| |||||||||||||||||||||
|
Uma vez por semana, a professora de língua portuguesa Edna Costa se reúne com um grupo de vinte cinco jovens estudantes. Na Escola Municipal Ministro Marcos Freire, em Olinda (PE), por quatro horas, trocam os artigos definidos e indefinidos por aqueles que compõem o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O grupo composto por 25 meninos e meninas, a maioria vítimas de violência doméstica, discutem os meios de prevenção e combate à violência doméstica e sexual. Durante as aulas e oficinas artísticas, que iniciaram-se no bimestre passado, contam suas histórias e elaboram estratégias para não voltar a vivencia-las. "É uma experiência ótima. Conheço a vida de meus alunos, pois ouço história que são difíceis de acreditar", conta a professora. De acordo com Edna, a participação dos meninos em uma discussão que chama a atenção principalmente das garotas é fundamental. "Contribuímos para construir uma sociedade menos machista", diz. Parceria - As aulas da professora Edna estão se realizando graças a uma parceria entre o governo municipal de Olinda, a World Childhood Foundation (WCF) - criada pela rainha Silvia, da Suécia - e a ONG Coletivo Mulher Vida. Em 2000, a professora participou junto com cerca de outros 25 colegas de trabalho de oficinas de capacitação oferecidas pela ONG Coletivo Mulher Vida para lidar com o tema violência e abuso sexual. Há três anos, o Coletivo Mulher Vida mantém o projeto Viva Menina Adolescente - que foi mencionado pela Unesco como uma das 30 iniciativas mais bem sucedidas que contribuem para melhorar a vida de jovens em situação de risco social. Através do projeto, a ONG montou diversos núcleos de discussão e mobilização juvenil contra a violência em bairros da periferia de Olinda e Recife. Mais de 750 jovens (todas do sexo feminino) participam de oficinas de arte e teatro, que visam a valorização da auto-estima. "Fazemos uma triagem de quem participará das atividades por meio de questionários que são aplicados nas escolas. O intuito é fazer com que aqueles que são vítimas de violência participe dos grupos", explica Carla Maldonado, coordenadora do projeto Viva Menina Adolescente. A partir dessas idas
às escolas, os educadores da ONG perceberam a ausência de
conversas sobre o assunto entre os professores e seus alunos. "Há
uma falta de informação sobre o ECA e um receio em lidar
com o tema sem expor o adolescente vitimado. Mas não falar sobre
o assunto é um equívoco. A escola, às vezes, é
o único ambiente de socialização freqüentado
pelos garotos e funciona como refúgio", diz Carla. (Raquel Souza) |
| |||||||||||||||||||