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Desaparecimento de votos, distribuição de cestas-básicas e transporte de eleitores. Fraudes e denúncias marcaram as eleições que deveriam eleger democraticamente os 170 novos conselheiros tutelares da cidade de São Paulo. A apuração, realizada no Ginásio do Ibirapuera durante todo o dia de ontem (12/11), foi marcada pela agitação dos candidatos. Eles trocaram acusações, levando a Promotoria de Infância e Juventude a impugnar várias urnas. O pleito, organizado pela Secretaria Municipal de Governo, teve problemas no Ipiranga, Pinheiros, Campo Limpo e vários outros bairros. Na região de Pinheiros, até as 19h de ontem, duas urnas haviam sido impugnadas. Uma, que ficou na Administração Regional de Pinheiros, tinha 82 votos, enquanto a lista de presença registrava 174 nomes. Segundo a secretária de Políticas Sociais da CUT, Maria Izabel da Silva, o pedido de anulação e impugnação de quatro urnas no Ipiranga deve-se ao fato de a UNA (União de Núcleos e Sociedades de Heliópolis e São João Clímaco) ter adotado métodos ilegais para tentar eleger seus candidatos. A secretária afirma que há provas documentais e fotográficas mostrando que os moradores foram forçados a votar nos representantes da UNA, sob a ameaça de terem seus tíquetes de leite cortados e de perderem a vaga de seus filhos em creches da região, entre outras limitações de acesso a benefícios sociais. "Essa prática espúria, que todos nós condenamos, foi registrada por diversos fiscais. A mais comum diz respeito ao transporte de eleitores até as zonas eleitorais", relata Maria Izabel. Ela explica que tal prática não se deve à falta de esclarecimento por parte dos candidatos. Todos eles, segundo a secretária da CUT, receberam do CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) um manual de orientação que condena tais práticas, consideradas abusivas em qualquer eleição. Maria Izabel também explica que o processo de escolha dos conselheiros tutelares é regido pelas normas e regras que compõem o código eleitoral brasileiro e que, portanto, as penalidades previstas na lei devem ser aplicadas aos infratores. Célia Ramos, coordenadora da comissão eleitoral e assessora da Secretaria Municipal de Governo, explicou, em entrevista ao jornal Diário de S. Paulo, que poderá haver impugnação dos candidatos eleitos caso fiquem comprovadas as irregularidades denunciadas. (Raquel Souza)
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