa. "Há, hoje, uma sisão entre o mundo do jovem e a cultura escolar. Todos perdem com esta relação, pois os professores ficam frustrados com as suas práticas e os estudantes acreditam que estão perdendo tempo na escola", afirmou Maria Virgínia de Freitas, uma das autoras do livro, durante o debate. Ela salientou que a publicação não pode ser considerada um livro de receitas, já que cada escola trabalha com uma multiplicidade de contextos sociais e jovens. Para Anéris Aparecida Graciano, da Escola Estadual Professora Eulália Malta - uma das participantes do projeto -, o assunto ainda é novo para os professores da rede pública. "Estamos acostumados a giz e lousa e, por isso, acabamos não dando atenção aos movimentos juvenis. Estamos atrasados porque eles produzem outras possibilidades de aprendizagem", disse. Mais conhecida como L Afro, a jovem Lúcia Aguiar, do Núcleo Cultural Força Ativa, acredita que, se as escolas incorporarem práticas e dinâmicas que se identifiquem com a juventude, é possível mudar a escola e até mesmo a sociedade. "Só nós, jovens, não vamos mudar o mundo, e nem somos responsáveis por isso sozinhos. Mas se houver gente trabalhando junto, é tudo mais viável", declarou. De acordo com a professora da USP e presidente da Ação Educativa, Marília Spósito, os trabalhos de incorporação da cultura juvenil nas escolas ainda requerem atenção e muito trabalho. A professora chamou a atenção para o fato de, mesmo nas instituições onde já há espaço para a manifestação do jovem, ela estar confinada a um determinado espaço e momento. "Nosso desafio é fazer com que as culturas juvenis penetrem na cultura escolar. Os jovens e suas atividades não podem encontrar espaços apenas como oficinas esporádicas", concluiu Spósito. (Raquel Souza) |
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